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Como a Transição Climática Descontrolada Está Elevando os Custos e Arriscando Empresas

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A Sustentabilidade Como Motor de Competitividade Empresarial

Nos dias de hoje, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma tendência; tornou-se um pilar fundamental para a competitividade nos negócios. Uma pesquisa recente do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), uma organização internacional de empresas sem fins lucrativos criada em 1995 e sediada em Genebra, mostra que a maioria dos líderes empresariais vê a sustentabilidade como uma vantagem competitiva crucial. Entretanto, existe uma preocupação crescente acerca dos riscos associados a uma “transição climática desordenada”.

O Valor da Sustentabilidade

A pesquisa revelou que nove em cada dez líderes de empresas entendem a sustentabilidade como uma fonte de vantagem, e 89% deles mantiveram ou até aumentaram seus investimentos nessa área. Isso demonstra que o compromisso com práticas sustentáveis não é apenas ético, mas também estratégico. Contudo, quase 70% dos entrevistados estão alarmados com os riscos crescentes de uma transição desorganizada, enquanto cerca de 50% enfrentaram custos mais altos relacionados ao clima no último ano.

O papel das Políticas Públicas

Mais de 500 líderes de diversos setores, oriundos de 50 países, participaram desse levantamento, realizado em colaboração com a Breakthrough Agenda e a Marrakech Partnership, com o suporte da Bain & Company e dos Climate High-Level Champions. O objetivo? Medir a percepção do setor empresarial sobre a transição climática, os investimentos em sustentabilidade e os riscos econômicos vinculados às mudanças climáticas.

Uma grande maioria dos entrevistados — aproximadamente 80% — defende que é essencial ter políticas públicas mais robustas e consistentes para impedir os custos provocados por uma transição desordenada. Quase 40% dos líderes mostraram disposição para absorver custos um pouco mais altos a curto prazo, desde que isso assegure uma transição mais tranquila.

Riscos e Preparações: A Visão de Peter Bakker

Peter Bakker, presidente do WBCSD, enfatiza que as mudanças climáticas são uma realidade indiscutível, e que as empresas devem se preparar para os riscos associados. Ele aponta que as empresas já estão lidando com o aumento dos custos de energia e a volatilidade nas políticas públicas.

Ao falar sobre a resistência que alguns profissionais de sustentabilidade enfrentam para convencer conselhos administrativos sobre a importância da ação climática, Bakker destaca como essa discussão precisa se integrar em todas as áreas das organizações. Ele sugere que:

  • Iniciativas de eletrificação e agricultura regenerativa são essenciais.
  • As “equipes de compras devem estar envolvidas na redução de emissões”.
  • Para evitar interrupções na cadeia de suprimentos, é fundamental que as equipes de avaliação de riscos e os departamentos financeiros participem da conversa.

A Nova Mentalidade Empresarial

“A sustentabilidade está passando da moralidade para a materialidade”, afirma Bakker. Agora, a questão não é mais apenas “estamos aqui para salvar o planeta”, mas sim entender “como isso impactará nossos negócios ou abrirá novas oportunidades”.

Os líderes devem ter planos de ação claros, prontos para serem compartilhados, de modo que todo o setor possa verificar os investimentos feitos para escalar essas soluções.

O Custo da Inação

Colm Devine, vice-presidente global de sustentabilidade da EY, destaca que as empresas reconhecem definitivamente que não agir é o maior custo que podem enfrentar. Interrupções devido ao clima já impactam as cadeias de suprimentos e a disponibilidade de recursos. No entanto, ele ressalta que, segundo pesquisas da EY, embora quase dois terços das empresas tenham planos de ação climática, apenas 12% avançaram de forma significativa nas ações.

A questão central, segundo Devine, é a execução. “Estamos vendo uma mudança para a implementação prática das estratégias de sustentabilidade”, afirma. Ele observa que os líderes mais progressistas estão aproveitando essa oportunidade para reinventar suas estratégias e operações.

Colaboração é Fundamental

Devine continua, afirmando que muitos riscos estão distribuídos por toda a cadeia de valor e outros sistemas mais amplos. Por isso, aqueles que estão indo mais longe estão promovendo colaboração em ecossistemas, frequentemente até mesmo entre concorrentes.

Transformando a Ação Climática em Valor

Alastair Child, diretor de sustentabilidade da Mars Inc., menciona que as empresas precisam mostrar que agir em relação ao clima é uma fonte de valor econômico e um passo importante para o crescimento a longo prazo. Child afirma que as empresas que gerenciam ativamente seus impactos serão mais resilientes e competitivas no futuro.

Ele exemplifica que, na Mars, todo plano de negócios deve estar alinhado a metas de emissões de gases de efeito estufa e outros objetivos claro e não financeiros. Aproximadamente 1.900 líderes da Mars têm incentivos financeiros conectados às metas de sustentabilidade.

Perspectivas de uma Transição Desordenada

O Dr. Ulf Moslener, professor de Finanças de Energia Sustentável na Frankfurt School of Finance and Management, explica que uma “transição desordenada” ocorre quando a ação climática é adianta e precisa ser acelerada para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Apesar das promessas, muitas empresas ainda não explicaram como alinhar seus investimentos a esses objetivos.

Segundo Moslener, a pesquisa do WBCSD destaca que o problema não é apenas a falta de coordenação entre governos e empresas, mas a ausência de políticas públicas robustas e previsíveis que permitam um investimento e inovação adequados. Ele adverte que é arriscado esperar que setores intensivos em carbono tomem a iniciativa sem uma estrutura de apoio governamental.

Os dados da pesquisa indicam uma crescente ansiedade quanto a uma transição climática desordenada, refletindo os custos da incerteza nas políticas públicas.

Reflexão Final

À medida que o mundo avança em direção a um futuro sustentável, é fundamental que as empresas compreendam que a sustentabilidade não é apenas uma questão ética, mas uma oportunidade de negócio. A transição poderá ser desafiadora, mas com políticas adequadas e um compromisso real, as organizações podem não apenas se proteger contra riscos, como também emergir ainda mais fortes e competitivas no mercado.

E você, como sua empresa está lidando com os desafios e oportunidades da sustentabilidade? Compartilhe seus pensamentos nos comentários e vamos juntos construir um diálogo produtivo sobre essa temática crucial.

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