Após o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, analistas mantêm Petrobras e PRIO entre as principais recomendações do setor de petróleo e gás. A combinação de petróleo valorizado, dólar forte e geração de caixa sustenta a preferência pelas produtoras, enquanto Vibra Energia e Ultrapar aparecem como alternativas mais defensivas em meio à incerteza sobre juros e política energética.
A volatilidade nos mercados levou investidores a concentrar a atenção em um grupo menor de ações da Bolsa brasileira. Nos relatórios de bancos e casas de análise, as produtoras se destacam pelo potencial de distribuição de dividendos e pela exposição a receitas em dólar. Petrobras segue como a escolha mais recorrente, e a PRIO é apontada como uma aposta mais direta na valorização do petróleo.
Petrobras combina produção e dividendos
O Itaú BBA mantém a Petrobras como sua principal escolha no segmento, mesmo após a forte queda das ações na segunda-feira seguinte à eleição. Para o banco, a tese de investimento se apoia nos fundamentos operacionais da companhia, na evolução da produção, na política de preços dos combustíveis e nas condições do mercado global de petróleo.
Considerando o petróleo Brent perto de US$ 95 por barril, o Itaú BBA calcula que a estatal pode oferecer rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE yield) de cerca de 32% em 2027. O indicador relaciona o caixa que sobra após investimentos ao valor de mercado da empresa.
O Goldman Sachs também recomenda a compra das ações. O banco projeta para a Petrobras um rendimento de fluxo de caixa livre de aproximadamente 15% em 2027 e um retorno em dividendos (dividend yield) próximo de 20%. Entre os fatores favoráveis, cita a expansão da produção no pré-sal, as receitas em dólar e a expectativa de que não ocorram mudanças relevantes na política de dividendos.
Os dados operacionais recentes reforçaram as avaliações positivas. O BTG Pactual estima que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) da Petrobras fique próximo de US$ 19 bilhões no terceiro trimestre de 2026. A projeção considera produção recorde de cerca de 2,83 milhões de barris por dia e exportações também em nível recorde. O banco prevê ainda aproximadamente US$ 3,6 bilhões em dividendos relativos ao período.
O crescimento da produção tem sido impulsionado pelo avanço das plataformas P-78 e P-79, no campo de Búzios, e do navio-plataforma Alexandre de Gusmão, em Mero, além de ganhos de eficiência operacional. Na avaliação do BTG, esse desempenho pode abrir espaço para revisões para cima nas projeções de produção para os próximos anos.
A desvalorização do real também favorece a geração de caixa da Petrobras: grande parte das receitas é denominada em dólar, enquanto uma parcela relevante dos custos permanece em moeda brasileira. Ao mesmo tempo, o Bradesco BBI avalia que o cenário após o segundo turno pode manter os juros elevados por mais tempo e recomenda uma postura mais defensiva na alocação ao setor. Ainda assim, o banco mantém a Petrobras como favorita.
PRIO tem maior exposição ao petróleo e ao câmbio
Para investidores que buscam uma exposição mais direta ao preço do petróleo, a PRIO aparece entre as ações com maior potencial de desempenho relativo no curto prazo. O Itaú BBA considera que a companhia está menos exposta aos riscos políticos e macroeconômicos domésticos e estima FCFE yield de aproximadamente 34% em 2027.
O Goldman Sachs também vê a empresa como beneficiária de um real mais fraco, já que praticamente toda a sua produção é exportada. O banco projeta dividend yield próximo de 20% em 2027. Segundo a análise, a perspectiva de que a Petrobras não retome um programa de venda de ativos reduz as oportunidades de aquisição da PRIO, mas pode ampliar o potencial de distribuição de dividendos.
Preços dos combustíveis seguem no radar
A política de preços da Petrobras continua entre os temas acompanhados pelo mercado. O Itaú BBA calcula que o diesel vendido no Brasil está abaixo da paridade internacional e que a gasolina também apresenta defasagem, o que alimenta expectativas de reajustes.
O Goldman Sachs, por sua vez, não espera mudanças significativas no modelo de precificação da estatal após a reeleição do atual governo. O banco aponta o estatuto da Petrobras e a legislação vigente como barreiras a interferências diretas mais profundas em sua política comercial. Investidores também acompanham possíveis subsídios aos combustíveis, a renovação do imposto sobre exportações de petróleo e discussões sobre um eventual retorno da Petrobras à distribuição.
Distribuidoras são alternativas defensivas
Vibra Energia e Ultrapar ocupam uma posição intermediária nas preferências dos analistas. O Itaú BBA vê as empresas como opções mais defensivas em um cenário de margens relativamente estáveis e de subsídios que sustentam a competitividade do setor. Segundo o banco, as ações negociam entre sete e nove vezes o lucro projetado para 2027.
O Goldman Sachs mantém recomendação neutra para as duas companhias. A instituição considera que as distribuidoras estão expostas a um crescimento mais fraco da economia brasileira e prevê a possibilidade de normalização das margens nos próximos trimestres.
As recomendações dos bancos, portanto, concentram-se nas produtoras. A Petrobras reúne, na avaliação dos analistas, potencial de dividendos, crescimento da produção e ações negociadas a preços considerados descontados. A PRIO oferece exposição mais intensa ao petróleo e ao dólar, enquanto Vibra e Ultrapar aparecem como alternativas de perfil mais defensivo.