O Futuro do Etanol de Milho: Perspectivas e Oportunidades no Setor
A Revolução do Etanol de Milho no Brasil
José Edvar Lopes, carinhosamente conhecido como “Zé” Lopes, é uma figura central na indústria de biocombustíveis como presidente e fundador da Inpasa. Esta é a maior produtora de etanol de milho da América Latina, com operações significativas no Brasil e no Paraguai. No ano passado, a Inpasa teve um desempenho impressionante, processando 8,3 milhões de toneladas de milho de segunda safra e produzindo 3,7 bilhões de litros de etanol. Esse volume representa quase metade do etanol produzido no Brasil, que totalizou 7,7 bilhões de litros em 2024.
Zé Lopes destaca que a expansão do etanol como combustível preferido está intrinsicamente ligada à estrutura fiscal dos estados brasileiros. Para ele, a política tributária é um dos principais fatores que influenciam a adoção do etanol, muito mais do que a própria cultura do consumidor.
O Papel Crucial da Política Tributária
O Que Realmente Influencia o Consumo?
Em uma recente entrevista à Forbes Brasil, Lopes afirmou que o ambiente fiscal é determinante para o crescimento da indústria do etanol. Ele mencionou que o desejo do consumidor por um produto mais acessível é ofuscado pela tributação elevada sobre o etanol. Isso significa que, para que o etanol se torne uma escolha viável para os consumidores, é necessário um ambiente tributário mais favorável.
Lopes revelou a ambição da Inpasa de diversificar ainda mais, com planos de entrar nos setores de combustível sustentável para aviação (SAF) e biocombustíveis para transporte marítimo. Contudo, a concretização desses planos aguarda mais clareza nas regulamentações.
Investimentos e Resultados
Em 2022, a Inpasa registrou uma receita bruta de R$ 14,9 bilhões e investiu R$ 4,9 bilhões principalmente para ampliar sua capacidade produtiva. O crescimento da empresa está atrelado aos estados que oferecem um ambiente fiscal propenso a negócios. Um exemplo é o Maranhão, onde o governador estabeleceu políticas tributárias favoráveis, possibilitando a instalação de uma unidade em Balsas, com um investimento total previsto de R$ 2,5 bilhões.
A unidade de Balsas, que começará a operar em julho, representa uma mobilização significativa, gerando 4,5 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A legislação do Maranhão, incluindo a Lei nº 10.690 de 2017, promove créditos presumidos de ICMS e incentivos tributários para indústrias em regiões menos desenvolvidas, com compromisso de contrapartidas sociais.
O Caminho para o Futuro do Etanol
Desenvolvimento e Oportunidades
Lopes enfatiza que a favorable política tributária do Maranhão foi essencial para a instalação da unidade da Inpasa, afirmando que a postura do governador é um exemplo positivo de como as políticas podem influenciar o setor.
Os investimentos da Inpasa também incluem a expansão das unidades em Sinop (MT), atualmente a maior produtora de etanol do mundo, e a construção de novas fábricas em Sidrolândia (MS) e Luiz Eduardo Magalhães (BA).
Novos Horizontes: SAF e Biocombustíveis Marítimos
Apesar de desafios regulatórios, Lopes expressa confiança no crescimento do SAF e dos biocombustíveis para transporte marítimo. Para ele, o SAF, que já esteve em ascensão, atualmente enfrenta um retrocesso devido à política energética dos EUA focada em petróleo. A necessidade de mandatos de uso é crucial para que esse mercado se expanda.
A Inpasa possui a capacidade técnica para produzir SAF em menor escala. Contudo, a falta de políticas públicas específicas postergou a viabilidade comercial desse produto. Lopes acredita que mandatos para o uso de SAF podem surgir até 2030, potencializando um novo mercado.
Além disso, o biocombustível para navegação apresenta um futuro promissor, impulsionado pela crescente demanda internacional por combustíveis com menor emissão de carbono. É um mercado com grande potencial, que também traz desafios logísticos.
Conectando o Presente ao Futuro
José Edvar Lopes, com sua visão e compromisso, representa um símbolo de esperança e inovação no setor de biocombustíveis. A trajetória da Inpasa mostra como a combinação de visão empreendedora e um ambiente fiscal favorável pode criar oportunidades significativas em um mercado em transformação.
Ao refletir sobre os avanços que ainda estão por vir, é essencial que os estados e o governo considerem a importância de políticas que não apenas beneficiem a arrecadação, mas também estimulem o uso de combustíveis mais sustentáveis, como o etanol de milho. Essa mudança não só beneficiará o setor agrícola e energético, mas também contribuirá para um futuro mais limpo e sustentável.
Para que o Brasil alcance seus objetivos em sustentabilidade e redução de emissões, é necessário que o país abrace e invista nas tecnologias de biocombustíveis. Quais iniciativas você acredita que deveriam ser priorizadas para facilitar essa transição?
O futuro do etanol de milho no Brasil é promissor, mas depende de um esforço coletivo para garantir que as políticas públicas apoiem uma transição para uma economia mais verde e sustentável. Vamos juntos acompanhar e apoiar essas transformações que têm o potencial de impactar positivamente nosso país e o mundo.
