O Primeiro Celular à Venda no Brasil: Uma Revolução Ligada ao Sonho de Silvio Stagni
Você já parou para pensar no caminho que os celulares percorreram desde seus primórdios? Em 1990, Silvio Stagni fez história ao conseguir vender um celular que custava nada menos que US$ 5 mil. Para que ele funcionasse, era preciso uma linha telefônica que, curiosamente, custava mais US$ 20 mil. Mesmo diante de tais preços exorbitantes, Stagni encontrou um comprador. Naquele momento, a telefonia móvel estava prestes a entrar em cena no Brasil, e Stagni fez uma aposta divertida durante uma feira de informática no Rio de Janeiro. Ele desafiou um concorrente: quem conseguisse realizar a primeira venda ganharia uma cerveja.
“O vendedor pagou a bebida. Eu fiz a primeira venda!” – Essas palavras de Stagni ecoam em sua memória como um marco na história da tecnologia no país. Após um encontro casual com um executivo da Motorola em um voo, ele se viu envolvido na representação da marca no Brasil e, subsequentemente, se tornou seu primeiro funcionário local quando a multinacional decidiu abrir operação no país.
A Nova Era dos Smartphones
Mais de 30 anos depois, Stagni, que atualmente lidera a Allied, está focado em ampliar o acesso a smartphones de alta qualidade por meio da Trocafy, um negócio de recondicionamento de dispositivos criado em 2022. Com uma combinação inovadora de ganho tecnológico e acessibilidade, ele acredita que celulares como o iPhone, que costumam ser objetos de desejo, podem ter um espaço muito maior no cotidiano brasileiro.
“Um smartphone recondicionado permite que tanto pessoas com orçamento apertado quanto aquelas que consideram o novo caro possam usufruir desses aparelhos”, diz o CEO. Ele vê a Trocafy como uma solução que não só democratiza o acesso, mas desmistifica a compra de dispositivos usados no Brasil, um mercado que ainda é pequeno se comparado aos Estados Unidos, onde o percentual de recondicionados é de 30% a 40%. No Brasil, esse número gira em torno de apenas 5%.
O Impacto da Trocafy
Os números falam por si. No primeiro semestre de 2026, a Trocafy vendeu cerca de 95 mil smartphones, representando um aumento de 32% em relação ao ano anterior e correspondendo a 8% das vendas totais da Allied. Isso mostra que o modelo de negócios é viável, e a demanda por celulares recondicionados está crescendo constantemente.
A Allied pode parecer desconhecida para muitos consumidores, mas ela desempenha um papel fundamental na cadeia de distribuição de eletrônicos no Brasil. Fundada em 2001 pela família Radomysler, a empresa conecta fabricantes globais a varejistas locais, especialmente aqueles que não têm acesso direto às marcas. Com uma abordagem diversificada, a Allied também cuida de aspectos como gestão de crédito e entregas fracionadas, o que, sem dúvida, faz diferença em um mercado cada vez mais competitivo.
Sobre a Empresa
A Allied se destaca por sua capacidade de movimentar estoque e gerenciar crédito, resultando em uma produtividade impressionante. Nos últimos 12 meses, a empresa comercializou 4,7 milhões de produtos, mantendo mais de 1,6 mil clientes ativos e operando 92 pontos de venda da Samsung. Sua sede em Miami também permite atender o mercado da América Latina de forma eficiente.
No balanço mais recente, a Allied registrou um crescimento na receita líquida, alcançando R$ 1,46 bilhão no segundo trimestre de 2026, uma alta de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido mais que dobrou, atingindo R$ 36,6 milhões, e o EBITDA cresceu 37%, mostrando que a empresa não apenas está se expandindo, mas também operando de forma lucrativa.
Aparelhos e Sustentabilidade
A Trocafy não traz apenas inovação; ela também contribui para a sustentabilidade, prolongando a vida útil dos dispositivos móveis que já foram utilizados. Os celulares recondicionados passam por um processo meticuloso de recuperação em laboratórios homologados pelo fabricante, onde são verificados, recondicionados com peças originais, e vendidos com garantia. Stagni destaca que a combinação de preços mais baixos e a confiança que esse processo gera no consumidor são essenciais para vencer a resistência habitual contra o uso de celulares de segunda mão.
Você sabia que, no programa “iPhone para Sempre”, feito em parceria com o Itaú, o cliente pode devolver seu aparelho após 21 meses e optar por um novo modelo? Esse sistema se tornou uma fonte valiosa de celulares usados para a Trocafy. A Allied busca parcerias com operadoras e varejistas para captar ainda mais aparelhos, aumentando assim seu portfólio.
As vendas de celulares recondicionados têm sido comparadas a um modelo de automóveis seminovos. Um preço mais acessível, inspeções rigorosas e a garantia geram segurança ao consumidor, que pode ficar receoso em comprar de forma direta.
Novas Oportunidades
Silvio Stagni tem grandes planos para a Allied. Além da crescente demanda no setor de smartphones de segunda mão, ele está de olho no mercado corporativo. Atualmente, a empresa já fatura cerca de R$ 300 milhões nesse segmento, mas Stagni acredita estar apenas arranhando a superfície do potencial. Ele quer usar o relacionamento com fabricantes para alavancar a venda de serviços de segurança digital, gestão de nuvem, e até mesmo acessórios.
A Allied já começou a distribuir soluções da Jamf, que se dedica ao gerenciamento de dispositivos da Apple, e incorporou a representação da Targus e Starlink em seu portfólio. No entanto, Stagni evita uma expansão acelerada, principalmente devido aos juros altos que dificultam o modelo de locação de equipamentos como serviço.
O Futuro é Promissor
O mercado de tecnologia no Brasil é desafiador, mas também cheio de oportunidades. Stagni está ciente de que, em tempos de alta dos juros, muitos varejistas dependem da gestão eficiente de estoques para sobrevivência. Ele acredita que a capacidade de oferecer entregas menores e mais frequentes pode beneficiar tanto a Allied quanto seus parceiros de negócios.
Com as profundas mudanças tributárias à vista, Stagni antecipa uma era de transformação. Ele vê essas alterações como uma oportunidade para simplificar operações e aumentar a competitividade, o que poderá trazer benefícios a longo prazo.
No panorama geral, a transição do Brasil para um mercado cada vez mais tecnológico e conectado, acompanhado de iniciações com smartphones recondicionados, é um passo sólido rumo ao futuro. Afinal, o que começou como um dispositivo raro e caro se transformou em um objeto comum no cotidiano moderno.
A visão de Stagni é clara: utilizar esses celulares que já foram utilizados para proporcionar melhores experiências a mais pessoas. E assim, o que antes era acessível a poucos, com o tempo e a inovação, pode se tornar realidade para muitos. Que esse ciclo de transformação continue!



