Início Economia 10 Mulheres Inspiradoras que Estão Transformando o Futuro do Planeta

10 Mulheres Inspiradoras que Estão Transformando o Futuro do Planeta

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Neste domingo, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é celebrado mundialmente, trazendo à tona um convite à reflexão: a ONU proclamou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora. Esse anúncio se torna ainda mais relevante em tempos em que o agronegócio global passa por uma transformação sem precedentes. A busca pela segurança alimentar e pela resiliência climática deixou de ser uma questão acessória, tornando-se o cerne das estratégias econômicas ao redor do mundo.

Nos campos da agricultura e pecuária, as mulheres não são apenas herdeiras de tradições familiares, mas verdadeiras arquitetas do futuro, unindo tecnologia de ponta, biotecnologia avançada e um compromisso inabalável com a regeneração ambiental.

A lista da Forbes que você verá a seguir apresenta dez mulheres que se destacam nessa liderança emergente. Elas vão desde experts em edição genômica na China até especialistas em microbiologia tropical no Brasil, passando por figuras de destaque na diplomacia da FAO e no fortalecimento do cooperativismo digital na África. Essas líderes estão redefinindo as cadeias de valor dentro do setor agrário.

As mulheres representam cerca de 40% da força de trabalho agrícola global, evidenciando que a eficiência deste setor no século 21 depende da remoção de barreiras históricas de gênero, além de investimentos em ciência aplicada e em inovações impulsionadas por elas.

Vamos conferir quem são essas mulheres que estão moldando o futuro do agronegócio mundial?

1. Beth Bechdol (EUA)

Área de atuação: Diplomacia e Governança Internacional

Beth Bechdol, vice-diretora-geral da FAO, ocupa uma posição estratégica em um momento crítico, onde a produção de alimentos para uma população crescente e a distribuição eficiente desses recursos são desafios urgentes. Crescendo em uma fazenda de grãos em Indiana, ela construiu uma carreira diversa, transitando entre o setor público e privado, conferindo-lhe uma visão única da diplomacia alimentar.

Na FAO, ela coordena ações em emergências alimentares e na mobilização de recursos, e sua principal missão é liderar o Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026. Sob sua perspectiva, as mulheres na agricultura representam 43% da mão de obra global, produzindo cerca de metade dos alimentos consumidos. Contudo, ainda enfrentam barreiras significativas em relação ao acesso à terra, crédito e tecnologia.

Bechdol acredita que o Ano Internacional deve ir além dos debates, exigindo ações concretas em políticas, parcerias e investimentos que resultem em benefícios reais. Isso implica na pressão por dados desagregados por gênero e um aumento no acesso à mecanização e conectividade digital nas áreas rurais, fundamentais para o avanço da produtividade.

2. Mariangela Hungria (Brasil)

D.NetoMariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja

Área de atuação: Microbiologia e Sustentabilidade

Após quatro décadas na Embrapa Soja, Mariangela Hungria desbravou um campo que poucos cientistas exploravam: a microbiologia do solo. Nos anos 1980, sua pesquisa sobre a fixação biológica de nitrogênio foi inicialmente negligenciada, mas ela perseverou, desenvolvendo tecnologias que transformaram o campo.

Sua pesquisa demonstra que bactérias do solo podem colaborar com plantas, capturando nitrogênio do ar e reduzindo a dependência de fertilizantes sintéticos. Essa inovação impactou mais de 40 milhões de hectares no Brasil, gerando uma economia de 25 bilhões de dólares por ano e evitando a emissão de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Hungria também revolucionou a pecuária com um inoculante para pastagens, aumentando a biomassa em 22%. Reconhecida como a primeira mulher brasileira a receber o World Food Prize em 2025, ela é uma força motriz por trás da “Revolução MicroVerde” no Brasil.

3. Priscila Vansetti (Brasil)

ReproduçãoPrisciala Vansetti, da Corteva

Área de atuação: Estratégia Corporativa e Inovação Industrial

Priscila Vansetti começou sua carreira na DuPont em 1981, tornando-se a primeira mulher a ocupar diversos cargos de liderança, como diretora de operações na América Latina e presidente da DuPont do Brasil. Atualmente, como vice-presidente na Corteva, ela gere um portfólio de proteção de cultivos de 6,2 bilhões de dólares.

Com sua formação em engenharia agronômica pela Universidade de São Paulo, Vansetti trilhou uma carreira internacional e tem sido uma mentora para outras mulheres no setor. Sua trajetória evidencia que estratégia corporativa e ciência podem coexistir de maneira poderosa, sendo um exemplo de como as mulheres podem quebrar barreiras na agricultura.

4. Ismahane Elouafi (Marrocos)

Divulgação/FAOIsmahane Elouafi, do CGIAR

Área de atuação: Segurança Alimentar em Climas Áridos

Originalmente do Marrocos, Ismahane Elouafi iniciou sua trajetória profissional como pilota de caça, mas rapidamente se voltou para as ciências agrárias. Hoje, ela é uma voz influente em segurança alimentar em regiões áridas, liderando pesquisas sobre culturas halófitas como quinoa e salicórnia.

À frente do CGIAR, Elouafi coordena uma vasta rede de pesquisa agrária, com quase 9 mil pesquisadores dedicados a garantir segurança alimentar e promover práticas sustentáveis. Seu trabalho destaca a importância de tecnologias agrícolas em solos salinos e degradados, adaptando-se à realidade das mudanças climáticas.

5. Jennifer Clapp (Canadá)

Photo by IISD/ENBJennifer Clapp, pesquisadora na Universidade de Waterloo

Área de atuação: Economia Política e Riscos Globais

Na Universidade de Waterloo, Jennifer Clapp é uma pesquisadora reconhecida por investigar a interseção entre o setor financeiro e o sistema alimentar global. Sua pesquisa explora como as decisões corporativas impactam o acesso a alimentos e a segurança alimentar.

Com vários livros publicados, incluindo o recente “Titans of Industrial Agriculture”, Clapp ilumina como a concentração do poder agrário afeta a produção de alimentos e a vida dos produtores. Ela também atuou no Painel de Alto Nível da ONU sobre Segurança Alimentar e Nutrição, influenciando diretamente as políticas alimentares globais.

6. Ntakirutimana Verene (Ruanda)

Photo by UN WomenA produtora rural Ntakirutimana Verene ao lado do marido

Área de atuação: Empreendedorismo e Desenvolvimento Social

Ntakirutimana Verene, do distrito de Nyaruguru em Ruanda, exemplifica uma transformação significativa através do Programa Conjunto para o Fortalecimento Econômico de Mulheres Rurais. Com acesso a técnicas de agricultura resiliente ao clima e microcréditos, ela passou de uma pequena produtora a uma líder na comunidade.

Com seu negócio florescendo, Ntakirutimana não apenas aumentou a produção de sua roça, mas também se tornou uma referência em sua cooperativa, demonstrando que acesso a conhecimento e recursos pode modificar vidas e comunidades inteiras.

7. Elizabeth Nsimadala (Uganda)

Photo by IISD/ENB | Matthew TenBruggencateElizabeth Nsimadala, produtora rural e presidente da EAFF

Área de atuação: Liderança Cooperativista e Digitalização

Elizabeth Nsimadala, agricultora em Uganda, é uma peça-chave na Federação de Agricultores da África Oriental (EAFF). Ela implementa inovações digitais como o E-Granary, ajudando a conectar produtores localmente e garantindo melhores preços e acesso a serviços.

Com sua atuação, Nsimadala garante que os investimentos e recursos alimentares cheguem diretamente aos agricultores, sem passar por intermediários, redefinindo a dinâmica de poder no campo. Ela é um símbolo de como a digitalização pode transformar a vida rural.

8. Sheila Senathirajah (Malásia)

Divulgação/ISEALSheila Senathirajah, da ISEAL Alliance

Área de atuação: Certificações e Cadeias Regenerativas

Sheila Senathirajah, atuando na ISEAL Alliance, tem um papel fundamental em estabelecer padrões de sustentabilidade que beneficiam pequenos produtores de óleo de palma no sudeste asiático. Sua experiência anterior a levou a desenvolver critérios que ajudam a garantir salários justos em cadeias produtivas globais.

Ela defende que a indústria não pode deixar todos os riscos aos produtores, e está na vanguarda da criação de soluções que integram responsabilidade socioambiental em mercado.

9. Caixia Gao (China)

Divulgação/AIChECaixia Gao, pesquisadora do IGDB

Área de atuação: Biotecnologia Avançada (CRISPR)

Caixia Gao, do Instituto de Genética e Biologia do Desenvolvimento da Academia Chinesa de Ciências, é uma pioneira no uso da edição genômica para desenvolver culturas mais nutritivas e resilientes às mudanças climáticas. Seu trabalho no melhoramento de arroz, trigo e milho impacta diretamente a segurança alimentar global.

Com um laboratório reconhecido cientificamente, Gao é uma influente voz na definição do futuro da agricultura em um cenário onde a produção se vê pressionada.

10. Tatiana Malvasio (Argentina)

ReproduçãoTatiana Malvasio, confundadora da Kilimo

Área de atuação: Gestão Hídrica e ClimateTech

Tatiana Malvasio traz uma visão inovadora à problemática da água na agricultura. Com a Kilimo, uma plataforma que utiliza inteligência artificial para otimizar o uso da água, ela transformou a escassez hídrica em uma oportunidade econômica. Com parcerias estratégicas, sua iniciativa já poupou bilhões de litros de água na América Latina.

Com abordagens que conectam tecnologia, sustentabilidade e justiça social, essas mulheres estão moldando o agronegócio global de maneira impactante. O futuro das mulheres na agricultura é promissor, recheado de inovação e conquistas. Que continuemos a aplaudir e apoiar suas trajetórias, pois a construção de um agronegócio mais igualitário e sustentável começa com cada uma delas.


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