Exportações de Carne Bovina Disparam: 2,43 Milhões de Toneladas e Destaques Imperdíveis do AgroRound!


### Panorama das Exportações Brasileiras: Carne, Algodão e Mais

O agronegócio brasileiro continua a desempenhar um papel crucial na economia do país, refletindo tendências tanto internas quanto globais. Vamos explorar as principais movimentações no setor, com foco nas exportações de carne bovina e algodão, além de inovações e conquistas de produtores.

#### Exportações de Carne Bovina: O Que Mudou?

Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina, número muito parecido com o de 2025, que foi de 2,44 milhões de toneladas. Entretanto, a receita registrada subiu 14,1%, alcançando impressionantes US$ 14,17 bilhões. No entanto, em setembro, observou-se uma queda significativa nos embarques, que totalizaram 229,3 mil toneladas, representando uma redução de 35,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita também caiu, recuando para US$ 1,38 bilhão, uma diminuição de 27,6%.

Essas quedas estão principalmente ligadas à diminuição das exportações para a China, o principal comprador da carne brasileira. Em setembro, o país asiático recebeu apenas 12,9 mil toneladas, uma redução alarmante de 93,2%, resultando em uma receita de apenas US$ 75,2 milhões, uma queda de 92,9%. Ao longo do ano, as vendas para a China totalizaram 912 mil toneladas e US$ 5,59 bilhões, queda de 20,9% e 7,8%, respectivamente.

Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), ressalta que, embora a indústria tenha aumentado sua presença em outros mercados, estes ainda não conseguiram compensar a perda significativa de demanda da China. “Os últimos três meses foram desafiadores, uma vez que reduzimos nossos embarques para a China em cerca de 90%”, afirma Perosa, destacando que, apesar disso, houve um grande crescimento nos primeiros semestres.

A boa notícia é que os Estados Unidos se destacaram como um mercado crescente, recebendo 317,4 mil toneladas e gerando uma receita de US$ 2,08 bilhões, resultados que correspondiam a aumentos de 45% e 60,8% respectivamente. Além disso, países como Chile e Rússia também intensificaram as suas compras. As indústrias já se preparam para um novo ciclo com a cota chinesa e estão em discussões com o governo para assegurar uma distribuição mais equitativa dos embarques ao longo de 2027.

#### A Certificação Carbono Neutro dos Produtores da Capebe

Em uma conquista relevante, cinco produtores cooperados da Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança (Capebe), localizada no Sul de Minas Gerais, obtiveram a certificação de Carbono Neutro para suas propriedades de leite e café. Essa certificação demonstra que os processos produtivos dessas fazendas contribuíram mais para a remoção de gases de efeito estufa do que para a sua emissão, integrando o programa Café Carbono Neutro, desenvolvido em parceria com a consultoria E2Carbon.

Esse selo permite que as propriedades utilizem a marca Carbono Neutro em suas vendas, o que agrega valor e facilita o acesso a financiamentos sustentáveis. “A valorização do cooperado é fundamental para a construção de um equilíbrio ambiental,” afirma André Luiz Reis, diretor-presidente da Capebe.

As fazendas auditadas utilizam os dados da certificação para melhorar sua posição no mercado de cafés especiais, um segmento em expansão.

#### Exportações de Algodão em Alta

O setor de algodão também apresenta bons resultados, com as exportações brasileiras atingindo 453 mil toneladas no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em setembro, sozinho, o Brasil embarcou 191,5 mil toneladas e gerou uma receita de US$ 332,4 milhões, representando um crescimento de 14,4%.

Dentre os mercados compradores, a Índia se destacou, recebendo 25,3% do total exportado. Além disso, as vendas para polos têxteis como Bangladesh, Turquia e Vietnã vêm reforçando a competitividade do Brasil no cenário global. Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), enfatiza a importância de aprimorar a eficiência logística e a infraestrutura de escoamento para manter o crescimento do setor.

#### O Impacto do PEA Campo Limpo

O Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo, promovido pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), tem impactado 3 milhões de alunos desde sua implementação em 2010. Em 2025, o programa atingiu 285.246 estudantes do 4º e 5º ano em 3.203 escolas de 402 municípios.

Essa iniciativa é parte de um projeto maior que visa promover a logística reversa das embalagens de defensivos agrícolas. O programa não só promove a educação ambiental, mas também colabora na gestão de resíduos sólidos e no incentivo de práticas de consumo consciente. Marcelo Okamura, diretor-presidente do inpEV, afirma que a educação ambiental nas escolas é essencial para formar cidadãos conscientes sobre as questões ambientais atuais.

#### Parcerias Tecnológicas no Campo

Em um desenvolvimento inovador, a Cerradinho Bioenergia e a Vivo firmaram uma parceria para implementar a tecnologia 4G em uma área de 1,4 milhão de hectares no interior de Goiás. Essas novas torres terão impacto direto nas operações da companhia, facilitando a automação e a telemetria nas atividades agrícolas e industriais.

Esse investimento não apenas aprimora a operação interna da empresa, mas também beneficiará as comunidades locais através da melhoria na conectividade em áreas rurais. Adriano Pereira, diretor de IoT da Vivo, salienta a importância dessa infraestrutura digital, que promete aumentar a eficiência e reduzir falhas no campo.

#### Prêmio de Qualidade do Cacau e o Reconhecimento dos Produtores

A Fazenda Guarani, gerida por Ana Claudia Milanez Rigoni, conquistou o primeiro lugar na segunda edição do Prêmio Garoto Cacau de Qualidade, promovido pela Garoto. Este reconhecimento é um estímulo para os produtores capixabas que fazem parte do Nestlé Cocoa Plan, que busca valorizar a sustentabilidade e a qualidade do cacau no Espírito Santo.

Além da premiação em si, a Fazenda Guarani passará a ter sua história impressa nas embalagens dos produtos Garoto. Igor Mota, gerente de agricultura para cacau na Nestlé Brasil, destaca que o prêmio reflete a dedicação dos produtores e a evolução da cacauicultura na região.

#### Avanços e Desafios da Cadeia Suinícola

A Frimesa, uma das principais cooperativas de suínos do Brasil, obteve uma certificação internacional da QIMA, validando diversos critérios de produção e bem-estar animal. Essa auditoria comprova o compromisso da cooperativa em atender padrões sanitários e ambientais rigorosos.

Essa certificação não apenas fortalece a posição da Frimesa no mercado externo, mas também contribui para a estabilidade do fornecimento de animais para a indústria. Segundo Marlon Pappen, gerente de Suprimentos Suínos, essa validação externa é essencial para a sustentabilidade e a expansão dos negócios da cooperativa.

#### O Futuro do Setor Agroindustrial

À medida que a indústria agrícola enfrenta desafios e se adapta às demandas externas e internas, é vital fomentar a inovação e a colaboração entre todos os atores do setor. A interligação entre a produção, distribuição e consumo se torna cada vez mais crucial na busca por sustentabilidade e resiliência.

As inovações tecnológicas, como as implementações de 4G e a educação ambiental, mostram um caminho promissor, incentivando práticas mais verdes e produtivas. Para o Brasil se manter competitivo no cenário global, é imprescindível que o setor continue a investir em eficiência e qualidade, tornando-se cada vez mais sustentável e ético.

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