A terça-feira foi marcada por um evento significativo no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, focado nas consequências do racismo e da discriminação racial na democracia e na participação cidadã. O painel de alto nível abordou como essas práticas prejudiciais enfraquecem os pilares democráticos e limitam a voz de diversas comunidades.
A ministra da Igualdade Racial do Brasil, Anielle Franco, destacou a urgência de combater desigualdades históricas que têm marginalizado grupos como afrodescendentes, indígenas e mulheres. Segundo ela, para que a democracia se fortaleça, é imprescindível derrubar essas barreiras e garantir que todos tenham voz nas decisões que influenciam a sociedade.
Construindo uma Democracia Inclusiva
Em sua fala em inglês, Anielle ressaltou que o Brasil tem sido um precursor nas resoluções que promovem a justiça racial globalmente. Para ela, liberdade e igualdade não podem ser dissociadas da democracia. Um caminho viável para democracias verdadeiramente inclusivas inclui:
- Políticas internacionais que priorizem a equidade racial;
- Aumento da representação política de comunidades marginalizadas;
- Combate efetivo ao discurso de ódio e à violência racial sob todas as suas formas.
Vários oradores se pronunciaram no evento, que serviu como uma plataforma para coletar recomendações valiosas.
A vice-alta comissária para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif, trouxe à tona a triste realidade de que o racismo e a discriminação ainda permeiam as estruturas democráticas. Ela enfatizou que essa situação acarreta prejuízos significativos aos fundamentos da democracia e à coesão social.
Narrativas Nocivas em Ascensão
Nada Al-Nashif também alertou sobre o aumento de narrativas que incitam hostilidade e desumanização, intensificando o medo e as divisões sociais. Esses discursos frequentemente direcionam suas críticas a grupos vulneráveis, como:
- Pessoas de ascendência africana;
- Migrantes e refugiados;
- Povos Roma e Sinti;
- Comunidades indígenas e outras minorias.
Essas incitações são amplificadas por um ambiente digital que facilita a propagação de uma “retórica tóxica”, muitas vezes alimentada por inteligência artificial. Isso gera manipulação da opinião pública e exploração dos medos da população. Em muitos casos, líderes políticos têm se aproveitado dessa dinâmica para promover discriminação em busca de benefícios eleitorais.
Uma análise sobre a representação no Parlamento Europeu revelava que apenas cerca de 4% dos membros se identificavam como pertencentes a minorias raciais e étnicas.
Durante o evento, mais de 40 oradores compartilharam suas perspectivas, propondo ações legislativas e políticas para erradicar o racismo. Esse diálogo se fez crucial para iluminar caminhos para a inclusão, abordando tanto os progressos realizados quanto os desafios que ainda persistem.
Falta de Representação e Desigualdades Persistentes
A vice-alta comissária Nada Al-Nashif apresentou dados alarmantes sobre a sub-representação de grupos étnicos e raciais nas esferas políticas. Segundo estudos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, existem barreiras significativas à participação das mulheres, especialmente aquelas que enfrentam a violência de gênero e as consequências de padrões herdados de colonialismo e escravidão.
Uma pesquisa recente de uma organização da sociedade civil destacou que a demografia na União Europeia ainda é amplamente desigual, corroborando o fato de que a inclusão real ainda é um objetivo distante. A baixa representação de minorias no Parlamento Europeu, que atingiu somente 4%, é um indicativo de que muito ainda precisa ser feito.
*Eleutério Guevane é redator da ONU News em português
O que você pensa sobre a relação entre racismo e democracia? É essencial refletirmos sobre essas questões e compartilhar ideias e soluções para promover uma sociedade mais justa e igualitária. Sinta-se à vontade para deixar seu comentário e compartilhar suas opiniões sobre como podemos avançar para um futuro mais inclusivo.
