As decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas últimas semanas ampliaram a pressão sobre a Ucrânia e deram novo fôlego à Rússia na guerra iniciada em fevereiro de 2022. Ao suspender sanções, reduzir o apoio militar e econômico a Kiev e pressionar o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Trump tornou mais provável que Moscou mantenha territórios ocupados e influencie as decisões futuras do país, segundo a análise apresentada na fonte.
O cenário representa uma mudança no ritmo do conflito. Depois de avanços ucranianos e de um período de impasse na linha de frente, o governo de Vladimir Putin passou a intensificar ataques com mísseis e drones contra cidades e estruturas de energia e abastecimento de água. A redução da ajuda americana, especialmente para a defesa aérea, pode deixar a população mais exposta a esses ataques no próximo inverno.
Pressão militar e ataques à infraestrutura
Desde a invasão em grande escala, em fevereiro de 2022, a iniciativa no campo de batalha alternou entre os dois lados. As forças russas avançaram no início da guerra, mas a Ucrânia recuperou territórios no outono daquele ano. Washington chegou a temer que Putin recorresse a uma arma nuclear para conter os avanços ucranianos.
Após um período de estagnação na frente, Kiev voltou a ganhar terreno com mísseis de longo alcance capazes de atingir alvos dentro da Rússia, drones que atacam rotas de abastecimento em áreas ocupadas do leste ucraniano e interceptadores para enfrentar ataques às cidades. O texto afirma que, apesar de não conseguir avançar de forma significativa, o Exército russo passou a apostar em ataques contra civis e serviços essenciais para aumentar a pressão sobre a população e o governo ucranianos.
A Rússia também ampliou a produção de mísseis balísticos e de drones. Entre eles está o Geran 5, equipado, segundo a fonte, com um motor de foguete chinês e capaz de escapar das defesas aéreas ucranianas. A análise aponta que a Rússia dispõe de mais tropas e de maior capacidade de produção militar, fatores que alimentam a confiança de Putin de que pode prolongar a guerra apesar do impasse no front.
Trump suspendeu sanções que permitiriam a venda de exportações russas de diesel e interrompeu a assistência militar e econômica direta dos Estados Unidos à Ucrânia. Antes, Washington era o maior financiador de Kiev. Empresas americanas ainda podem vender armas a governos europeus para que estes as transfiram à Ucrânia, mas esse canal, segundo a análise, tem sido interrompido e fornece menos armamentos do que os Estados Unidos entregavam diretamente. Também há escassez de interceptadores para os sistemas Patriot, usados na defesa contra mísseis.
O acesso ucraniano aos sistemas de comunicação Starlink e Starshield, fornecidos pela SpaceX, também sofreu interrupções. Kiev usa esses serviços para orientar drones e acompanhar ameaças russas. A fonte afirma que não está claro se as interrupções foram ordenadas pelo governo americano ou por Elon Musk, proprietário da empresa e aliado de Trump. Segundo o texto, as falhas coincidiram com mais ataques russos bem-sucedidos e com a queda de drones ucranianos.
Laços de Trump com Moscou
A aproximação entre Trump e Putin, de acordo com a análise, vem de antes da entrada do republicano na política. Em 2013, Trump, então empresário do setor imobiliário, organizou o concurso Miss Universo em Moscou em parceria com Emin e Aras Agalarov. O texto também afirma que Putin interferiu nas eleições americanas de 2016 para favorecer Trump e prejudicar Hillary Clinton. Embora não seja possível provar que o roubo e a divulgação de e-mails da campanha democrata alteraram o resultado, a fonte diz que a tentativa de influenciar a eleição é inquestionável.
No primeiro mandato de Trump, a admiração pública que demonstrava por Putin não se traduziu, segundo a análise, em uma mudança ampla da política americana. Integrantes da equipe de segurança nacional, como o conselheiro H. R. McMaster e os secretários James Mattis e Mike Pompeo, limitaram uma aproximação maior com Moscou. Após a reeleição de Trump, em 2024, a política mudou: além da suspensão da ajuda direta à Ucrânia, o presidente afirmou que o país não entraria na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Trump também repreendeu Zelensky em uma reunião na Casa Branca, em fevereiro de 2025, e voltou a defender que a Ucrânia tivesse um novo presidente. Nas últimas semanas, suspendeu novas sanções previstas em uma lei de 2026 sobre Rússia e Irã. A análise menciona ainda negociações entre representantes dos dois países sobre possíveis acordos comerciais envolvendo ativos da petrolífera russa Lukoil, o gasoduto Nord Stream 2 e um projeto de gás natural liquefeito no Alasca. Se concretizados, esses negócios poderiam gerar receitas para Moscou.
Possíveis mudanças no apoio americano
Apesar da redução da ajuda dos Estados Unidos, a Ucrânia mantém apoio interno e europeu. A fonte afirma que uma maioria sólida dos ucranianos ainda defende a continuidade da luta e que países europeus se dispuseram a preencher parte do espaço deixado por Washington. Empresas ucranianas de tecnologia de defesa também trabalham no desenvolvimento de armas para interceptar mísseis balísticos e drones russos.
A política americana pode mudar após as eleições de meio de mandato. Se os democratas conquistarem uma ou as duas casas do Congresso, poderão investigar acordos comerciais entre os Estados Unidos e a Rússia, propor a retomada da assistência à Ucrânia ou buscar medidas para aplicar as sanções existentes. A análise avalia que a política de Trump dificilmente será mantida por futuros presidentes e que o poder do atual presidente para moldar a relação com Moscou diminuirá nos próximos dois anos.
Zelensky afirmou que o alívio da pressão sobre a Rússia “apenas reforça a crença de Putin de que os seus objetivos estão ao nosso alcance”. A fonte considera que o presidente russo pode ter mais chances de obter um acordo favorável se negociar um cessar-fogo agora do que em um momento futuro, quando o cenário político americano poderá mudar.