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Brasil no Agro: O Que Esperar da Próxima Gestão para Potencializar Nossa Produção?

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Nos últimos 50 anos, o agronegócio brasileiro passou por uma revolução impressionante, transformando-se de um simples importador de alimentos a uma potência reconhecida internacionalmente, o “Celeiro do Mundo”. Essa notável evolução foi impulsionada pela aplicação da ciência, investimentos, tanto públicos como privados, e uma visão empreendedora que aumentou a produtividade do setor, solidificando o Brasil como uma força agroalimentar de destaque.

De acordo com estimativas da CNA e do Cepea, em 2025, o agronegócio deverá representar 25,13% do PIB nacional, o que corresponde a cerca de R$ 3,20 trilhões. Essa importância é ainda mais palpável quando observamos a previsão do Ministério da Agricultura (MAPA) de um crescimento na produção de grãos de 19,5% até 2034/2035, atingindo cerca de 405,9 milhões de toneladas. Na pecuária, espera-se uma expansão de 20,6% na produção de frango, gado e suínos, destacando a potencialidade do Brasil no cenário global.

Os Desafios além da Tecnologia

Entretanto, embora o país tenha um enorme potencial, isso não garante uma liderança consolidada. Muitas propriedades agrícolas e pecuárias já adotam tecnologias avançadas, como mecanização, dados em tempo real e inovações. Contudo, ainda enfrentam obstáculos que vão além do controle individual dos produtores: a infraestrutura deficiente, incertezas nas regulamentações e um ambiente de negócios instável. Às vésperas de um novo ciclo político, a questão que se levanta é se o Brasil conseguirá criar as condições necessárias para manter esse crescimento e agregar valor tanto nacional quanto internacionalmente.

A discussão sobre o futuro do agronegócio precisa transcender slogans e ideologias. O setor não busca privilégios; ao contrário, almeja condições que permitam um planejamento eficiente, investimentos sólidos e competitividade justa. É vital que, nas próximas décadas, possamos enfrentar dois desafios globais cruciais: garantir o acesso a alimentos e expandir a oferta de energia. O Brasil possui um papel essencial a desempenhar em ambos, através de produção eficiente, inovações e exploração de fontes renováveis, como biocombustíveis.

Cinco Prioridades para Impulsionar o Agronegócio

Se pudesse determinar cinco prioridades para a agenda do próximo governo em relação ao agronegócio, seriam as seguintes:

1. Previsibilidade

É fundamental que o Brasil ofereça regras claras e estáveis, com segurança jurídica e previsibilidade regulatória, sempre respeitando a legislação ambiental e os direitos de propriedade. Alterações nas normas devem ser conduzidas com transparência para que produtores e empresas possam planejar seus investimentos de longo prazo.

2. Infraestrutura

A eficiência agrícola perde valor quando máquinas e insumos enfrentam estradas de má qualidade e corredores congestionados, além da falta de armazenamento adequado. Rodovias, ferrovias, portos e logística devem ser bem planejados e executados para evitar gargalos que comprometem a competitividade e elevam o custo dos alimentos nas prateleiras.

3. Conectividade

Tecnologias como agricultura de precisão, telemetria e rastreabilidade exigem uma conexão confiável. A implementação da internet nas áreas rurais não deve ser vista como um luxo, mas sim como uma necessidade para aumentar a produtividade e aproximar os produtores das inovações do mercado.

4. Crédito

O acesso a crédito e a seguros rurais é vital para que o potencial do agronegócio brasileiro se converta em produtividade real. O financiamento deve ter condições, custos e prazos adequados ao ciclo de cada atividade e às diversidades climáticas e regionais. Um ambiente macroeconômico estável é essencial para acessibilidade a crédito mais competitivo, onde uma política fiscal responsável possa reduzir incertezas e custos de financiamento, permitindo juros mais baixos e favoráveis ao setor.

5. Sustentabilidade

Produzir de maneira sustentável e conservar os recursos naturais são objetivos que podem caminhar juntos, desde que haja políticas públicas que levem em consideração a diversidade regional e produtiva do Brasil. Além disso, a rastreabilidade é fundamental para demonstrar a origem dos produtos e as práticas adotadas, aumentando a transparência e a confiança dos consumidores. Criar essa conexão fortalece a imagem do agronegócio brasileiro, que também precisa apostar em uma diplomacia comercial eficaz, respaldada em argumentos científicos.

Um Chamado à Ação Concreta

A realidade do agronegócio brasileiro é multifacetada, com necessidades distintas conforme a escala, cultura e região. O Congresso, os estados, as empresas e a sociedade desempenham papéis cruciais na busca por soluções. No entanto, cabe ao Executivo definir prioridades e prestar contas ao povo; assim, a cobrança deve ser rigorosa. Para que o setor possa atingir todo o seu potencial, é preciso superar os obstáculos que ainda persistem.

O Brasil já demonstrou sua capacidade em produzir alimentos de qualidade. Nosso desafio agora é garantir que as condições do campo sejam compatíveis com as demandas do século XXI, em sintonia com uma nova geração de produtores que está emergindo. Dessa forma, o agronegócio brasileiro pode transformar a produtividade em prosperidade, gerando estabilidade e oportunidades para todos.

*Jaqueline Casale é zootecnista, conselheira da Casale, uma empresa líder na fabricação de máquinas para pecuária, e envolvida em diversas iniciativas do setor. Com experiência em grandes empresas do setor agroindustrial e uma forte conexão com a produção rural, Jaqueline é uma voz ativa no debate sobre a modernização do agronegócio.

Os artigos assinados refletem as opiniões de seus autores e podem não representar a visão da Forbes Brasil e seus editores.

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