Andrea Sambati, presidente da Boehringer Ingelheim no Brasil e um dos destaques da lista Forbes Melhores CEOs de 2026, voltou ao país em 2023 para liderar uma operação com 1.600 funcionários e uma fábrica que exporta para mais de 100 países. A executiva chegou ao comando local após mais de 15 anos de carreira internacional, com passagens pela Alemanha, Suécia e Canadá.
Da indústria automotiva à farmacêutica
Formada em engenharia de produção, Sambati nasceu em São José dos Campos, no interior paulista, e começou a carreira em uma empresa de autopeças. Aos 25 anos, assumiu uma gerência com 30 funcionários. Alguns deles tinham 25 anos de empresa. Ela diz que a experiência influenciou seu estilo de liderança, baseado em colaboração e disposição para aprender.
Depois de passar dois meses na empresa da família, decidiu buscar novos desafios e entrou na indústria farmacêutica. Trabalhou primeiro na MSD, sigla de Merck Sharp & Dohme, e depois na Roche. Na Roche, chegou a liderar uma unidade de negócios de oncologia. A Boehringer Ingelheim a convidou então para criar uma área equivalente do zero.
Antes de ingressar na farmacêutica, ela havia recebido uma oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos, mas não pôde aceitar porque estava grávida do primeiro filho. A experiência internacional viria mais tarde. Segundo Sambati, ela passou por três países antes de retornar ao Brasil.
Experiência global e liderança
Com menos de um ano na Boehringer, a executiva foi convidada a assumir uma posição global na matriz, na Alemanha. O período, inicialmente previsto para durar dois anos, se estendeu por seis. Nesse intervalo, participou do lançamento mundial de um medicamento para fibrose pulmonar, acompanhando o projeto desde os estudos de fase 2 até a consolidação do produto como líder de mercado.
Depois, recebeu o convite para presidir a operação da empresa na Suécia. Sambati afirma que não havia considerado essa possibilidade e que, até então, nunca tinha tido uma mulher como presidente nas companhias em que trabalhara. Também chegou a questionar se o cargo seria compatível com a maternidade e com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Na Suécia, liderou uma equipe de 100 pessoas e uma operação com faturamento de cerca de R$ 100 milhões. De acordo com ela, no segundo ano, o negócio cresceu cinco vezes mais que o restante da Europa e cinco vezes acima do previsto. Sambati atribuiu o resultado à construção de um ambiente positivo e à conexão pessoal com os funcionários.
Em 2019, mudou-se para o Canadá, escolha ligada ao desejo do filho de cursar faculdade no país. A operação canadense tinha 600 funcionários e faturamento cinco vezes maior que o da Suécia. O período também incluiu o enfrentamento da pandemia de COVID-19.
Retorno ao Brasil e planos de crescimento
Quase quatro anos depois, surgiu a oportunidade de voltar ao país. Os filhos permaneceram no Canadá para estudar. No Brasil, Sambati assumiu uma estrutura maior, que inclui uma fábrica em Paulínia, no interior de São Paulo, responsável por exportar para mais de 100 países. A unidade produz o NexGard, principal produto global de saúde animal da empresa, que, segundo a executiva, era usado por seu cachorro quando ela morava na Suécia e no Canadá.
A Boehringer não divulga o faturamento da operação brasileira. Sambati afirma, porém, que o país está entre os mercados com maior potencial de crescimento para a companhia nas áreas de saúde animal e humana. Uma das apostas é a survodutida, medicamento que está em fase 3 de desenvolvimento para perda de peso e que pode reduzir a gordura no fígado.
“O Brasil é um dos maiores mercados de GLP-1”, diz a executiva. Uma estimativa do Itaú BBA citada por ela aponta que esse mercado poderá chegar a R$ 61 bilhões até 2030.
Formação de profissionais
Além dos resultados da operação, Sambati destaca o desenvolvimento de funcionários como parte de seu trabalho. No ano passado, 20 brasileiros foram expatriados pela companhia, enquanto quase 100 profissionais do país atuavam em operações da empresa no exterior.
Para a presidente, abrir oportunidades para outras pessoas se tornou uma missão. Ela defende aceitar desafios mesmo sem se sentir totalmente preparado e experimentar novas culturas como formas de ampliar a capacidade profissional. A trajetória de Sambati na Boehringer começou com uma mudança para a matriz alemã que, segundo ela, alterou de maneira significativa o rumo de sua carreira.