A BYD pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que negocie com o governo da China a transferência de tecnologia para produzir células de baterias de lítio no Brasil. A proposta foi apresentada pelo vice-presidente do Grupo BYD Brasil, Alexandre Baldy, na quinta-feira (29), com o objetivo de ampliar a produção nacional e aproveitar as reservas de minerais da América do Sul.
Atualmente, a empresa fabrica no país os conjuntos de baterias, chamados de packs, mas importa da China as células que formam esses equipamentos. Segundo Baldy, 85% das células usadas pela BYD vêm do país asiático. A mudança pretendida pela montadora permitiria que uma etapa anterior da produção também fosse realizada no Brasil.
Montagem no Brasil, células importadas
Em conversa com jornalistas, Baldy afirmou que a empresa já realiza no Brasil a montagem dos conjuntos de baterias, mas ainda depende de fornecedores chineses para obter as células. Essas unidades são componentes dos packs e, segundo a proposta apresentada pelo executivo, sua fabricação local exigiria acesso à tecnologia usada na produção.
“Até disse ao próprio presidente Lula que a gente possa estabelecer essa relação diplomática com o governo chinês para que possa sonhar com uma transferência de tecnologia. Hoje, nós fabricamos o pack da bateria, mas nós importamos a célula da China”, declarou Baldy.
O executivo disse que a iniciativa não depende somente de uma decisão empresarial. Para ele, a negociação entre os governos brasileiro e chinês seria necessária para viabilizar a transferência. “É um sonho como esse que a fábrica da BYD idealiza, mas não depende de uma decisão corporativa. É muito mais uma decisão diplomática”, afirmou.
Assim, o pedido da BYD envolve uma articulação do governo brasileiro com Pequim, e não apenas uma decisão interna da montadora sobre suas operações no país. A empresa busca uma mudança na origem de parte dos componentes que utiliza: em vez de importar as células, pretende ter condições de produzi-las no Brasil.
Reservas regionais entram na proposta
Baldy também associou a iniciativa às reservas de lítio da América do Sul. Segundo ele, uma aproximação entre os governos brasileiro e chinês poderia contribuir para desenvolver uma cadeia produtiva de baterias na região e ampliar a participação do Brasil nesse mercado.
A proposta se relaciona à indústria de veículos elétricos, para a qual a fabricação de baterias é uma etapa relevante. O texto apresentado pela BYD, porém, distingue a produção de células da montagem dos packs já feita no Brasil: são processos diferentes, e a empresa ainda depende da China para o primeiro deles.
O executivo não detalhou quais tecnologias seriam transferidas, como ocorreria a negociação nem quais seriam os prazos para uma eventual produção nacional de células. A informação apresentada foi a intenção de buscar apoio diplomático para iniciar essa possibilidade.
A dependência atual também aparece no percentual informado por Baldy: 85% das células utilizadas pela BYD vêm da China. Esse dado indica o peso do fornecimento chinês nas operações da montadora, embora a empresa já produza no Brasil os conjuntos que incorporam esses componentes.
A China concentra uma parcela expressiva da cadeia global de baterias e mantém restrições à transferência de determinadas tecnologias para empresas estrangeiras. Nesse cenário, a solicitação da BYD busca tratar o acesso à tecnologia como tema de negociação entre governos. A companhia considera que a produção local de células, combinada às reservas de lítio sul-americanas, poderia ampliar a presença brasileira na cadeia de baterias.