A Revolução da Ciência Planetária na COP30
O Encontro de Ideias e Evidências
Nesta segunda-feira, dia 10, começa a tão aguardada 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30. Desta vez, um dos destaques que promete transformar a dinâmica das decisões internacionais é o Pavilhão da Ciência Planetária. Localizado na Zona Azul da conferência, este espaço marca um verdadeiro marco na história das COPs ao dar voz e vez à ciência no debate sobre aquecimento global e mudanças climáticas.
Um Ponto de Encontro Inovador
O Pavilhão da Ciência Planetária é o primeiro espaço oficialmente reconhecido por uma presidência de COP e será co-presidido pelos renomados cientistas Johan Rockström, diretor do Instituto de Pesquisa sobre o Impacto Climático de Potsdam, e Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia. O objetivo primordial do pavilhão é conectar em tempo real pesquisadores e negociadores, disponibilizando evidências científicas cruciais para fundamentar decisões políticas. Essa iniciativa se alinha ao conceito da “COP da Verdade”, promovido pela presidência da COP30, e reflete o apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por escolhas pautadas na integridade e na ciência.
Ana Toni, CEO da COP30, afirma: “A ciência deve guiar nosso caminho para um planeta habitável. A COP30 será a COP da verdade, onde evidências, integridade e cooperação moldarão cada decisão que tomamos pelo futuro da humanidade.”
O Impacto da Ciência no Futuro do Planeta
Este espaço, que conta com o apoio de várias instituições, incluindo o Instituto Potsdam, a Bloomberg Philanthropies e a Fundação Rockefeller, está destinado a operar como um centro de dados e decisões ao longo das duas semanas de conferência. Entre as atividades programadas, estão painéis de especialistas, debates de alto nível e o lançamento de relatórios técnicos, como o Global Carbon Budget 2025. Esses momentos prometem trazer à tona discussões críticas sobre o climatema atual e suas implicações.
Johan Rockström reforça a importância da ciência nesse contexto: “Estamos colocando em risco a estabilidade do planeta. Este pavilhão é nosso esforço coletivo para garantir que a evidência, e não a ideologia, molde o futuro da humanidade.” Essa afirmação é um chamado à ação, demonstrando que as soluções para os desafios climáticos precisam ser baseadas em dados robustos e verificados.
Integrando Saberes: O Valor das Comunicações Indígenas
Um aspecto inovador que será abordado no Pavilhão é o diálogo entre a ciência e os saberes indígenas. Marina Hirota, que faz parte do comitê de programação do Pavilhão, aponta que haverá um dia dedicado à Amazônia e outro à biodiversidade. Isso reforça a relevância desses temas em uma COP voltada para o clima. A intersecção entre conhecimentos tradicionais e científicos é fundamental para a construção de estratégias eficazes na luta contra as mudanças climáticas.
Planetary Health Check 2025: Avaliação Global
Um dos eventos centrais será o Planetary Health Check 2025, uma avaliação científica que determinará o estado dos sistemas de suporte à vida e sugerirá estratégias para recuperação. Este estudo alarmante revela que sete das nove fronteiras planetárias já foram ultrapassadas, um sinal claro de que a necessidade de ação é urgente e inadiável.
Carlos Nobre destaca a importância da Amazônia nesta discussão: “O que acontece aqui determinará se a humanidade será capaz de restaurar o equilíbrio ou desencadear uma mudança irreversível. O Pavilhão representa um novo modelo em que cientistas, líderes indígenas e formuladores de políticas co-criam soluções para um futuro habitável.”
Um Espaço Inovador para o Diálogo Científico
Com 150 m², o Pavilhão foi pensado como uma arena de dados e visualizações interativas, ancorada no conceito das fronteiras planetárias. O design inclui projeções em tempo real e narrativas enriquecidas por comunidades indígenas, estabelecendo um espaço onde a ciência é acessível e envolvente.
Renata Piazzon, CEO do Instituto Arapyaú, resume o propósito do Pavilhão: “Na Zona Azul, temos a oportunidade de unir pesquisa científica, dados e agendas políticas e econômicas, garantindo que diagnósticos se transformem em estratégias concretas.” Isso destaca a relevância da transformação de informações em ações tangíveis e impactantes.
Uma Ponte entre Cientistas e Decisores Políticos
Além da programação técnica, o pavilhão também funcionará como um centro de imprensa e um canal direto entre cientistas e negociadores. Por exemplo, uma “Linha Direta da Ciência” estará disponível para fornecer respostas rápidas e embasadas em evidências aos tomadores de decisão. Esse mecanismo poderá aumentar a eficácia das negociações, ao mesmo tempo em que promoverá uma maior adesão da comunidade científica nos debates.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alerta para o desafio de manter a meta de 1,5°C até o final do século, referindo-se a isso como “o verdadeiro teste de integridade e ambição global”. Esse se tornará um tema central nas discussões em Belém, e a expectativa é que o Pavilhão receba mais de 250 cientistas e representantes de 60 países ao longo do evento.
Considerações Finais
O Pavilhão da Ciência Planetária na COP30 se apresenta como um passo audacioso em direção a um futuro mais sustentável. A integração de evidências científicas nas decisões climáticas e o diálogo com saberes tradicionais são fundamentais para a construção de soluções eficazes.
A participação ativa de cientistas, formuladores de políticas e comunidades locais cria um ambiente propício para o compartilhamento de ideias e a co-criação de estratégias. A tarefa que nos espera é desafiadora, mas com a ciência no centro das ações, temos a oportunidade de transformar essa realidade e buscar um futuro em harmonia com nosso planeta.
E você, como acredita que a ciência pode influenciar as decisões climáticas em sua própria comunidade? Compartilhe seus pensamentos!
