Início Economia Agronegócio Descubra Como o Algodão Brasileiro Está Revolucionando a Agricultura com Inovações Tecnológicas

Descubra Como o Algodão Brasileiro Está Revolucionando a Agricultura com Inovações Tecnológicas

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Com a ampliação de suas áreas de cultivo, melhoria na produtividade e forte presença no comércio internacional, o algodão brasileiro enfrenta agora um novo desafio: como continuar a se tornar mais competitivo? Especialistas da Embrapa, BASF e Bayer discutem que o futuro da fibra não dependerá mais apenas do aumento da produção, mas também de inovações em genética, irrigação, controle de doenças, inteligência artificial, qualidade do produto e uso eficiente de insumos.

Neste Dia Mundial do Algodão, celebrado desde 2021, o papel do Brasil na indústria do algodão serve como exemplo global. Atualmente, cerca de 80% do algodão brasileiro possui o selo Better Cotton Initiative (BCI), que é considerado o principal programa de sustentabilidade do setor. Segundo Alderi Emídio de Araújo, agrônomo e doutor em patologia, e pesquisador da Embrapa Algodão, isso demonstra que o Brasil produz algodão com alta tecnologia e insumos, sempre respeitando os critérios de sustentabilidade.

“Hoje, é inconcebível imaginar uma produção que não esteja alinhada com a sustentabilidade, que não considere a resiliência climática ou a redução do uso de produtos químicos,” afirma Araújo, que dedicou 29 de seus 39 anos de carreira à pesquisa sobre o algodão.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a safra global de algodão para 2025/26 será de 26,6 milhões de toneladas. Destes, o Brasil é responsável por 15,4% da produção mundial, equivalente a 4,08 milhões de toneladas. Embora o país ocupe o terceiro lugar entre os maiores produtores, atrás da China e da Índia, ainda assim, destaca-se como o maior exportador mundial, uma posição que reflete sua capacidade de oferecer algodão de qualidade e em grande quantidade. As exportações brasileiras no ano passado alcançaram 3,1 milhões de toneladas, representando 74,8% da safra para 2025/26, com uma receita de US$ 5,2 bilhões (cerca de R$ 26,6 bilhões). Essa movimentação reforça a presença estratégica do Brasil em mercados consumidores significativos, como China, Bangladesh, Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia.

O Futuro do Algodão e Seus Desafios

Divulgação/BASFAlexandre Santaella, especialista da BASF

Alexandre Santaella, gerente de Marketing do Cultivo de Algodão da BASF, ressalta que a produtividade do Brasil reflete uma transformação significativa nas práticas agrícolas. Enquanto a média de produtividade nos Estados Unidos gira em torno de 900 quilos por hectare, no Brasil, esse número ultrapassa 1.800 a 1.900 quilos em muitas áreas.

“Estamos produzindo o dobro do que os americanos conseguem,” diz Santaella.

No entanto, há desafios que ainda precisam ser superados para aumentar ainda mais a produtividade. Santaella destaca dois fatores principais: a disponibilidade de água e o controle de doenças. Em locais irrigados, como em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, lavouras alcançam rendimento de mais de 7,5 toneladas por hectare, um desempenho que é difícil de replicar em áreas não irrigadas.

A sanidade das plantas é fundamental, especialmente com a prática de rotação entre soja e algodão. Doenças como a mancha-alvo encontram condições favoráveis para se perpetuar, enquanto problemas como a ramulária continuam a ser um desafio significativo. Para Santaella, parte do potencial de produtividade do algodão brasileiro se perde devido à falta de ferramentas eficazes para o controle de fungos.

Neste contexto, a BASF está desenvolvendo um novo ingrediente ativo, com previsão de lançamento no primeiro trimestre de 2027, que visa o combate à mancha-alvo e à ramulária. Santaella observa que, nos testes realizados, a nova formulação apresentou um ganho de até 1,05 tonelada de algodão por hectare. Contudo, ele adverte que esse número é fruto de testes específicos e não deve ser considerado como a média esperada para toda a produção.

A irrigação também é uma questão crítica a ser abordada a longo prazo. Investimentos nessa área podem expandir o potencial produtivo de regiões já consolidadas. Além disso, a melhoria genética das plantas deve incluir a resistência a períodos de estresse hídrico e climático. Para Araújo, essa é uma chave fundamental para o desenvolvimento das próximas variedades de algodão.

Inovações Genéticas: Biotecnologia e Edição Gênica

Divulgação/BayerFernando Prudente, representante da Bayer

A transformação tecnológica no algodão brasileiro já está em curso. Santaella aponta que 96% das áreas cultivadas utilizam biotecnologia para proteção contra lagartas, que também comumente trazem tolerância a herbicidas.

Agora, a nova era tecnológica está tomando forma em diferentes fases da produção. A BASF já aplica inteligência artificial para selecionar cruzamentos entre inúmeras linhagens genéticas. Essa tecnologia permite identificar combinações com maior potencial para características desejadas, como um ciclo de vida mais curto ou resistência a pragas. Embora o ciclo completo de melhoramento ainda leve cerca de sete anos, estima-se que variedades desenvolvidas com a ajuda de IA possam chegar ao mercado em cerca de cinco anos.

A Bayer não está de fora desse avanço biotecnológico. Uma nova variedade de algodão está sendo desenvolvida, que terá dez genes adicionais, projetada para ser lançada em 2028. Essa variedade contará com cinco genes voltados à tolerância a herbicidas, quatro genes que conferem proteção contra as principais lagartas e um gene que protege contra tripes, insetos prejudiciais aos primeiros estágios da planta.

“Estamos na quarta geração da biotecnologia,” afirma Fernando Prudente, da Bayer. Ele acrescenta que isso demonstra o compromisso de sua empresa em investir em inovações que promovam produtividade e sustentabilidade no setor.

Enquanto a transgenia foca em inserir novas funcionalidades na planta, a edição gênica, utilizando técnicas como CRISPR, visa modificar genes já existentes, ajustando características desejadas. Alderi destaca que a Embrapa está realizando pesquisas com edição gênica via CRISPR, prevendo que novos cultivares com essas características possam ser introduzidos em aproximadamente dois anos. Embora ainda não existam cultivares comerciais desenvolvidas através dessa tecnologia, os esforços estão avançando de forma promissora.

“Com a edição gênica, podemos incorporar características desejáveis sem que o resultado seja considerado transgênico.”

Essa distinção é significativa para o setor agropecuário. Em vez de apenas adicionar tecnologias de proteção contra pragas ou herbicidas, as pesquisas buscam características específicas relacionadas à produtividade, saúde da planta, adaptação às variações climáticas e qualidade da fibra. O foco é acelerar a construção de materiais que respondam a necessidades reais do campo e atendam às demandas da indústria.

Foco na Qualidade da Fibra

Divulgação/Embrapa AlgodãoO algodão prestes a ser colhido

Entretanto, o avanço não deve ser medido apenas pela quantidade colhida, mas também pela qualidade da fibra. Alderi Emídio de Araújo enfatiza que, embora o algodão brasileiro tenha evoluído, ainda há espaço para melhorar características como comprimento e resistência das fibras. Essas qualidades são cruciais, considerando a crescente exigência da indústria têxtil global.

“Já progredimos muito. Hoje, somos o maior exportador mundial de algodão e temos a responsabilidade de oferecer um produto de qualidade.”

As inovações tecnológicas também estão mudando a forma como produtivos e insumos são geridos. Para Araújo, o objetivo futuro é aumentar a eficiência no uso do que já é aplicado. Fertilizantes, defensivos e produtos biológicos devem ser utilizados de maneira a garantir que sejam aplicados precisamente onde necessário.

Neste contexto, a inteligência artificial pode passar de uma ferramenta de pesquisa para um aliado direto no cultivo, com equipamentos capazes de identificar a localização de pragas ou doenças, aplicando produtos apenas nas áreas afetadas. Isso poderia não só reduzir a quantidade de insumos utilizados, como também diminuir costos e impactos ambientais.

A jornada do algodão brasileiro é clara: um caminho de inovação e adaptação, focando em sustentabilidade e qualidade. E à medida que os novos desafios surgem, o país se posiciona para não apenas atender, mas superar as expectativas globais. Quais são suas opiniões sobre o futuro do algodão? Compartilhe suas ideias!


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