Os ETFs de renda fixa estão ganhando cada vez mais destaque nas carteiras dos brasileiros, abandonando seu status de produtos exclusivos para investidores institucionais. Dados recentes da B3 mostram um crescimento impressionante: no primeiro trimestre de 2026, o número de pessoas físicas investindo em ETFs aumentou 35% em relação ao ano anterior, enquanto o patrimônio investido subiu 72%, alcançando R$ 31,1 bilhões.

Esse crescimento também se reflete na captação de recursos. De acordo com a Anbima, os ETFs de renda fixa foram responsáveis por R$ 15,5 bilhões dos R$ 17,8 bilhões captados pela indústria de ETFs no primeiro trimestre deste ano, evidenciando a crescente demanda por alternativas voltadas a um perfil conservador, especialmente em um cenário de juros elevados.
Mudança no Cenário do Investidor Brasileiro
Até pouco tempo atrás, os ETFs eram predominantemente associados à renda variável, principalmente para replicar índices de ações. Atualmente, o aumento da oferta desses produtos possibilita que eles sirvam a diferentes estratégias de investimento, incluindo aquelas focadas em renda fixa.
Rodrigo Araujo, líder de ETFs da Itaú Asset, aponta que essa evolução traz novas possibilidades ao investidor brasileiro. Ele explica:
“O crescimento dos ETFs de renda fixa no Brasil não é fruto de um único fator, mas de uma série de mudanças. O investidor busca soluções mais simples e transparentes, enquanto a regulamentação e a educação financeira avançam. Assim, esses produtos deixam de ser uma exclusividade das instituições e começam a fazer parte da carteira do investidor individual.”
Versatilidade dos ETFs na Carteira de Investimentos
Hoje em dia, os investidores utilizam os ETFs de formas cada vez mais diversificadas. Entre os objetivos, destacam-se:
- Construir uma carteira de longo prazo
- Proteger-se contra volatilidades do mercado
- Gerir liquidez
- Acessar investimentos de renda fixa
Essa expansão do uso de ETFs se alinha ao que já é observado em mercados financeiros mais desenvolvidos, como o dos Estados Unidos. Araujo acredita que o amadurecimento do mercado brasileiro ainda deixa espaço para um crescimento significativo da indústria nos próximos anos.
Impetus para o Crescimento do Mercado de ETFs
Os fatores que devem impulsionar ainda mais a popularização dos ETFs de renda fixa incluem:
- Aumento da participação de investidores indivíduos
- Adesão crescente por assessores e planejadores financeiros
- Maior presença de investidores institucionais
- Educação financeira em expansão
- Lançamento de novas estratégias por gestoras
“Estamos vendo um movimento constante na direção de adotar ETFs de renda fixa. Esse crescimento deve se intensificar com a inclusão de mais produtos que atendam a diferentes perfis de investidores,” afirma Araujo.
Novos Produtos no Mercado: Destaque para o CDIB11
Recentemente, um novo ETF chamou a atenção por sua proposta conservadora: o CDIB11, da Itaú Asset. Este produto é ideal para aqueles que buscam uma alternativa segura para gestão de liquidez, mantendo uma maior parte da carteira em títulos do Tesouro Selic e uma porção menor em NTN-Bs de longo prazo. Esse arranjo possibilita a aplicação da alíquota fixa de 15% de Imposto de Renda sobre os lucros.
Além das características atrativas em termos de investimento, o CDIB11 não possui come-cotas, é isento de IOF e não exige recolhimento de DARF, tornando-o ainda mais interessante para o investidor.
“Com o CDIB11, ampliamos a gama de ETFs de renda fixa, oferecendo uma solução prática e acessível para aqueles que desejam uma reserva de liquidez de forma simples e transparente,” conclui Araujo.
Os ETFs de renda fixa não apenas se mostram como uma opção atraente, mas também refletem um movimento em direção a uma maior inclusão financeira no Brasil. A barreira entre investidor institucional e pessoa física está se dissipando e, à medida que a oferta cresce e as possibilidades se diversificam, a tendência é que cada vez mais brasileiros descubram as vantagens de incorporar esses instrumentos em suas carteiras.