Início Internacional Como Evitar os Conflitos das Grandes Potências: Estratégias para a Paz Global

Como Evitar os Conflitos das Grandes Potências: Estratégias para a Paz Global

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A Nova Era das Grandes Potências: O Papel da Europa

A Europa, como frisou o filósofo alemão Peter Sloterdijk, está deixando para trás uma longa “vacância da história”. Entramos em uma fase mais sombria, marcada pela exibição de poder e pela reconfiguração das relações entre as grandes potências. A liderança global dos Estados Unidos encontra-se sob pressão e vulnerável, enquanto a ordem internacional, pautada por direitos e regras, parece estar se desmoronando.

A Revolução do Poder

O conflito da Rússia na Ucrânia é a manifestação mais direta dessa nova realidade global. Além disso, a China não apenas reivindica seu status de grande potência, mas também tem cultivado sua influência de forma estratégica ao longo dos anos. O resultado? A expectativa de que sua força militar possa rivalizar com a dos EUA no futuro. Aquela era unipolar que se seguiu à queda do Muro de Berlim ficou para trás.

A ascensão do poder não é motivada apenas pelas rivalidades entre nações. As mudanças sociais e tecnológicas proporcionam um contexto de agitação que exige uma liderança forte. E, aparentemente, a política de grandes potências oferece respostas simples e diretas para problemas complexos — ao menos no curto prazo.

Política de Poder: Uma Nova Dinâmica

Atualmente, a política de poder é rápida, implacável e imprevisível, lidando com a dinâmica de “jogo de soma zero”, na qual um lado ganha à custa do outro. Essa abordagem ignora a crença de que a crescente interconexão pode resultar em um mundo mais pacífico e justo. Em vez disso, armas, tecnologias e cadeias de suprimento são convertidas em ferramentas de domínio.

Estamos testemunhando uma intensa disputa por esferas de influência, dependências e lealdades. Reconhecendo que precisa acompanhar a China, os EUA estão se adaptando a essa nova realidade com rapidez. O recente horizonte traçado em sua Estratégia de Segurança Nacional reflete essa visão, acelerando este jogo arriscado.

O Despertar da Europa

A Alemanha também se prepara para essa nova fase. O primeiro passo é reconhecer a nova realidade, mas isso não significa aceitá-la como um destino imutável. Temos o poder de moldar nosso futuro, preservando nossos interesses e valores através de uma ação decisiva e unitária na Europa, confiando não só em nossa força, mas também na robustez da relação transatlântica.

Fins e Meios da Política Alemã

A política externa e de segurança da Alemanha busca três objetivos principais: liberdade, segurança e força. Em primeiro lugar, está a liberdade — e nossa segurança é o que a protege. Nossa força econômica impulsiona o crescimento dessa liberdade. Nesse sentido, a política germânica deve estar firmemente ancorada em uma Europa unida, que se mostra mais valiosa a cada dia.

Nas últimas décadas, a Alemanha tentou, com sua influência normativa, condenar violações da ordem internacional. Advertências e reprimendas eram dadas com as melhores intenções, mas muitas vezes se revelavam insuficientes diante das realidades do poder. Tornou-se evidente que a diferença entre nossas aspirações e capacidades estava se ampliando. É hora de fechar essa lacuna.

A Necessidade de Ação

Por exemplo, a economia russa possui um PIB de cerca de 2,5 trilhões de dólares, enquanto a da União Europeia é quase dez vezes maior. Contudo, a Europa não é dez vezes mais forte que a Rússia. Para aproveitar nosso vasto potencial militar, político, econômico e tecnológico, precisamos mudar nossa mentalidade. A liberdade que antes considerávamos garantida agora requer esforço e determinação.

Historicamente, a Alemanha tem uma relação complexa com o exercício do poder. Desde 1945, nossa abordagem sempre foi mais voltada para a contenção do que para a acumulação de poder. Porém, é crucial atualizar essa perspectiva. Excesso de poder pode ser destrutivo, mas a ausência dele gera os mesmos problemas, de maneira diferente. Como disse Radoslaw Sikorski, ministro das Relações Exteriores da Polônia, há 15 anos: “Temo mais a inação alemã do que seu poder”. Esse chamado à ação é uma responsabilidade que a Alemanha reconhece.

Rumo a um Novo Tempo

Na era das grandes potências, a Alemanha não pode simplesmente responder às ações dos outros, nem deve se engajar em um jogo de poder dentro da Europa. A liderança deve ser exercida em parceria, e não com fantasias hegemônicas. A melhor defesa de nossa liberdade é construir laços sólidos com nossos vizinhos e aliados, fundamentando-nos em nossa força, soberania e capacidade de solidariedade.

Preparação e Ação Seletiva

Primeiro, investiremos em nossas capacidades militares, políticas, econômicas e tecnológicas, buscando reduzir dependências. A prioridade é fortalecer o pilar europeu da OTAN. Durante a cúpula da OTAN em Haia, em junho de 2025, todos os aliados se comprometeram a investir 5% do PIB em segurança. A Alemanha, sozinha, planeja gastar centenas de bilhões de euros com defesa.

Apoiaremos a Ucrânia em sua resistência ao imperialismo russo, impondo custos significativos a Moscou. Em 2025, os aliados da OTAN na Europa e o Canadá fornecerão aproximadamente 40 bilhões de dólares em assistência à Ucrânia, com a Alemanha liderando os doadores.

Fortalecendo a Indústria de Defesa

A Alemanha está revitalizando sua indústria de defesa com projetos maciços em diversas áreas, como defesa aérea e tecnologia satelital. A abertura de novas fábricas e a criação de empregos são parte desse esforço. As reformas em nosso serviço militar estão em andamento, visando tornar as Forças Armadas a mais potente da Europa.

Além disso, estamos implementando novas leis para proteger nossa infraestrutura crítica contra ataques híbridos e formando cadeias de suprimentos que reduzam a dependência de materiais e tecnologias.

Colaboração Continental

Estamos também focados em fortalecer a Europa. Promover a soberania europeia é nossa melhor resposta a essa nova era. Devemos nos concentrar em preservar e aumentar nossa liberdade, segurança e competitividade.

A proliferação de burocracia não pode nos imobilizar. A Europa deve ser ágil e capaz de inovar, incentivando investimentos e recompensando a criatividade.

Além disso, a Europa precisa se tornar uma força política global com sua própria política de segurança. O Artigo 42.7 do Tratado da União Europeia estabelece um compromisso de assistência mútua em caso de ataque. É hora de definir como isso pode ser organizado ao nível da UE, não como um substituto da OTAN, mas como um pilar forte da aliança.

Uma Parceria Global

Por fim, estamos construindo uma rede de parcerias globais. A integração europeia e a parceria transatlântica continuam sendo vitais, mas não são suficientes para garantir a nossa liberdade.

A parceria não precisa ser absoluta; pode ter nuances. Estamos nos conectando com novos aliados que compartilham algumas de nossas preocupações, o que reduz dependências e abre novas oportunidades.

Exemplos de Parcerias

  • Japão, Canadá e Índia são estratégicos para nosso avanço.
  • Turquia e Brasil também têm um papel significativo, assim como outras nações, como África do Sul e estados do Golfo.

Relação com a China

A relação da Alemanha com a China também está sendo revista. A ideia de desacoplar totalmente seria um erro. Em vez disso, é preciso buscar um relacionamento maduro, reduzindo dependências e garantindo condições de competição justas.

Um Caminho a Seguir

Em resumo, a Alemanha está decidida em não repetir os erros do passado. Em um mundo onde apenas o poder importa, a história já nos mostrou as consequências de tal caminho. Estamos firmemente ancorados na União Europeia, na OTAN e em uma rede crescente de parcerias estratégicas.

Famosos por valorizar parcerias baseadas em valores e interesses compartilhados, seguimos comprometidos com a construção de um futuro onde a confiança e o respeito mútuo prevaleçam. Estamos prontos para enfrentar os desafios dessa nova era, juntos.


Assim, a Europa, com a Alemanha em seu núcleo, está se preparando para moldar um futuro mais seguro e próspero, com a convicção de que juntos, somos mais fortes.

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