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37 Ações Inovadoras do Observatório do Clima para Reduzir o Metano no Campo e nas Cidades

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Iniciativa do Observatório do Clima Apresenta Soluções Para Reduzir Emissões de Metano no Brasil

Na última terça-feira, 18 de setembro, o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), uma proposta do Observatório do Clima, revelou um caderno inovador que elenca 37 soluções voltadas para a redução das emissões de metano, também conhecido como CH4. Essa molécula contém um átomo de carbono e quatro átomos de hidrogênio e está associada a impactos significativos na mudança climática. As recomendações abrangem diversos setores, especialmente a agropecuária, gestão de resíduos, mudanças no uso da terra, silvicultura e energia.

Destaca-se que o município do Rio de Janeiro lidera as emissões de metano no país, seguido por cidades como São Félix do Xingu (PA), São Paulo (SP), Corumbá (MS) e Porto Velho (RO). Os dados ressaltam a urgência em adotar ações práticas e eficientes para enfrentar essa questão ambiental.

Orientações Estratégicas para Governos e Produtores

O relatório do Observatório do Clima é mais do que um compêndio de informações; ele serve como um guia prático, organizando informações sobre políticas públicas, referências técnicas e exemplos de implementações bem-sucedidas. O SEEG também disponibilizou uma ferramenta online que permite consultar as emissões de metano por município e bioma, facilitando a identificação das fontes de emissão e os setores responsáveis em cada região.

David Tsai, coordenador do SEEG, sublinhou a necessidade de transformar o conhecimento acumulado em ações coordenadas. “Temos um vasto arsenal de soluções disponíveis, porém, o Brasil precisa converter isso em ações em larga escala”, afirmou. O metano, segundo gás de efeito estufa mais potente, tem um potencial de aquecimento 28 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO2) em um intervalo de 100 anos. Sua vida útil na atmosfera, variando entre dez e 20 anos, é consideravelmente menor que a do CO2, tornando a redução de suas emissões um caminho promissor para resultados climáticos mais imediatos.

Desempenho do Brasil no Ranking Global de Emissões

O Brasil emitiu impressionantes 21 milhões de toneladas de metano em 2024, posicionando-se entre os maiores emissores do planeta. Desde 2021, o Brasil se juntou ao Compromisso Global do Metano, firmado na COP26 em Glasgow, que visa uma redução coletiva de 30% até 2030 em relação aos níveis de 2020. No entanto, a trajetória das emissões brasileiras ainda é ascendente. Tsai ressaltou que, enquanto as emissões de CO2 reduziram em períodos de diminuição do desmatamento, as de metano continuam a crescer, especialmente em virtude da pecuária, tratamento de resíduos urbanos e exploração de fontes energéticas.

A Pecuária: Principal Fonte de Emissões

O setor agropecuário é o grande responsável por essa situação, respondendo por 15,7 milhões de toneladas de metano, ou 75,8% do total nacional. Intrigantemente, mais de 90% dessas emissões estão ligadas à pecuária, com destaque para a fermentação entérica dos ruminantes, que soltam metano principalmente por meio do arrotar. Outras fontes incluem a gestão de dejetos, a prática de cultivo de arroz irrigado e a queima de resíduos agrícolas. O caderno apresenta 15 das 37 soluções especificamente voltadas para o contexto rural, oferecendo uma oportunidade de ações dirigidas e eficazes.

Gabriel Quintana, coordenador da Ciência do Clima do Imaflora, comentou: “Mitigar as emissões de metano na agropecuária é uma chance valiosa, pois envolve aumentar a produtividade e a eficiência na produção de alimentos”. Segundo ele, entre as 15 propostas, 10 possuem impacto direto sobre a totalidade da emissão ou sobre a quantidade de metano liberada por produto e sete estão relacionadas à fermentação entérica.

Soluções Práticas no Campo

  • Melhoria da alimentação dos animais
  • Recuperação de pastagens degradadas
  • Sistemas integrados de produção
  • Manejo eficiente de dejetos
  • Melhoramento genético dos rebanhos
  • Redução da idade de abate
  • Uso de aditivos que reduzam a produção de metano no rúmen

Além disso, a implementação de planejamento territorial, assistência técnica e linhas de crédito específicas para adoção dessas práticas são imprescindíveis. O foco é diminuir a emissão por quilo de carne ou litro de leite, e em algumas tecnologias, também reduzir o volume absoluto de metano que chega à atmosfera.

É interessante notar que a pecuária brasileira é majoritariamente de pastagem, com cerca de 95% dos 214 milhões de animais criados nesse sistema. Questões como qualidade da forragem, densidade de animais e o tempo de permanência dos bovinos no sistema influenciam diretamente nas emissões. Estudos do Imaflora indicam que a adoção de um sistema rotacionado bem manejado poderia teoricamente reduzir as emissões em até 19,66% em comparação com práticas convencionais. Em sistemas integrados, essa mitigação pode chegar a 38%.

Oportunidades no Tratamento de Dejetos

O manejo adequado de dejetos apresenta outra frente para a mitigação das emissões. O uso de biodigestores e a compostagem podem substituir métodos que liberam mais metano e, no processo, gerar biogás e fertilizantes orgânicos. Uma análise do primeiro ciclo do Plano ABC, de 2010 a 2020, indicou que medidas como a recuperação de pastagens e a integração de lavouras com pecuária poderiam ter evitado 2,95 milhões de toneladas de metano, ou seja, cerca de 2,1% do total emitido pela agropecuária nesse período.

Quintana mencionou que as projeções do SEEG sugerem a possibilidade de reduzir até 28% das emissões agropecuárias comparado aos níveis de 2020. Para atingir essa meta, as ações precisam alcançar propriedades com diferentes estruturas produtivas. “Muitas dessas práticas já estão sendo realizadas, mas precisam ser expandidas para todos os tipos de produtividades em diversas localidades do Brasil”, afirmou. Instrumentos como crédito rural, assistência técnica e políticas públicas eficazes serão cruciais nessa transição.

Desafios nas Cidades e o Setor de Resíduos

Nas áreas urbanas, a situação é diversa. O setor de resíduos é responsável pela segunda maior parte das emissões brasileiras de metano e recebeu 12 propostas no caderno. Decomposição de matéria orgânica em aterros e lixões gera metano, e entre as medidas destacadas estão:

  • Encerramento de lixões
  • Melhoria na gestão de aterros sanitários
  • Promoção da coleta seletiva
  • Redução do desperdício de alimentos
  • Compostagem e aproveitamento energético do biogás

Com os resíduos correspondendo a aproximadamente 15% das emissões nacionais de metano, isso implica que administrações municipais desempenham um papel crítico na estratégia climática. Prefeituras controlam ou contratam serviços essenciais de coleta e destinação dos resíduos, o que torna necessário um planejamento cuidadoso e fiscalização adequada para promover a efetividade das medidas propostas.

Por meio da ferramenta do SEEG, gestores podem consultar os dados sobre emissões em escala municipal, permitindo que identifiquem as fontes de emissão em seus respectivos territórios e promovam ações direcionadas.

Oportunidades nas Mudanças de Uso da Terra e Florestas

O caderno também aborda cinco soluções que dizem respeito a mudanças no uso da terra e florestas. Em 2024, as queimadas provocadas pelo desmatamento emitiram 1,14 milhão de toneladas de metano, representando cerca de 6% do total nacional. É importante mencionar que outras emissões de incêndios em vegetação nativa não estão registradas nos inventários oficiais, acumulando outras 1,01 milhão de toneladas, segundo estimativas adicionais do SEEG.

Propostas como prevenção e monitoramento, manejo integrado do fogo e combate a incêndios são essenciais para minimizar essas emissões.

A Importância de Reduzir as Emissões de Metano

Bárbara Zimbres, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), destacou o papel vital das metas de redução de emissão de metano no combate às mudanças climáticas. “A vida atmosférica mais curta do metano significa que as ações de mitigação produziriam efeitos mais rápidos”, afirmou. A pesquisadora ainda relacionou as recomendações à implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e à necessidade de articulação entre os diferentes níveis de governo.

Ações no Setor de Energia

As cinco recomendações restantes focam no setor de energia, onde os vazamentos ao longo das cadeias de petróleo e gás, a queima em tochas e o uso de lenha para cozinhar contribuem para as emissões. O caderno sugere ações para a detecção e correção de vazamentos, redução das emissões fugitivas e aprimoramento dos controles operacionais. Embora as emissões de metano nesse setor sejam menores do que nas áreas de agropecuária e resíduos, identificar os pontos críticos de emissão pode permitir intervenções eficazes.

Ações a Serem Implementadas

Vale ressaltar que o caderno não apresenta custo, prazos ou potencial específico de redução para as 37 medidas. Cada proposta incluída descreve a solução, os responsáveis pela implementação, referências técnicas, experiências anteriores e os benefícios potenciais que podem ser colhidos. Durante a elaboração, as equipes do SEEG trabalharam em conjunto com organizações do Observatório do Clima e outras entidades para garantir um conteúdo robusto e prático.

Para David Tsai, é fundamental que essas diretrizes sirvam como um guia tanto para gestores públicos quanto para a iniciativa privada. Ações informadas e bem estruturadas são essenciais para qualquer progresso na luta contra as emissões de metano no Brasil, e sua implementação em largo espectro é vital para o futuro sustentável do país.

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