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Descubra Como a Proteína Animal Brasileira Pode Conquistar o Mundo

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“Em nosso setor, a demanda supera a oferta, um contraste notável em relação a muitos mercados.” Essas palavras do CEO da MBRF, Miguel Gularte, resumem bem o otimismo que permeou o segundo dia do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, que está acontecendo em São Paulo. Este evento, que se estende até quinta-feira (6), é um dos mais relevantes para as cadeias produtivas de aves, suínos, ovos, peixes de cultivo e bovinos, não só no Brasil, mas em toda a América Latina.

Miguel Gularte foi um dos debatedores em uma mesa redonda que contou também com a presença de João Campos, presidente da Seara, e Neivor Canton, diretor-presidente da Aurora Coop.

Em tempos de transformações no comércio global e conflitos geopolíticos, os líderes da indústria expressaram um consenso: o Brasil está posicionado para aumentar sua participação no mercado internacional. Para isso, é fundamental que avance na abertura de novos mercados, diversifique sua clientela e amplie a oferta de produtos de maior valor agregado.

Esse otimismo ganha contorno à luz de dados concretos. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta que a produção nacional de carne de frango pode crescer até 5,6% em 2026, enquanto a carne suína deve registrar um aumento de até 5%, com a produção de ovos podendo chegar a um crescimento de 4,1%.

As exportações seguem em tendência de alta, com expectativa de aumento de até 10,3% para a carne de frango e 5,9% para a carne suína. Esse movimento é acompanhado por uma maior disponibilidade de alimentos e um aumento no consumo per capita dessas proteínas nas mesas brasileiras.

Divulgação/SIAVSMiguel Gularte, CEO da MBRF

No último ano, as exportações brasileiras de carnes de frango, suína e ovos cresceu 2,8% em volume em comparação a 2024, totalizando 6,7 milhões de toneladas, de acordo com os dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura. Em termos de valores, o crescimento foi de 3,3%, chegando a impressionantes US$ 13,3 bilhões (aproximadamente R$ 68,35 bilhões, na cotação atual).

Ricardo Santin, presidente da ABPA e organizador do SIAVS, destacou que esses números refletem a resiliência do setor, que conseguiu crescer mesmo diante de um cenário internacional desafiador.

“As projeções de crescimento na produção e no consumo per capita das três principais proteínas mostram que teremos mais carne de frango e suína disponíveis para os consumidores, ao mesmo tempo em que as exportações também aumentam,” afirmou Santin.

Crescimento Sustentado pela Diversificação

Divulgação/SIAVSRicardo Santin, presidente da ABPA

Apesar dos indicadores positivos, os líderes do setor concordam que o crescimento dependerá cada vez menos de um único comprador global.

Para Santin, a diminuição da demanda chinesa por carne suína não representa uma mudança permanente no mercado, mas um retorno aos padrões vistos antes da peste suína africana. O verdadeiro desafio, segundo ele, é expandir a presença do Brasil em novos mercados.

“Acredito que não estamos vendo uma queda na demanda da China; o Brasil continua se preparando, pois há um vasto mercado global para conquistarmos,” disse Santin.

De acordo com o presidente da ABPA, áreas como a Ásia, África e o Sul Global serão cruciais para o aumento do consumo de proteína animal nos próximos anos. Ele prevê que o setor manterá uma taxa de crescimento anual entre 3% e 3,5%, impulsionado pela abertura de novos mercados e pela competitividade brasileira.

Neivor Canton, da Aurora Coop, compartilha dessa visão, ressaltando a importância de acompanhar a produção chinesa sem perder de vista o desafio estratégico de diversificar o mercado brasileiro.

Divulgação/SIAVSNeivor Canton, diretor-presidente da Aurora Coop

“O Brasil não pode se tornar refém de um único mercado global,” afirmou Neivor.

Ele lembrou que historicamente outros grandes compradores perderam relevância, como foi o caso da Rússia com a carne suína, e enfatizou a necessidade de uma atuação proativa nas negociações de acordos comerciais.

Para Neivor, aumentar a atuação em mercados como a Coreia do Sul e Japão é crucial para reduzir riscos e abrir novas oportunidades para a indústria brasileira.

Competitividade Construída de Dentro da Porteira

Divulgação/SIAVSJoão Campos, presidente da Seara

Para João Campos, presidente da Seara, a competitividade do Brasil está intimamente ligada à evolução contínua do sistema produtivo.

“A demanda por proteínas de qualidade vai continuar a crescer, e o que nos fortalece é a capacidade de evolução em nossos modelos e sistemas,” disse Campos.

Ele ressaltou que a integração entre produtores e indústrias, aliada a investimentos em tecnologia e agilidade nas respostas às mudanças de mercado, serão cruciais para manter a competitividade.

“O que diferencia o Brasil no mercado global é o nosso empenho em melhorar continuamente,” concluiu.

Miguel Gularte também ressaltou a maneira como o setor se adaptou nos últimos anos, principalmente durante a pandemia e os conflitos internacionais, mantendo a resiliência necessária para atender as rigorosas exigências sanitárias e garantir o abastecimento aos mercados importantes.

“A melhor estratégia é diversificar, vendendo para uma ampla gama de mercados,” defendeu, destacando que atuar em mais de 150 países fortalece toda a cadeia produtiva, desde o produtor até a indústria exportadora.

Imprimindo Mais Valor à Proteína Brasileira

Outro ponto crucial nas discussões foi a necessidade de levar a exportação de produtos industrializados ao próximo nível.

Neivor Canton enfatizou que o Brasil ainda depende em grande parte de produtos básicos para suas vendas externas, e que, para fortalecer suas marcas no mundo, é essencial agregar valor.

Nessa linha, João Campos ressaltou que a internacionalização vai além da troca de produtos; envolve construir marcas, desenvolver canais de distribuição e se conectar com o consumidor final para aumentar a competitividade do Brasil em mercados exigentes.

Gularte acrescentou que a homogeneização dos hábitos de consumo em várias regiões do mundo abre portas para que as empresas brasileiras se estabeleçam internacionalmente, seja por meio de operações próprias ou parceria com empresas locais.

Brasil: Um Protagonista em Ascensão

Essas discussões tiveram repercussão significativa durante o SIAVS, onde a ABPA considera o evento como essência na promoção das cadeias de aves, suínos, ovos, peixes de cultivo e bovinos na América Latina. O encontro não apenas reuniu produtores, indústrias e pesquisadores, mas também atraiu delegações e compradores internacionais de diversos mercados.

Ricardo Santin afirmou que o crescimento do SIAVS reflete a consolidação da proteína animal brasileira no cenário global: “O evento agora faz parte do calendário das grandes feiras mundiais.”

Mais do que apresentar números de produção e exportação, os debates do segundo dia sinalizaram que o futuro crescimento do setor estará menos vinculado ao aumento da produção e mais à capacidade do Brasil em conquistar novos mercados, agregar valor aos produtos e sustentar a confiança que foi construída nas últimas décadas.


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