O Futuro Promissor do Oeste da Bahia: A Visão de Moisés Schmidt
Quando o tema é o futuro promissor do oeste da Bahia, Moisés Schmidt traz à tona a rica história que moldou essa região agrícola. Ele vislumbra, com otimismo, uma produção de grãos que pode alcançar impressionantes 14 milhões de toneladas, mas para isso, resgata a trajetória de sua família e de outras que contribuíram para o desenvolvimento do Cerrado baiano, tornando-o uma referência na produção agrícola do Brasil.
Raízes e Transformação
A saga de Moisés tem início em 1979, quando seu pai se muda para o oeste da Bahia, após perder suas terras no Paraná em função da construção da represa de Itaipu. Dois anos depois, Moisés nasceu em Foz do Iguaçu, mas sua verdadeira história começou assim que sua família retornou à Bahia, onde ele cresceu testemunhando o avanço da agricultura numa terra que ainda engatinhava.
“Embora tenha nascido em Foz do Iguaçu, é verdadeiramente na Bahia que eu encontrei meu lar”, reflete Schmidt durante uma entrevista à Forbes Agro. Filho de uma geração que ajudou a construir a agricultura moderna do Oeste baiano, ele agora lidera um movimento que visa desenhar os próximos capítulos dessa história.
Desafios e Oportunidades
Moisés Schmidt é o atual presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e está à frente da Bahia Farm Show, evento que celebra duas décadas de inovação e desenvolvimento agrícola. Ao olhar para o futuro, ele vê um momento decisivo, em que a irrigação e a ampliação da produtividade se tornam fundamentais. A feira, que ocorre até sexta-feira, é um palco para discutir a nova fase de crescimento que a região enfrenta.
Nos últimos 20 anos, o oeste da Bahia se consolidou como uma das áreas agrícolas mais dinâmicas do país. O eixo da conversa agora gira em torno da irrigação, um aspecto vital para a ampliação da produção local. Durante a Bahia Farm Show, um estudo inédito lançado por pesquisadores brasileiros e americanos revelou o potencial hídrico da região, indicando condições para aumentar a área irrigada de cerca de 150 mil hectares para mais de 450 mil hectares. Essa mudança, que respeita critérios de segurança hídrica e exigências ambientais, representa uma enorme oportunidade para o crescimento da agricultura baiana.
Um Olhar para o Futuro
- Produção Atual: A Bahia atualmente produz entre 11 e 12 milhões de toneladas de grãos por safra.
- Expectativa de Crescimento: A meta é elevar esse volume para cerca de 14 milhões de toneladas nos próximos anos.
“O que defendemos é que podemos aumentar a produção sem expandir ainda mais a área plantada, usando técnicas que preservem mais o meio ambiente”, afirma Schmidt, enfatizando a importância de um desenvolvimento sustentável.
Revolução no Matopiba
Mas a visão de Schimidt não se limita ao estado da Bahia. Ele enxerga o Matopiba — que abrange partes da Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí — como a principal fronteira agrícola em expansão do Brasil. Nos últimos dez anos, a produção de grãos na região cresceu impressionantes 92%, e as projeções indicam um aumento adicional de 37% até 2032, podendo chegar a aproximadamente 48 milhões de toneladas.
O que isso significa? Segundo Schmidt, a Bahia deverá representar cerca de 40% desse total. Este crescimento ocorre em um cenário global onde a demanda por alimentos está em ascensão, devido à urbanização e ao aumento da renda em diversos países. O Brasil, com sua expertise em produção agrícola e tecnologia, se torna o foco das atenções.
Comparação com o Potencial do Mato Grosso
Ao discutir a possibilidade de expansão no Matopiba, Schmidt faz comparações com o Mato Grosso, um estado conhecido por sua produção agrícola massiva. Contudo, ele acredita que o potencial do Matopiba é vasto e que a área ainda possui muito espaço para crescer. “Acredito que o Matopiba pode superar o Mato Grosso em produção agrícola, uma vez que o Mato Grosso já atingiu seu limite territorial”, argumenta.
Esse raciocínio exemplifica a importância da Bahia Farm Show, que neste ano, celebra duas décadas de crescimento e inovação. O evento, que começou como uma exposição local, se tornou uma vitrine nacional, apresentando as mais recentes tecnologias, soluções financeiras e inovações em infraestrutura do setor.
A História de um Produtor Visionário
Moisés Schmidt é um exemplo claro de como o Oeste da Bahia se transformou ao longo dos anos. À medida que a região fortalecia sua produção de grãos, ele também expandia seus horizontes. A agricultura da sua família evoluiu de grãos e fibras para a fruticultura, com destaque para a banana e, mais recentemente, para o cultivo de cacau a pleno sol — um grande desafio que exigiu inovação e adaptação de técnicas.
“Nós reinventamos todo o manejo do cacau, pois essa é uma cultura que não estava adaptada para o plantio em áreas abertas”, conta ele, referindo-se à necessidade de desenvolver viveiros e técnicas que normalmente seriam utilizadas em regiões com Mata Atlântica e Amazônia. Essa ousadia rendeu novas frentes de negócios, incluindo o cultivo de mamão voltado para exportação.
O Poder da Representação
A trajetória de Moisés ultrapassa as fronteiras da propriedade rural. Desde jovem, ele demonstrou uma vocação natural para a liderança e representação. “Desde a escola, já era representante das turmas”, recorda. Esse desejo de atuar em prol do setor agrícola o levou a participar de sindicatos, cooperativas e da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), culminando na presidência da Aiba.
Moisés Schmidt não é apenas um agricultor; ele é um visionário que compreende as nuances do setor agrícola e as necessidades do futuro. Suas iniciativas e liderança têm o potencial de moldar não apenas a agricultura baiana, mas também a forma como encaremos a produção de alimentos no Brasil e no mundo.
Reflexões Finais
O Oeste da Bahia e o Matopiba estão em um ponto de inflexão. A passos largos, a agricultura está se reinventando, buscando soluções inovadoras com um compromisso crescente com a sustentabilidade. Com líderes como Moisés Schmidt à frente, a expectativa é que esta região se torne uma das maiores potências agrícolas do mundo.
É verdade que o futuro é incerto, mas com planejamento e foco no desenvolvimento sustentável, a promessa de um crescimento robusto é palpável. Pense nisso: o que mais pode ser feito para garantir que essa revolução agrícola continue e envolva todas as partes interessadas, desde agricultores até consumidores finais?
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