17 Milhões Sem Endereço: O Impacto da Invisibilidade Social nas Compras Online
Em um panorama crescente de compras online, um grande número de brasileiros enfrenta um obstáculo significativo: a falta de um endereço devidamente registrado. Essa situação não só exclui pessoas do acesso a produtos, mas também compromete a chegada de correspondências, documentos, benefícios sociais e outros serviços essenciais.
Neste 9 de outubro, Dia Mundial dos Correios, a ONU News destaca a história de Pedrinho Jr., um empreendedor brasileiro que luta para garantir que moradores de áreas de difícil acesso, como favelas e periferias, se tornem vistos e ouvidos.
A Realidade das Compras Online
Atualmente, cerca de 17 milhões de brasileiros vivem sem um CEP. Para Pedrinho, diretor da empresa “Carteiro Amigo”, essa falta de endereço significa que milhões de pessoas não conseguem acessar serviços básicos. Ele destaca que, sem um endereço definido, ninguém consegue solicitar um cartão do SUS ou receber correspondências importantes.
Nesta data especial, o secretário-geral da ONU, António Guterres, prestou homenagem a todos os que trabalham com a entrega postal, ressaltando seu papel em levar “oportunidades e confiança” para áreas remotas, e criando assim “um mundo ao alcance de todos.” Para ele, um serviço postal robusto e sustentável é vital para a inclusão das comunidades.
O Trabalho da Carteiro Amigo
Pedrinho Jr. cresceu na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, onde seus pais fundaram a “Carteiro Amigo” há 25 anos. Para garantir que todos os moradores da Rocinha possam receber suas encomendas, a empresa começou utilizando um sistema manual de rotulagem nas fachadas das casas. Hoje, a metodologia evoluiu e inclui geolocalização através dos celulares dos próprios moradores.
- Zoneamento da Comunidade: A empresa mapeia a favela em 13 subzonas, designando entregadores familiarizados com cada área.
- Empoderamento Local: Com 95% do quadro de funcionários oriundos da comunidade, o conhecimento dos moradores é um pilar essencial para o sucesso do empreendimento.
“A gente faz esse zoneamento onde é possível encontrar a casa da Dona Maria, que pode estar atrás da farmácia do Seu João, em um becos diferentes,” explica Pedrinho, destacando a complexidade de áreas densamente povoadas.
Foco na Inclusão e Diversidade
A “Carteiro Amigo” não é só uma empresa de entregas. Ela fomenta empregos e renda dentro da comunidade. Pedrinho Jr. contou que mais de 60% das lideranças da empresa são femininas, promovendo o empoderamento das mulheres em um ambiente que frequentemente subestima seu potencial. Além disso, 80% da equipe é composta por pessoas negras e o local é inclusivo para a comunidade LGBTQIA+.
Compromisso Ambiental
A sustentabilidade é outro aspecto central da “Carteiro Amigo”. Com 45% das entregas realizadas através de veículos elétricos e compensação das emissões de carbono das demais entregas, a empresa busca atingir a neutralidade ambiental. Assim, a preocupação com o planeta também está no DNA da empresa.
Construindo Pontes de Dignidade
A “Carteiro Amigo” atualmente opera com 35 colaboradores diretos e uma rede de 800 entregadores nas favelas do Rio de Janeiro. Nesses locais, como Rocinha, Cidade de Deus e Rio das Pedras, já existem bases onde as encomendas são recebidas e redirecionadas conforme o cadastro dos moradores.
Pedrinho Jr. planeja ampliar o modelo através de um sistema de franquias, permitindo que empreendedores locais se unam a investidores para expandir seus serviços. Para ele, essa iniciativa transcende o simples fornecimento de um serviço; trata-se de proporcionar dignidade e reduzir desigualdades.
O Que Os Números Não Dizem
A realidade de 17 milhões de brasileiros sem um CEP vai além do dado estatístico. Esses indivíduos enfrentam uma exclusão tangível, que se reflete na dificuldade de acessar serviços e oportunidades básicas. Como comunidade e sociedade, é essencial que reconheçamos essa realidade e façamos um esforço conjunto para incluir essas pessoas no mundo digital e, por extensão, no mundo.
Pensando Juntos
O que podemos fazer para ajudar essas comunidades a superarem essa invisibilidade? Como podemos garantir que a inclusão social esteja na agenda de todos os setores? A história da “Carteiro Amigo” nos convida a refletir sobre nosso papel na construção de um mundo mais justo e acessível.
Se você já se deparou com questões relacionadas ao acesso e inclusão em sua comunidade, compartilhe suas experiências e pense em soluções. Quem sabe, a mudança que buscamos comece com um simples diálogo.
