Ambev (ABEV3) Surpreende o Mercado com Resultados do 4º Trimestre de 2025
As ações da Ambev (ABEV3) tiveram um desempenho notável, subindo até 4% nesta quinta-feira, 12 de outubro, logo após o anúncio de seu balanço do quarto trimestre de 2025. Às 10h24, os papéis estavam cotados a R$ 16,41, refletindo uma reação positiva do mercado.
Performance nos Resultados
O banco JPMorgan destacou que os resultados da Ambev foram, em grande parte, consistentes com as expectativas, apresentando um leve avanço em relação às estimativas internas. A unidade de Cerveja Brasil mostrou um desempenho melhor do que o esperado, enquanto a operação na América do Sul (LAS) não atendeu completamente às projeções.
- Receita líquida: R$ 24,8 bilhões, marcando uma queda de 8,2% em relação ao ano anterior, mas com um crescimento orgânico de 4,8%, superando em 0,6% o consenso do mercado.
- EBITDA normalizado: R$ 8,85 bilhões, um declínio de 8% em relação ao ano passado, mas um aumento orgânico de 1,3%, que está alinhado com as expectativas do JPMorgan e 3,7% acima do consenso.
- Lucro líquido: R$ 4,62 bilhões, com uma queda de 8% em relação ao ano anterior, superando levemente as projeções do banco em 0,2% e o consenso em 2,8%.
Esses números destacam como a empresa, mesmo em um cenário desafiador, conseguiu manter uma performance sólida em algumas áreas.
Análises de Mercado
O Banco Bradesco BBI apontou que a Ambev está gerenciando bem suas despesas, especialmente com cortes nos custos de logística e administração. No entanto, a questão permanece: até onde essa eficiência pode ser estendida, considerando que as despesas gerais já estão em um nível baixo histórico.
Em paralelo, o Goldman Sachs analisou a situação mais aprofundadamente, observando que a combinação de volumes em desaceleração e uma moderação nos preços poderia indicar uma fraqueza estrutural na demanda, não apenas um efeito sazonal.
Perspectivas de Custos
A Ambev divulgou suas expectativas para 2026, prevendo um aumento no custo dos produtos vendidos (COGS) por hectolitro entre 4,5% e 7,5%. Essa estimativa é acima dos 3,6% que o JPMorgan tinha anteriormente, criando preocupações quanto às margens futuras.
Por outro lado, a XP Investimentos elogiou o foco da empresa em produtividade e redução de despesas, com melhores resultados serviços, refletindo o compromisso das novas gestões pela eficiência.
Destaques: Pontos Positivos e Negativos
Pontos Positivos
- Volumes de Cerveja Brasil: Superaram as expectativas, especialmente durante o período de festas, evidenciando uma demanda aquecida em dezembro.
- Controle de Despesas: O EBITDA foi impulsionado pelo volume e por um controle rigoroso nas despesas administrativas, resultando em uma contração de margem limitada.
Pontos Negativos
- Desempenho Internacional: A LAS e o Canadá apresentaram resultados abaixo do ideal, com a margem EBITDA na LAS caindo 360 pontos-base.
- Setor de Bebidas Não Alcoólicas: Apresentou uma queda orgânica de 6,6% nos volumes, demonstrando um desempenho abaixo do esperado pela indústria.
Essa análise multifacetada fornece uma visão clara sobre os desafios e oportunidades que a Ambev enfrenta.
Valuation e Recomendações de Analistas
Em relação ao valuation da Ambev, a análise do Itaú BBA sugere que a companhia está sendo negociada a cerca de 16 vezes o lucro esperado para 2026, o que não é um ponto de entrada especialmente atrativo, considerando a previsão de crescimento do lucro por ação.
O panorama atual reflete um otimismo cauteloso, com a surpresa positiva no último resultado contribuindo para um desempenho favorável das ações no curto prazo. No entanto, as recomendações variam bastante entre os analistas:
- Itaú BBA: Recomenda “market perform”, com um preço-alvo de R$ 14.
- JPMorgan: Recomenda “neutra”, com preço-alvo de R$ 15.
- Goldman Sachs: Mantém a recomendação de venda e um preço-alvo de R$ 11,30.
- Morgan Stanley: Projeções 10% abaixo do consenso para 2027, recomendando “underweight” com um preço-alvo de R$ 10,50.
Considerações Finais
A Ambev, uma das líderes do mercado de bebidas no Brasil, apresentou resultados mistos, equilibrando entre desafios e oportunidades. A combinação de um fundo operacional robusto e a necessidade de enfrentar questões estruturais no mercado pode determinar a trajetória das suas ações nos próximos meses.
O mercado continua atento à capacidade da companhia de navegar em um cenário competitivo, sem perder de vista o foco em eficiência e rentabilidade a longo prazo. Este é um momento crucial para investidores e analistas, e as próximas decisões da Ambev serão fundamentais.
Você acreditaria que a Ambev pode superar os desafios atuais ou terá dificuldades contínuas em manter sua posição no mercado? O que você acha que poderia ser feito para melhorar ainda mais seus resultados? Compartilhe suas ideias nos comentários!
