As ações da Vivara (VIVA3) caíram nesta sexta-feira após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, marcada por retração no lucro líquido e no Ebitda ajustado e por desaceleração das vendas nas mesmas lojas. Às 10h30, os papéis recuavam 8,25%, a R$ 16,68, e chegaram a níveis observados em março de 2025; às 12h, a queda havia diminuído para 4,24%, com a ação a R$ 17,41.
No mesmo horário da cotação inicial, a Vivara era o papel de pior desempenho do Ibovespa, que avançava 0,3%. A redução das perdas ao longo do pregão não evitou que a divulgação dos números fosse acompanhada por forte pressão sobre as ações. O balanço, publicado na véspera, mostrou aumento da receita, mas queda em indicadores de lucro e margem, além de crescimento mais lento das vendas nas lojas abertas há mais tempo.
Lucro e Ebitda recuam
A rede de joalherias registrou lucro líquido de R$ 114,8 milhões no terceiro trimestre, uma diminuição de 38,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido representa o resultado que sobra depois da contabilização de receitas, custos, despesas e tributos. A queda do indicador foi um dos principais números do balanço em meio à reação negativa do mercado.
O Ebitda ajustado somou R$ 132,7 milhões, recuo anual de 22,4%. Ebitda é a sigla em inglês para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, usado para observar o desempenho operacional de uma empresa. No caso da Vivara, o número foi ajustado após a exclusão dos créditos registrados no ano passado. Por isso, a comparação considera essa retirada na base anterior.
A receita operacional líquida, por sua vez, avançou 4,3%, para R$ 692,9 milhões. O crescimento da receita não se traduziu em aumento do lucro: os resultados divulgados também mostraram redução do Ebitda ajustado e da margem bruta. A combinação desses dados foi acompanhada pelos investidores na sessão seguinte à publicação do balanço.
Vendas nas mesmas lojas perdem ritmo
As vendas nas mesmas lojas cresceram 4,4% no trimestre. Essa métrica compara o desempenho de unidades que já operavam nos períodos analisados e ajuda a observar a evolução das vendas sem considerar, na comparação, a abertura de novas lojas. O avanço ficou abaixo dos 10,7% registrados um ano antes, indicando uma desaceleração no ritmo de crescimento.
Analistas do Itaú BBA apontaram essa perda de ritmo como um aspecto negativo do resultado e avaliaram que a empresa perdeu parte de sua competitividade durante o terceiro trimestre. Em comentário sobre as perspectivas, os analistas também manifestaram preocupação com o desempenho da Life e da Vivara em um cenário de consumo potencialmente mais conservador em 2027. Eles levantaram ainda a possibilidade de que a desvalorização do real pudesse tornar a Vivara um pouco mais competitiva, sem apresentar essa hipótese como uma previsão.
Margem e preços no foco
A margem bruta reportada foi de 65% no terceiro trimestre, ante 71,3% no mesmo período de 2025. A margem bruta indica a parcela da receita que permanece depois dos custos diretamente associados aos produtos vendidos. Segundo a companhia, a variação refletiu os lançamentos do período e uma base de comparação mais alta.
Para analistas da XP, o desempenho do grupo foi fraco. Eles disseram que o Ebitda foi afetado pelo repasse moderado dos preços em meio à queda nos preços do ouro, fator que pesou sobre a receita do segmento de joias. A avaliação relaciona a evolução dos preços dos produtos e dos insumos ao resultado operacional da empresa, mas a fonte não detalha o impacto financeiro de cada fator.
Pedro Caravina e sua equipe, da XP, afirmaram que a Vivara considera temporária a pressão sobre as margens. Os analistas disseram que a dinâmica de preços e margens no quarto trimestre será um ponto a acompanhar. Segundo eles, a administração informou que implementou aumentos de preços nos últimos meses e que adota uma política de preços dinâmica.
Assim, além da evolução do lucro e do Ebitda, os comentários dos analistas destacaram dois aspectos para os próximos resultados: a capacidade de sustentar os preços e a recuperação do ritmo de vendas nas mesmas lojas. A divulgação do trimestre trouxe receita líquida em alta, mas também mostrou desaceleração comercial e recuo na margem bruta em relação ao ano anterior.