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Descubra Como um Engenheiro Está Transformando o Agro na Bayer e Moldando o Futuro da Agricultura

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Maurício Rodrigues: A Liderança Que Transforma o Agronegócio na América Latina

Maurício Rodrigues, aos 51 anos, é um nome de destaque no agronegócio latino-americano. Como presidente da divisão agrícola da Bayer na região, ele comanda uma equipe de cerca de 7 mil profissionais, responsável por aproximadamente 80% da receita da companhia na América Latina. Essa trajetória impressionante, que completa cinco anos este ano, reflete um caminho não convencional, pautado por experiências em finanças e gestão de riscos em um ambiente corporativo desafiador.

Aprendizados e Desafios Iniciais

Rodrigues reconhece que ninguém está totalmente preparado para um cargo dessa magnitude: “Os primeiros meses são de muito aprendizado, escuta e ajustes para entender como realmente gerar valor”, compartilha. Recentemente, conversou com a Forbes Agro no Show Rural Coopavel, um dos eventos mais importantes do calendário agrícola brasileiro, realizado em Cascavel (PR). Para ele, esses encontros informais são uma oportunidade valiosa para ouvir clientes e entender a concorrência.

Uma Trajetória Fora do Comum

Nascido em São Paulo, Rodrigues possui 26 anos de carreira,encontrando seu espaço tanto na Bayer quanto na Monsanto, adquirida pela Bayer em 2018. Antes de assumir a presidência da Crop Science, ele atuou na área financeira, chegando ao cargo de CFO da América Latina. Esta experiência foi fundamental para moldar sua visão e estilo de liderança.

Formado em Engenharia Civil pela USP, com MBA em Finanças pelo Ibmec e pós-graduação em Controladoria pela FGV, sua carreira começou em um ambiente distante do agronegócio, incluindo passagens pelo Banco BBA. Essa bagagem financeira não é uma limitação para ele, mas um ativo valioso, que o colocou no centro das decisões estratégicas desde cedo.

O Papel da Escuta Ativa na Gestão

Desde sua posse na presidência da Crop Science, Rodrigues teve que intensificar sua conexão com o campo. Ele mergulhou em áreas como pesquisa, desenvolvimento, melhoramento genético e soluções para proteção de cultivos. O desafio não era se tornar um expert técnico, mas entender o suficiente para tomar decisões estratégicas embasadas.

“Reunir talentos não é suficiente; o verdadeiro desafio é fazer com que funcionem como uma equipe”, defende. Sua rotina agora inclui visitas constantes a feiras agrícolas e propriedades, onde a observação e a escuta ativa se tornaram ferramentas essenciais de gestão.

Liderando em Tempos de Crise

Rodrigues assumiu a presidência em um momento desafiador, durante a pandemia de Covid-19. Esse cenário exigiu adaptações rápidas, como o trabalho remoto, sem perder o foco em resultados e no engajamento de uma equipe experiente. Liderar profissionais com mais experiência do que ele mesmo exigiu uma postura respeitosa, reconhecendo a senioridade e buscando criar um ambiente de confiança.

Uma Nova Estratégia para o Crescimento

A gestão de Rodrigues se baseia em três pilares principais: inovação em sementes, proteção de cultivos e digitalização. Estas áreas integram o plano “Acelera”, alinhado à estratégia global da Bayer, e foram aprofundadas com a implementação do modelo Dynamic Shared Ownership (DSO) em 2023. Essa mudança organizacional visou reduzir camadas hierárquicas, aumentando a autonomia das equipes, mas também trouxe desafios, como desligamentos, em uma companhia conhecida por suas estruturas tradicionais.

Comprometido com a Diversidade

A agenda de diversidade e inclusão é outro aspecto central na liderança de Rodrigues. Ele conduz grupos focados em equidade racial e de gênero, tratando esses temas como valores fundamentais, essenciais à cultura da empresa. A Bayer, sob sua direção, tem avançado em cinco marcadores de diversidade: gênero, raça, orientação sexual, pessoas com deficiência e gerações.

Rodrigues não hesita em reconhecer o impacto social de sua posição, especialmente em um ambiente onde a representatividade negra ainda é baixa. “Em muitas reuniões, sou a única pessoa negra”, observa, chamando a atenção para a necessidade de um debate inclusivo. No que tange ao gênero, novos avanços são notáveis, com mulheres ocupando cargos-chave em sua equipe.

Exposição e O Peso da Comunicação

Ser um líder na Bayer implica um nível de exposição muito maior do que na fase anterior de sua carreira. Cada gesto e palavra são observados e potencialmente repercutem na empresa. Ele explica que não lidera diretamente 7 mil pessoas, mas sim um núcleo que espalha cultura, estratégia e decisões. Essa nova realidade exige uma comunicação cuidadosa e uma leitura constante do ambiente ao seu redor.

Ao ser questionado sobre os próximos passos em sua carreira, ele adota uma postura pragmática. Embora não descarte a possibilidade de uma posição global, enfatiza a importância de viver o presente. Para Rodrigues, sua relação com a Bayer é madura e construída com base em decisões conscientes, que fazem sentido enquanto há alinhamento entre seus valores pessoais e a estratégia da empresa.

O Papel da Biotecnologia na Segurança Alimentar

Num contexto onde o debate sobre defensivos agrícolas e transgênicos é sensível, Rodrigues é um defensor de um diálogo fundamentado em ciência e pesquisa. Para ele, a segurança alimentar global depende do aumento da produtividade sem a necessidade de expandir áreas agrícolas. A biotecnologia, nesse contexto, é um elemento central.

Ele também destaca a importância de aproximar a sociedade urbana da realidade do campo, um desafio adicional para a comunicação no setor. Esta ponte entre gestão, tecnologia, pessoas e diálogo tem sido fundamental para Rodrigues construir sua identidade na Bayer Crop Science na América Latina, em um setor que clama por liderança técnica, sensibilidade social e uma visão econômica integrada.


Em suma, Maurício Rodrigues representa uma nova geração de líderes no agronegócio, onde a diversidade, a inovação e a escuta comprometida se entrelaçam em um trabalho cotidiano voltado para o futuro. Seu papel não é apenas o de liderar — é de transformar. Seja por meio da defesa da biotecnologia ou da promoção de um ambiente inclusivo, ele continua a moldar o que significa ser um líder na indústria. E, acima de tudo, instiga todos nós a refletirmos sobre o impacto que temos em nosso ambiente e nas escolhas que fazemos.

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