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Cuba: O Momento Decisivo que Pode Mudar Tudo

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O Colapso de Cuba: Entre Ruínas e Desafios Futuramente Incertos

Em um canto central de Havana, uma imensa montanha de entulho bege ocupa um quarteirão inteiro. Essa é a única lembrança do Instituto Superior de Design Industrial, uma construção imponente que, ao longo de seus 166 anos, abrigou um clube de oficiais espanhóis, as forças de ocupação americanas após 1898, o ministério da saúde de Cuba e, por fim, a escola de design. Declarado inabitável há anos, o prédio sofreu dois desabamentos parciais em 2025, e o governo nunca enviou alguém para consertá-lo. Em fevereiro deste ano, o que restou do edifício finalmente caiu, soterrando diversos moradores de rua. Quando visitei o local em junho, homens magros escalavam a superfície irregular, arrancando pedaços de tijolos para construir casas improvisadas.

A Direção Perigosa de Cuba

A trajetória atual de Cuba parece rumo ao mesmo destino que o do antigo instituto de design: um colapso acelerado do estado e da economia. Se essa rota não for alterada em breve, a possibilidade de reconstruir a ilha como um lugar estável, próspero e democrático poderá se tornar praticamente impossível.

Nos últimos meses, ninguém esperava um desenrolar tão acelerado nos eventos. Com as ameaças de tarifação a países que fornecem petróleo a Cuba, os alertas de ações militares do ex-presidente Donald Trump e os rumores de conversas secretas entre Havana e Washington, muitos acreditavam que um acordo de compartilhamento de poder ou uma operação militar nos moldes da Venezuela estava prestes a acontecer.

Entretanto, ao final de maio, essa expectativa começou a desvanecer. De acordo com o Miami Herald, as negociações em segredo chegaram ao fim, frente à oposição de políticos da Flórida e à recusa de Havana em aceitar ofertas de Washington, que incluíam investimentos americanos e petróleo em troca da remoção do presidente Miguel Díaz-Canel e da privatização da companhia estatal de petróleo de Cuba. Em junho, Havana implementou 176 reformas econômicas, abrindo espaço para o setor privado, mas isso não foi suficiente para agradar a Washington.

A Dinâmica do Poder e os Efeitos das Sanções

A administração Trump permitiu que um pouco de combustível e alimentos americanos chegasse à ilha, mas também impôs novas sanções a empresas estatais e a oficiais do regime. Em agosto, o Secretário de Estado Marco Rubio comentou que a estratégia atual exigiria “paciência e persistência”, afirmando que o regime poderia resistir até 2028 ou além.

Essas declarações podem ser interpretadas de diferentes maneiras. Uma delas é que o governo estaria apenas blefando, tentando intensificar a pressão sobre o regime para reiniciar negociações ou desorientá-lo antes de uma possível ação militar. Outra interpretação sugere que, com os EUA envolvidos em questões como o Irã e administrando a situação da Venezuela, Cuba perdeu prioridade nas pautas diplomáticas. Por último, talvez a estratégia seja aguardar que o sistema de partido único implode internamente, mesmo que isso exija um longo e incerto processo.

Sinais de Colapso em Uma Ilha em Crise

O que muitos fora de Cuba não percebem é como a crise econômica e o colapso do estado—acelerados pela resistência do regime em realizar reformas e pela pressão das sanções americanas—estão redeformando a ilha. A eficácia do estado, além de sua capacidade repressiva, está se deteriorando rapidamente. A economia, encolhendo e se tornando mais desigual, gera uma ampla classe subempregada, incapaz de participar do novo setor privado que surge. A coesão social está se esgarçando, a criminalidade aumentando, enquanto os índices de natalidade caem e a emigração distorce a demografia cubana.

Essas tendências já existiam antes do corte de petróleo e das novas sanções, mas agora parecem estar se intensificando. O verdadeiro risco é que quanto mais tempo esse impasse durar, mais essas condições se solidificarão como a norma, diminuindo as chances de Cuba se tornar, um dia, um país bem governado e aumentando a probabilidade de um futuro ainda mais caótico.

Vida no Caos: Um Relato de Desespero e Resiliência

Recentemente, escutei uma piada em Havana. “Só duas coisas funcionam neste país: a segurança do estado e os hospitais.” Embora seja generosa em relação à saúde pública, a afirmação reflete um ponto crucial. A repressão ainda é o único domínio em que o estado cubano se mantém eficaz. Isso deve-se menos à abundância de recursos e mais à decisão unificada da liderança de manter o status quo. O quartel-general da Direção das Instituições Penais, responsável pelo sistema prisional do país, é tão deteriorado quanto qualquer edifício em Havana central, mas os generais e chefes de espionagem têm plena consciência do que perderiam em um processo de liberalização política.

Cubanos que conheci mostraram-se incrivelmente dispostos a criticar o regime em conversas discretas, nunca se arriscando, porém, a se juntar a protestos, reconhecendo que essa seria uma via quase certa para a detenção. Apesar de haver escassos recursos, a polícia ainda consegue estar presente como lembretes ameaçadores diante das casas de líderes detidos, demonstrando que a máquina repressiva se mantém.

A Fraqueza do Estado e a Ascensão da Criminalidade

Apesar das aparências, o estado cubano enfrenta fragilidades que muitos observadores internacionais, tanto de direita quanto de esquerda, não conseguem perceber. O termo “anarquia autoritária” foi utilizado por um diplomata europeu em Havana, descrevendo um estado que pode sufocar a expressão política, mas que, cada vez menos, consegue oferecer serviços públicos ou evitar o desordem social.

Saúde Pública em Colapso

A saúde pública, uma das principais bandeiras do regime, sofre com a falta de suprimentos essenciais. Muitos hospitais não dispondo de medicamentos básicos, forçando os pacientes a recorrer ao mercado negro para obter até antibióticos e até instrumentos cirúrgicos. Além disso, a desvalorização salarial se tornou tão profunda que aceitar subornos se tornou cada vez mais comum entre profissionais da saúde.

Os indicadores de saúde da população, outrora um dos melhores da América Latina, apresentaram uma deterioração alarmante. A mortalidade infantil, que já estava entre as mais baixas do continente, mais que dobrou desde 2018 e doenças antes controladas retornaram, como a chikungunya, que afetou até um terço da população em 2025.

O Aumento da Criminalidade

A criminalidade violenta, que antes era quase inexistente na ilha, está em ascensão, testemunhando uma clara sinalização do recuo do estado. Embora a falta de dados oficiais confiáveis dificulte a confirmação dessa tendência, o medo de assaltos e violência tem alterado a rotina de muitos cubanos. Em cidades como Cárdenas, alguns moradores evitam sair de casa à noite, temendo os crescentes relatos de violência.

Em Havana, os furtos de painéis solares e tanques de água se tornaram frequentes, enquanto a percepção de que a polícia está ausente ou é suscetível a subornos se espalha. Uma situação desorganizada, impulsionada pela necessidade e pelo uso de substâncias como o “químico”, pode rapidamente se transformar em um cenário mais organizado de crime.

Caminhos para o Futuro

A economia cubana se contraiu em pelo menos 15% desde 2020, com o colapso do turismo e a saída de investidores internacionais. Em resposta, o regime hesitante permitiu certa abertura para o setor privado, percebendo que essa era uma solução para evitar a fome ou revoltas. A legalização de microempresas resultou em mais de 10.000 delas no país, representando 65% das vendas de varejo e 40% do emprego, embora as sanções americanas e a falta de credibilidade do regime continuem limitando seu potencial.

Entretanto, a forma como esses mercados estão emergindo, com a população em sua maioria ainda muito pobre para participar, e sem a existência de um Estado de Direito, impede um desenvolvimento econômico justo. Várias pessoas que conversei mencionaram sentir que estavam vivendo uma versão cubana da Rússia dos anos 90, onde o crescimento econômico não era para todos, mas beneficiava apenas alguns privilegiados.

Além disso, a crescente desigualdade é bastante evidente, com bairros mais ricos se beneficiando de serviços que contrariam a dura realidade dos pobres, tornando cada vez mais desafiador um futuro igualitário para Cuba.

O Impacto da Emigração e as Ramificações Sociais

Outro aspecto significativo que dificulta o futuro de Cuba é a “decadência social”. Desde 2020, a população da ilha caiu entre 13% e 24%, em grande parte devido a uma onda sem precedentes de emigração. Isso acelerou o envelhecimento da população, criando um enorme desafio demográfico.

A emigração não apenas desproveu a ilha de profissionais qualificados, como médicos e educadores, como também aumentou a distância entre aqueles com conexões familiares no exterior e os que não têm. Essa disparidade gera um ciclo de privação, especialmente entre os afro-cubanos, e afeta pesadamente os jovens que crescem em um ambiente repleto de escassez e exclusão.

Viver sem os recursos básicos necessários, como comida e energia, provoca um desgaste psicológico profundo. A ideia de que os cubanos são resilientes se esbarra na dura realidade de que essa adaptação é, na verdade, uma forma de degradação.

O Custo da Inércia

Cuba possui a oportunidade de se reinventar e de aprender com as transições bem-sucedidas de seus vizinhos no Caribe e na América Central. No entanto, a continuidade do impasse atual torna essa perspectiva cada vez mais distante. A pressão que o regime enfrenta pode, eventualmente, levá-lo a entrar em colapso, mas, se persistir, também poderá tornar Cuba impossível de governar por qualquer autoridade.

O governo dos EUA pode não ter considerado os riscos que vêm com a manutenção da pressão, ou pode enxergá-los como um custo aceitável em troca da abertura política. Curiosamente, muitos cubanos compartilham dessa visão, reconhecendo que a responsabilidade pela crise atual recai mais sobre o regime do que sobre as sanções.

A respeito disso, uma abordagem mais sutil talvez seja necessária. Oferecer um alívio às sanções focado em resolver a crise humanitária, em troca de reformas políticas e econômicas, pode ser uma alternativa. Vale a pena tentar algo diferente, considerando que a urgência da situação cubana só cresce a cada dia.

Ao olharmos para o futuro, é crucial agir. A história de Cuba pode ser um teste de resistência e renovação. Se a oportunidade for aproveitada, a ilha poderá seguir um caminho mais promissor.

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