O Futuro do Agronegócio Brasileiro: Produtividade e Digitalização em Foco
Recentemente, a cidade de São Paulo sediou o Forbes Agro100, um evento que se destacou ao reunir líderes do agronegócio, cooperativismo, indústria de insumos e tecnologia. O objetivo? Discutir como o Brasil pode aumentar sua produtividade, eficiência e digitalização em toda a cadeia do agro, desde as fazendas até as plataformas digitais.
O Desafio do Agronegócio
Fernando Degobbi, presidente da Coopercitrus, enfatizou a responsabilidade do setor: “Devemos garantir que as famílias agricultoras continuem ativas, com renda e um futuro promissor.” Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes, reforçou que o produtor brasileiro já é uma referência global na adoção de tecnologias inovadoras.
Transformação Digital: O Agro na Vanguarda
Em um dos painéis focados na transformação digital, Conrado Leister, vice-presidente da Meta no Brasil, destacou a revolução da comunicação: “O agro já é pioneiro em tecnologia. O WhatsApp é uma ferramenta que amplifica essa conexão.” A conversa revelou como a digitalização pode diminuir as fricções e aumentar a eficiência em um setor cada vez mais desafiado por custos elevados, mudanças climáticas e inseguranças regulatórias.
O Papel do Cooperativismo e o Novo Perfil do Produtor
Degobbi começou o painel “O Brasil que se move por dentro” mencionando a relevância das cooperativas no cenário nacional: “No último ano, o faturamento das cooperativas agro ultrapassou R$ 400 bilhões, representando cerca de 20 a 25% do PIB do agro.” Essas cooperativas são essenciais, especialmente para os pequenos e médios produtores, que representam mais de 80% de seus membros.
Ele ainda destacou o CooperNascentes, um projeto que busca recuperar nascentes e implementar sistemas de irrigação, mostrando que a sustentabilidade pode impulsionar a produtividade.
Desafios e Oportunidades para o Produtor
Com 5 milhões de propriedades rurais no Brasil, é necessário um esforço conjunto para atender à crescente demanda mundial por alimentos até 2050. “Os produtores estão compreendendo a necessidade de verticalizar. As decisões que tomamos hoje são cruciais para o futuro”, afirmou Degobbi.
Insumos, Biológicos e Gestão de Riscos
No mesmo painel, Monteiro lançou luz sobre a indústria de insumos: “Hoje, nosso país importa cerca de 85% dos nutrientes que consome, o que nos torna vulneráveis a flutuações de mercado.” Apesar dessa vulnerabilidade, ele vê um potencial promissor na produção de bioinsumos. “Esse mercado tem crescido mais de R$ 2 bilhões por ano nos últimos dez anos.”
Ele destacou ainda que o Brasil possui a combinação ideal de clima, solo e perfil empreendedor, tornando-se um polo de excelência agrícola. “Cada agricultor é, em essência, um gestor de riscos”, complementou.
O Gargalo do Crédito no Agronegócio
Degobbi levantou uma questão crítica: a escassez de crédito no setor. “Atualmente, as linhas de investimento do Plano Safra estão 47% menores em comparação ao ano passado.” Para ajudar os agricultores a acessarem recursos financeiros, a Coopercitrus criou a Fincoop, uma fintech que conecta produtores a soluções financeiras.
Uma Visão sobre a Resiliência Institucional
Monteiro ressaltou que o Brasil enfrenta um desafio institucional significativo, onde o uso inadequado da recuperação judicial pode aumentar os riscos no setor. No entanto, ele acredita que o país será resiliente e sairá mais forte dessa fase.
Digitalização: A Infraestrutura Invisível do Agro
O painel “Conversas pelo futuro: o WhatsApp como ferramenta para transformação digital” trouxe à tona como a tecnologia pode aumentar a eficiência no agro. Luiz Gustavo Pacete, editor da Forbes Tech, apresentou um exemplo prático de como a inteligência artificial pode agilizar processos no setor.
Conrado Leister apontou que mais de 80% das pessoas preferem se comunicar com empresas da mesma forma que falam com amigos, ou seja, pelo WhatsApp. E, curiosamente, ele notou que o Brasil tem uma predileção por mensagens de áudio, o que requer soluções que possam integrar essa forma de comunicação.
WhatsApp: Um Motor de Produtividade
Marcos Oliveira, da Meta, apresentou números impresionantes sobre a eficácia do WhatsApp nas operações agropecuárias, com aumentos de até 200% no uso do aplicativo para diversas atividades, desde alertas sobre clima até confirmações de entrega. “A jornada do produtor pode ser otimizada em um único canal”, observou Oliveira.
Leister deixou um conselho prático: “Escolha um problema que precisa de solução, faça um projeto piloto e amplie rapidamente. O que funciona deve se tornar uma norma; o que não funciona deve ser abandonado.”
Convite à Reflexão e Ação
O Forbes Agro100 evidenciou que, independentemente da perspectiva — de dentro da porteira ou de fora —, a pauta central permanece: eficiência, tecnologia e resiliência no agronegócio. O futuro do Brasil no setor agro está atrelado a esses pilares e à capacidade de adaptação e inovação.
A mensagem é clara: o tempo de agir é agora. Como você pode contribuir para a transformação do agro? Compartilhe suas reflexões, experiências e o que você entende sobre o papel da tecnologia e da cooperatividade no futuro agrícola do Brasil. Vamos juntos construir um setor mais forte e sustentável.
