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Como 2,9 Gigawatts de Energia Podem Revolucionar a Agricultura na Bahia

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Energizando o Futuro: O Desafio da Energia no Oeste da Bahia

“Hoje, o que é muito comum se ver por aqui: o produtor tem a outorga governamental, a terra e tem o crédito. A única coisa que a gente não tem hoje é energia.” A declaração de Cristina Gross, produtora rural e diretora financeira da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), reflete uma realidade crescente em uma das regiões agrícolas que mais se desenvolvem no Brasil.

O Despertar de um Novo Desafio

No Oeste da Bahia, a preocupação não gira mais em torno dos preços das commodities como soja, algodão ou milho, mas sim em garantir energia suficiente para suportar o avanço da agricultura. A Bahia Farm Show, realizada entre os dias 8 e 12 de junho em Luís Eduardo Magalhães, trouxe à tona essa questão premente. A Aiba apresentou um estudo que atesta o aumento da demanda energética, um reflexo do crescimento constante da agricultura na região.

Demanda Energética em Números

O levantamento da Aiba revela que são necessários **1,8 gigawatts adicionais** para a expansão da agricultura irrigada. Quando são consideradas agroindústrias e outros segmentos, esse número sobe para impressionantes **2,9 gigawatts**. Vale ressaltar que esses dados ainda não correspondem a investimentos concretos, mas são fundamentais para o planejamento energético regional e já foram enviados à Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Com profissionais de peso na feira, como Fabiana Lopes, diretora-presidente da Neoenergia Coelba, e Cláudio Candido Lima, CEO da Lindsay no Brasil, o diálogo se abriu para entender como assegurar o crescimento da agropecuária baiana frente aos desafios energéticos.

O Crescimento da Potência Agropecuária

O Oeste da Bahia tem se destacado como um dos maiores polos agropecuários do país, com uma expectativa de produção superior a **14 milhões de toneladas** de grãos na safra 2025/26. Os números impressionam:

  • Soja: 9,5 milhões de toneladas
  • Algodão: 2 milhões de toneladas
  • Milho: 3,7 milhões de toneladas

O valor total da produção agropecuária do estado é de **R$ 57,3 bilhões**, atraindo atenção nacional. Esse crescimento não é acidental; ele é fruto de anos de investimentos em tecnologia, correção de solo, sementes e mecanização que elevaram a produtividade acima da média do Brasil.

Para Cristina, a irrigação se destaca como um divisor de águas. Em áreas irrigadas, a média de produtividade atinge **95 sacas por hectare**, comparadas a **70 sacas** em áreas não irrigadas. Com mais de **330 mil hectares irrigados**, a região é responsável por **82%** da área irrigada da Bahia, solidificando sua posição como líder em inovação e tecnologia no campo.

Energia: Um Gargalo para o Crescimento

“O que está travando o desenvolvimento da região hoje é a energia,” observa Cristina. A falta de infraestrutura energética está impedindo que investimentos se concretizem. Durante a Bahia Farm Show, a Neoenergia Coelba revelou um plano robusto de **R$ 25 bilhões** em investimentos para a Bahia até 2030, com **R$ 3,2 bilhões** destinados especificamente ao Oeste. A iniciativa promete construir novas subestações e ampliar as existentes, mas ainda existe o desafio da transmissão.

“Precisamos da capilaridade de transmissão para que a energia gerada em qualquer lugar do país possa atender às demandas de cada região,” diz Fabiana Lopes. O estudo da Aiba ganha relevância ao mostrar que, com os dados necessários, poderá haver melhorias significativas na infraestrutura de transmissão energética.

A Irrigação: Um Aliado do Produtor

Para entender o impacto da irrigação na produtividade, é importante considerar a visão de Cláudio Candido Lima, vice-presidente da Lindsay. “O Brasil atualmente irrigou cerca de 8% da sua área agricultável, e isso é muito pouco.” A irrigação, que antes era vista apenas como uma maneira de aumentar a produção, agora é encarada como um seguro contra a incerteza das mudanças climáticas. Em algumas situações, a irrigação teve um impacto de aumento de **40% a 130%** em diferentes tipos de culturas!

O Futuro do Agronegócio Baiano

A expectativa é que a energia necessária, conforme apontado pelo estudo da Aiba, se torne realidade e permita que o Oeste da Bahia continue sua trajetória de crescimento. Se a infraestrutura energética for adequadamente desenvolvida, os **2,9 gigawatts** não significarão apenas eletricidade, mas sim a possibilidade de expandir a agricultura e a agroindústria na região, garantindo prosperidade e desenvolvimento contínuo.

Num cenário onde o agronegócio é cada vez mais competitivo, pensar em soluções energéticas é essencial para que a Bahia mantenha sua relevância no mercado nacional e internacional. Que possamos, então, discutir, compartilhar e unir forças para que a energia se torne, finalmente, um aliado e não um obstáculo para os produtores baianos.

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