Brasil e ONU: Uma Luta Global pela Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas
Recentemente, uma colaboração entre o Brasil, a UNESCO, a Convenção Quadro da ONU sobre Mudança Climática (UNFCCC) e diversas nações lançou uma iniciativa significativa focada na integridade da informação. Este esforço visa combater a desinformação que, frequentemente, distorce os fatos sobre as mudanças climáticas, impulsionada por interesses obscuros, sejam políticos ou econômicos.
Promovendo a Confiança Pública na Ciência do Clima
A iniciativa denominada Global Initiative for Climate Change Information Integrity foi apresentada por meio de um edital que convida diferentes nações e organizações a se unirem nesse mutirão. A desinformação é uma barreira real para a conscientização, e este projeto busca restaurar a confiança do público nas informações sobre mudanças climáticas e nas soluções possíveis.
Com a presidência brasileira na COP30, que ocorrerá de 10 a 21 de novembro em Belém do Pará, o prazo para submissão de propostas vai até 31 de agosto. O apoio também conta com a participação de países como Marrocos, Chile, Reino Unido, França, Dinamarca e Suécia. As melhores estratégias de comunicação e campanhas que combaterem a desinformação terão um espaço de destaque na COP30, criando uma plataforma ideal para troca de ideias e melhores práticas.
João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, declarou que a COP30 é não apenas um evento crítico sobre mudanças climáticas, mas também uma vitrine onde várias iniciativas relevantes podem ser apresentadas.
O Papel das Plataformas Digitais na Disseminação de Informações
Este chamado para participação não requer retribuição financeira; ao contrário, ele visa selecionar as melhores iniciativas para serem destacadas mundialmente. Isso inclui campanhas que tratam da desinformação de forma inovadora.
Brant sublinha que a internet deve ser um espaço regulado, onde as plataformas digitais têm a responsabilidade de garantir a veracidade das informações que divulgam. Ele afirma:
- “Não podemos aceitar que comportamentos criminosos do mundo físico sejam normalizados no ambiente digital.”
- “É necessário criar regras que permitam a identificação e enfrentamento de riscos sistêmicos relativos à desinformação.”
Combatendo a Desinformação com a Educação
Um dos focos da iniciativa é a alfabetização digital da população. João Brant revelou que, até o momento, 60 mil professores já foram treinados para abordar questões digitais nas salas de aula. O Brasil se prepara para incluir, em 2026, disciplinas de educação digital e midiática na grade curricular do ensino fundamental nas escolas municipais e estaduais, cobrindo:
- Fundamental 1 e 2 (para crianças de 6 a 14 anos)
- Ensino Médio (de 15 a 17 anos)
O objetivo é estabelecer uma base sólida que permita às gerações futuras navegar no mundo digital de maneira crítica e informada.
O Papel da ONU e os Princípios Globais de Integridade da Informação
João Brant também elogiou os Princípios Globais da ONU sobre integridade da informação e o Pacto Global Digital. Ele destaca que a abordagem da ONU para organizar e estruturar o tema em torno de princípios é essencial. O documento, que foi lançado em julho de 2024, reflete diálogos e consultas com diversos países e aponta o caminho para um ambiente informacional saudável.
Para Brant, a questão não é apenas sobre lidar com desinformações isoladas, mas enfrentar a desinformação de maneira holística, levando em conta o impacto que narrativas falsas têm sobre a população e sobre a integridade democrática. Ele afirma:
“Devemos esvaziar narrativas mentirosas que ameaçam a estabilidade política e o bem-estar social.”
Um Futuro Sustentável e Informado
O engajamento do Brasil nesta iniciativa global é um reflexo da urgência em enfrentar as consequências das mudanças climáticas. A COP30 promete ser um momento não apenas de discussão, mas de ações tangíveis. É um chamado à responsabilidade coletiva — governos, plataformas digitais e sociedade civil devem unir forças para garantir que a informação que circula seja verdadeira, acessível e benéfica.
Ao final, essa é uma oportunidade de reflexionar sobre o papel de cada um de nós em contribuir para um ambiente informacional mais saudável. Como você pode participar dessa luta? Que ações pode tomar para difundir informações corretas sobre o clima? Esses são questionamentos que todos devemos considerar. Afinal, um mundo bem informado é um mundo melhor.
Monica Grayley é editora-chefe da ONU News em português.
