Na última quinta-feira, 30 de abril, o Ibovespa teve uma recuperação significativa no último pregão do mês, subindo 1,39% e fechando a 187.317,64 pontos. Essa alta interrompeu uma sequência recente de perdas, mas não foi suficiente para evitar que abril fosse quase nulo, após semanas de correção.

O movimento positivo foi impulsionado por um cenário externo mais favorável, que permitiu ao índice recuperar parte das perdas acumuladas desde o recorde histórico de 14 de abril. Apesar disso, o ganho do dia apenas cobriu parcialmente as correções observadas na segunda quinzena, resultando em uma leve queda mensal de 0,08%.
O que aconteceu em abril? Uma análise do Ibovespa
O desempenho do Ibovespa em abril foi marcado por dois períodos distintos: a primeira quinzena foi explosiva, com recordes históricos, enquanto a segunda foi dominada por ajustes e realizações de lucro.
Após atingir os quase 199 mil pontos intradia e 198,6 mil pontos no fechamento do dia 14, o índice enfrentou uma série de 10 pregões predominantemente negativos, com apenas uma leve alta durante esse período.
Na última semana, o Ibovespa registrou uma queda acumulada de 1,80%, ampliando o movimento de correções observadas após o rali anterior. Entretanto, ao longo do ano, o índice ainda apresenta uma valorização de 16,26%.
Com o foco dos investidores se dividindo entre o cenário externo e fatores internos, como a temporada de balanços e os recentes ruídos políticos, a percepção de fragilidade no ambiente local se intensificou.
As principais altas e baixas do Ibovespa
No último pregão de abril, a maioria das ações apresentou alta, com poucas registrando perdas.
Maiores altas:
- Hapvida: +5,45%
- CPFL: +4,38%
- Axia: +4,03%
Maiores baixas:
- Suzano: -2,18%
- Hypera: -0,88%
- Klabin: -0,74%
- Iguatemi: -0,11%
O otimismo no último dia do mês foi refletido em uma recuperação ampla entre setores, após um período de maior pressão sobre as blue chips.
O dólar frente ao real: um recuo no cenário positivo
O dólar também seguiu a tendência favorável do mercado, apresentando um recuo notável em relação ao real. A moeda americana encerrou o dia em queda de 0,98%, cotada a R$ 4,9527. Esse movimento reflete um fluxo estrangeiro ainda positivo, mesmo com os recentes ajustes nas alocações.
No exterior, as bolsas de valores fecharam em alta, contribuindo para um apetite por risco maior entre os investidores:
- Dow Jones: +0,85% (38.742 pontos)
- S&P 500: +1,02% (5.123 pontos)
- Nasdaq: +1,28% (15.915 pontos)
O cenário global ainda está atento à geopolítica, principalmente ao conflito no Oriente Médio, que mantém o preço do petróleo acima de US$ 100, influenciando diretamente a inflação e as taxas de juros.
O papel do fluxo estrangeiro no mercado brasileiro
O fluxo de capital internacional continua a desempenhar um papel fundamental na dinâmica da bolsa brasileira. Segundo Stephan Kautz, da EQI Investimentos, o Brasil é considerado um “ganhador relativo” no cenário global, especialmente por ser um exportador de petróleo, o que contribui positivamente para as contas externas e fiscais.
No entanto, há indícios de que parte desse capital pode estar sendo direcionada para a renda fixa, o que ajuda a explicar a recente perda de força do mercado de ações.
Apesar do alívio pontual no fim da semana, o ambiente permanece repleto de incertezas, especialmente com o Estreito de Ormuz com restrições e sem uma solução clara para o conflito. Esse cenário ainda limita o apetite por risco e mantém o Ibovespa em uma movimentação mais lateral após os recordes anteriores.
Com Estadão Conteúdo