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Como Ana Repezza Conecta o Agro Brasileiro à China: Bioinsumos e Novas Regulações para um Futuro Sustentável

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O Papel da Mulher no Agronegócio: A Nova Liderança da CropLife Brasil

“Toda construção de imagem é sólida quando sustentada por dados, fatos e evidências.” Essa afirmação de Ana Repezza, uma das líderes mais influentes do agronegócio brasileiro, encapsula um novo marco na trajetória do setor, enfatizando a importância da informação e da transparência.

Ao assumir a presidência da CropLife Brasil nesta segunda-feira (4), Ana faz história como a primeira mulher a liderar essa renomada associação civil, que atua na pesquisa e desenvolvimento de soluções para uma agricultura sustentável. Fundada em 2019, a CropLife representa empresas de diversos segmentos, como germoplasma, biotecnologia, defensivos químicos e bioinsumos, contribuindo para um setor que, em 2024, movimentou cerca de R$ 114,1 bilhões.

O Desafio Atual do Agronegócio

Para Ana, o Brasil já dominou a arte da produção agrícola. Agora, o verdadeiro desafio é garantir acesso a mercados em um cenário recheado de regulamentações, percepções e políticas comerciais complexas.

“Trabalhei anos para projetar a imagem do agro no exterior, e essa imagem se sustenta somente com dados”, ressalta Ana.

Com mais de 25 anos de experiência, Ana construiu uma carreira notável, tendo ocupado a diretoria de negócios da ApexBrasil e sido secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX). Sua bagagem inclui a articulação de políticas comerciais e a atração de investimentos internacionais.

A Agenda da CropLife: Inovação e Investimento

A agenda imediata da CropLife é ambiciosa, focando em três frentes fundamentais que afetarão diretamente os investimentos e a inovação: a regulamentação da Lei dos Bioinsumos, a Lei de Proteção de Cultivares e o novo marco dos defensivos agrícolas.

  • Regulamentação de Bioinsumos: O Brasil tem a chance de transformar sua vasta experiência em bioinsumos em uma verdadeira vantagem competitiva.
  • Proteção de Cultivares: A atualização nas leis que protegem as variedades agrícolas é essencial para promover a pesquisa e o desenvolvimento no setor.
  • Defensivos Agrícolas: Um marco que pode mudar o cenário de uso de tecnologias no campo.

“Quando falamos em regulação, estamos abordando o ambiente de negócios, que deve ser seguro tanto para o investidor quanto para o produtor”, afirma Ana.

O Mercado Global em Perspectiva

O mercado global de defensivos agrícolas gera cerca de US$ 70 bilhões (R$ 350 bilhões), enquanto o segmento de biológicos cresce rapidamente, alcançando mais de US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões) segundo consultorias internacionais. No Brasil, o mercado de bioinsumos cresceu 28%, movimentando R$ 6,2 bilhões, um avanço significativo.

O foco é transformar a legislação brasileira na mais moderna do planeta, especialmente no que tange aos bioinsumos, proporcionando um ambiente regulatório propício à inovação.

A China: Um Mercado Crucial

A regulação interna é crucial, mas o verdadeiro teste ocorre no comércio exterior, e a China se destaca como um mercado-chave. Em 2025, o Brasil exportou impressionantes US$ 55,3 bilhões (R$ 277 bilhões) do agronegócio para o país asiático, com destaque para commodities como soja e milho, profundamente impactadas por questões regulatórias.

“A sincronia regulatória em sementes é nossa prioridade. As distorções de prazos para aprovação afetam diretamente a inovação e a entrada de novas tecnologias”, comenta Ana.

O país precisa alinhar suas inovações às exigências dos mercados internacionais, um desafio que demanda diálogo técnico mais do que ideológico.

Percepção e Realidade: O Desafio da Comunicação

Parte da pressão sobre o agronegócio brasileiro não vem de tarifas, mas da percepção que mercados externos têm sobre ele. A União Europeia tem levantado questões sobre o uso de tecnologias agrícolas, especialmente defensivos. Nessa situação, o combate a narrativas negativas exige mais do que discursos; é necessário apresentar dados concretos.

“Debates ideológicos são deslocados; precisamos trazer dados à mesa”, enfatiza Ana.

A CropLife utiliza a plataforma CropData para construir argumentos sólidos, reunindo informações técnicas sobre produtividade e uso de insumos. “Temos dados robustos que precisam ser melhor aproveitados”, diz Ana, sublinhando a mudança para uma postura mais proativa de narrativas baseadas em evidências.

O Campo: Um Sistema Integrado

Dentro da porteira, a transformação avança silenciosamente, mas com grande intensidade. O crescente uso de bioinsumos não significa a eliminação de químicos, assim como a biotecnologia não substitui o melhoramento genético. O que se observa é a formação de um sistema agrícola integrado, onde diferentes tecnologias coexistem.

“A questão não é escolher entre químico ou biológico, mas oferecer ao produtor um cardápio diversificado”, afirma Ana.

Essa abordagem promove um modelo que integra bioinsumos, biotecnologia, germoplasma e defensivos químicos, estruturando a competitividade do Brasil no cenário agrícola global.

Governança e Agilidade na CropLife

O novo ambiente de negócios exige mais agilidade e efetividade. A CropLife está passando por uma revisão de sua governança, buscando aprimorar sua atuação nas políticas públicas e nas relações com mercados internacionais.

Inovação como Chave para o Futuro

A ambição por trás dessa nova agenda vai além das fronteiras. “Meu desafio é mostrar que a competitividade brasileira é fruto de um ecossistema de inovação que pode ser replicado em outros países”, afirma Ana.

Embora o Brasil tenha exportado US$ 169 bilhões (R$ 845 bilhões) em produtos do agronegócio em 2025, sua presença no comércio global de insumos e tecnologia agrícola ainda é limitada, especialmente em setores de maior valor agregado.

A colaboração com a ApexBrasil é fundamental para aumentar essa participação, focando em países tropicais e mudando o paradigma de negócios baseado em volume para um centrado em valor.

Uma Nova Era de Inclusão e Influência

A chegada de Ana Repezza à presidência da CropLife também simboliza uma mudança estrutural importante. Como a primeira mulher a ocupar essa posição, ela traz a esperança de promover uma maior participação feminina no agronegócio, especialmente em papéis de liderança.

Em um setor que já se destaca pela produção, o próximo passo deve ser na esfera da influência. A transformação do agronegócio demanda a inclusão de diferentes vozes e experiências, criando um ambiente mais equilibrado e representativo.

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