O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou no domingo (1º) que a Rede Globo desistiu de uma entrevista exclusiva depois que ele condicionou a conversa à exibição integral, sem cortes ou temas proibidos. Em publicação na rede social X, também acusou a emissora de preparar uma reportagem sobre ele para o Fantástico sem incluir sua versão. A Globo havia sido procurada para comentar as declarações e ainda não tinha respondido.
Senador acusa emissora de recuar
Na nota, intitulada “Nota ao Brasil”, Flávio disse que foi procurado por diferentes veículos de comunicação durante a semana, entre eles a Globo. Segundo o senador, ele aceitou o convite para a entrevista exclusiva com a condição de que o conteúdo fosse exibido na íntegra. Ele afirmou que a emissora preferiu não seguir adiante.
Flávio também declarou que, pelo que “tudo indica”, o Fantástico exibiria naquele domingo uma reportagem longa a seu respeito, sem lhe dar direito de resposta. Na publicação, disse que, se o maior grupo de comunicação do país está “com medo”, não teria condição moral de julgá-lo ou tentar destruir sua reputação. A afirmação sobre a reportagem e a desistência da entrevista foi apresentada pelo senador; a emissora não havia se manifestado até o momento informado.
O parlamentar disse que pretende conversar nos próximos dias com veículos nacionais e estrangeiros. De acordo com ele, as entrevistas serão feitas “sem cortes, sem filtro”, para que possa expor pontos que, em sua avaliação, não conseguiria dizer enquanto estivesse no Brasil.
Viagem aos Estados Unidos
Flávio chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, acompanhado da família, depois de sair do Brasil por via terrestre em direção à Argentina. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o senador entregasse os passaportes e impor medidas cautelares.
Segundo o relato publicado, o senador teria cruzado a fronteira com a Argentina e embarcado em um avião particular, com escala no Equador, antes de chegar a Miami. Ele não detalhou publicamente como organizou ou financiou o deslocamento.
A saída do país aconteceu depois de Flávio dizer, em um vídeo, que não pretendia viajar e que entregaria os passaportes. Mais tarde, afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal ao sair da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que decidiu viajar após conversar com a mulher.
Na nota de domingo, o senador declarou que a decisão judicial contra ele foi publicada sete minutos depois do anúncio do resultado eleitoral. Disse também que recebeu a intimação em via pública, 12 horas depois, ao deixar a casa do pai. Flávio classificou as medidas como o início de uma perseguição política e judicial.
Críticas a decisões judiciais
O senador relacionou sua situação à prisão de Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos no processo sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. Na publicação, afirmou que o pai não cometeu crime e mencionou a distância de outro filho, que, segundo ele, está há mais de um ano e meio sem vê-lo.
Flávio também criticou Alexandre de Moraes e afirmou que a polícia foi enviada à sua casa para realizar buscas que, segundo sua versão, chegaram às roupas íntimas de suas filhas. Ele disse estar em um país onde pode expressar opiniões sem ser alvo do que considera decisões judiciais arbitrárias.
O parlamentar afirmou que disputou a Presidência enfrentando um sistema político que, na avaliação dele, deseja manter a situação atual do Brasil. Disse não se arrepender de suas ações e declarou que continuará a se manifestar dos Estados Unidos. Na nota, também citou uma frase atribuída a Cristiano Zanin, datada de 7 de agosto de 2016, sobre a inexistência de um remédio eficaz no Brasil para interromper violações de direitos humanos.
Ao encerrar a publicação, Flávio escreveu: “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil”. A frase acompanhou críticas às medidas judiciais e a defesa de que pretende apresentar sua versão em entrevistas no exterior.