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Brasil Rumo à Independência: Aumenta Importação de Trigo e Reduz Dependência da Argentina até 2026

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### Crescimento das Importações de Trigo pelo Brasil em 2026: Um Panorama Atual

As importações de trigo pelo Brasil estão em trajetória crescente para 2026, diante de incertezas que cercam a produção interna. Com a expectativa de redução na área plantada, os desafios se intensificam: os custos elevados decorrentes da guerra no Irã e as possíveis consequências do fenômeno El Niño ameaçam a safra nacional, segundo especialistas do setor.

#### A Situação do Trigo Argentino

Embora a Argentina seja tradicionalmente o principal fornecedor de trigo para o Brasil, há indícios de que as compras do cereal argentino possam diminuir. Moinhos brasileiros observam que uma parte significativa do trigo colhido em 2025 apresenta qualidade insuficiente para a produção de farinha de panificação, o que pode afetar a oferta de um produto essencial para a indústria de alimentos no país.

#### Novas Fontes de Suprimentos

Dessa forma, os moinhos estão se preparando para buscar fontes alternativas de trigo fora do Mercosul, mesmo que isso signifique remunerações mais altas. Entre as possíveis novas origens estão a Rússia e os Estados Unidos. O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, informou à Reuters que se prevê a importação de entre 1 e 1,5 milhão de toneladas dessas regiões.

#### Tendências nas Exportações Argentinas

Nos primeiros meses de 2026, já foram observados embarques menores da Argentina. Dados da agência estatal Indec indicam uma queda de 18% nas exportações de trigo argentino em comparação ao mesmo período do ano passado, totalizando 1,38 milhão de toneladas. No entanto, as exportações totais do país para outros destinos subiram 77%, alcançando 9,7 milhões de toneladas.

Em contrapartida, a projeção para as importações brasileiras pode alcançar até 7 milhões de toneladas em 2026, um leve aumento em relação às 6,87 milhões de toneladas de 2025. A consultoria Safras & Mercado vislumbra um cenário ainda mais otimista, com estimativas de mais de 8 milhões de toneladas para o ano comercial 2026/27.

### Desafios da Qualidade do Trigo Argentino

A qualidade do trigo argentino tem gerado preocupações. Apesar de a última safra ter sido recorde, o produto apresenta características que o tornam inadequado para muitas aplicações, especialmente para a produção de pão, que é a principal demanda no Brasil. A situação se agrava com a percepção de que a qualidade do trigo argentino vem declinando ao longo dos últimos anos, tornando-o mais adequado para a produção de massas.

#### Alternativas no Comércio Internacional

Barbosa esclareceu que o Brasil pretende compensar essa queda na qualidade do trigo argentino com mais importações de outros países. Existem cotas anuais que permitem a importação de até 750 mil toneladas isentas de tarifas para trigo fora do Mercosul, o que pode minimizar os custos mais elevados associados às compras.

### A Capacidade da Argentina em Atender à Demanda Brasileira

A Argentina, em 2025, exportou 5,24 milhões de toneladas de trigo para o Brasil, representando 36,6% do total que enviou ao exterior. Gustavo Idígoras, presidente da Ciara-Cec (câmara de exportadores de grãos da Argentina), mencionou que, com uma safra recorde de 28 milhões de toneladas, o país poderia suprir a demanda brasileira, apesar de uma parte da colheita não apresentar qualidade suficiente e ter sido vendida como ração animal para mercados do Sudeste Asiático e da China.

Idígoras se mostrou otimista, afirmando que a Argentina possui trigo atendendo aos padrões exigidos para a produção de pão e que não vê razão para que o Brasil busque suprimentos em outros lugares.

### Perspectivas e Incertezas nas Safras

É fundamental considerar o contexto incerto que a safra brasileira enfrenta neste ciclo. O clima ideal propiciou uma colheita recorde na Argentina, mas a baixa qualidade de uma considerável parcela dessa produção levanta questões sobre a adequação do produto. Élcio Bento, especialista da consultoria Safras & Mercado, ressaltou que apenas entre 7 e 8 milhões de toneladas da safra total argentina poderão ser usadas para a produção de farinha para panificação, enquanto mais de 20 milhões de toneladas têm teores de proteína baixa.

Além disso, o Brasil se depara com uma semeadura cercada por custos elevados com fertilizantes e combustíveis, exacerbados pelo conflito no Irã. Há também a necessidade de cautela devido às previsões relacionadas ao El Niño, que historicamente implica maiores chuvas no Sul do Brasil, podendo prejudicar a qualidade do trigo.

### Territórios em Mudança

Além disso, a redução da área plantada é uma preocupação crescente. No Paraná, um dos estados mais relevantes na produção de trigo, estima-se que a área destinada ao cultivo cairá em 13% em 2026, seguindo uma queda de 25% já vivenciada em 2025. O endividamento dos produtores e a alta dos custos de produção implicam que muitos estejam hesitantes em investir.

É um cenário tumultuado, onde a combinação de fatores climáticos e econômicos gera incertezas sobre a produção futura. A análise de Bento reflete essa tensão: “O produtor está apreensivo e, se não houver investimentos adequados, a produtividade tende a cair.”

### Reflexão Sobre o Futuro

A dinâmica do comércio de trigo entre Brasil e Argentina traz à tona uma série de desafios e oportunidades. À medida que o Brasil se prepara para um aumento nas importações de trigo, as questões de qualidade, custos e a relação com fornecedores externos tornam-se centrais para garantir a segurança alimentar.

Será interessante observar como essas variáveis se desenrolam nos próximos anos, especialmente com a influência do clima e dos mercados internacionais. Incentivar o diálogo entre os diferentes setores e a adaptação às novas condições do mercado serão essenciais para o desenvolvimento contínuo da indústria de trigo no Brasil.

Estamos vivendo um momento de transformação no comércio de trigo, e a interação entre os países vizinhos será crucial para moldar o futuro dessa commodity vital. Quais são suas expectativas para o cenário das importações de trigo? Compartilhe sua opinião!

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