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Herança em Crise: O Verdadeiro Desafio nas Sucessões Familiares Segundo Estudo da McKinsey

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Desvendando os Desafios da Sucessão em Empresas Familiares

Quando um CEO de uma empresa familiar decide se afastar, pode ser um momento de grandes transformações — e nem sempre positivas. O que acontece com as empresas familiares após a transição de liderança é intrigante e merece uma análise aprofundada. De acordo com uma pesquisa da McKinsey, que examinou mais de 200 empresas em 50 países, observou-se que, em média, o desempenho em receita, lucro e retorno aos acionistas fica comprometido nos cinco anos seguintes à saída do líder. Os dados mostram uma queda de cerca de 5,7 pontos percentuais nos retornos, além de um crescimento mais lento nas receitas e nas margens de lucro.

Por que a Sucessão é Tão Desafiadora?

A primeira pergunta que surge é: o que torna a sucessão em empresas familiares tão problemática? Comumente, as atenções se voltam para o herdeiro, como os irmãos da série Succession, popular na HBO, que enfrentam intensos conflitos familiares. Contudo, a pesquisa da McKinsey revela que essa ideia de um herdeiro incompetente não é bem sustentada pelos fatos. O desempenho de empresas familiares tende a deteriorar após a transição de CEO, independentemente de a nova liderança vir de dentro ou de fora da família. Surpreendentemente, apenas um terço das transições resultou em valor agregado.

Assim, se a competência do sucessor não é o único fator, então quem ou o que está por trás desse desempenho insatisfatório? A resposta aponta para o CEO que está deixando o cargo.

Os Dilemas de um Líder em Transição

A transição de liderança pode ser complexa para qualquer líder, mas torna-se ainda mais complicada quando se trata do chefe de uma empresa familiar, cujo papel muitas vezes se entrelaça com sua vida pessoal. Essa dificuldade se manifesta de duas formas principais:

  1. Saída Prematura: Alguns CEOs podem sair antes do momento ideal, deixando a seus sucessores uma herança de problemas não resolvidos e sistemas antigos ainda em funcionamento, além de estruturas de comando desenhadas em torno do próprio autoritarismo.

  2. Atuação nos Bastidores: Há também aqueles que nunca realmente se afastam, continuando a intervir de maneira a minar a autoridade do sucessor e criar confusão organizacional.

Esses desafios frequentemente levam os novos líderes a passar os primeiros anos operando em modo de sobrevivência, focando em resolver questões herdadas, em vez de implementar uma nova visão.

Como Facilitar uma Sucessão Eficiente?

Se a saída de um CEO pode ser um campo de armadilha, quais práticas podem torná-la mais bem-sucedida? Vamos explorar três estratégias que podem ajudar a fazer a transição de forma mais suave.

1. Planejamento Antecipado da Sucessão

Um dos principais ensinamentos da McKinsey é que a preparação para a sucessão deve começar muito antes do anúncio formal. A pesquisa sugere que a transição de um CEO pode levar de 8 a 15 anos, mas muitas famílias começam esse planejamento apenas quando o líder já está em declínio, o que é um erro.

Empresas que se destacam na transição começam a identificar e preparar sucessores bem antes da descontinuidade, criando um ambiente propício para mudanças. Um CEO de um conglomerado europeu com mais de 100 anos de história afirmou que essa é a decisão mais importante a ser tomada.

2. Estrutura e Clareza

As empresas que conseguem gerenciar essa fase de maneira eficiente não engolem o instinto controlador do CEO que está saindo; ao contrário, elas redirecionam isso. O desenvolvimento de uma estrutura clara para a sucessão, assim como a resolução de ineficiências operacionais e conflitos organizacionais, são ações essenciais.

Um exemplo prático foi observado em empresas que abordaram a saída do líder como um projeto, com um plano estruturado para a transferência de conhecimento e uma gradual passagem de responsabilidades.

3. Uma Saída Com Propósito

Por fim, ter um próximo passo definido pode facilitar a transição. CEOs que se envolvem em novas atividades, como cargos em conselhos ou mentorias, costumam ter mais sucesso em transferir o controle. O fundador de uma empresa asiática de bens de consumo, por exemplo, fez uma clara distinção, adotando a filosofia: “olho no negócio, mas mãos fora da operação”.

Exemplos de Sucesso e Fracasso

  • Sucessos: Empresas familiares que implementaram processos bem definidos aumentaram receitas e margens de lucro em até quatro pontos percentuais após a transição.

  • Fracassos: Por outro lado, transições mal executadas resultam em perdas significativas; estima-se que a má gestão dessas mudanças destrua cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado global anualmente.

Refletindo sobre o Legado

Líderes que passaram uma vida inteira construindo suas empresas muitas vezes enfrentam dificuldade em delegar suas responsabilidades. No entanto, a entrega bem-sucedida do controle não é apenas benéfica para a organização, mas também para o legado do próprio CEO.

O estudo revela que nas empresas cuja transição foi bem gerida, os CEOs tendiam a abordar sua saída com a mesma determinação e disciplina que empregaram ao longo de sua carreira. Uma transição cuidadosa não é apenas prática, mas representa um verdadeiro valor para toda a estrutura familiar e organizacional.

Portanto, se você está à frente de uma empresa familiar ou conhece alguém nesse caminho, considere as lições aqui discutidas. O planejamento e a execução rigorosa de uma transição podem não apenas evitar crises, mas também abrir as portas para um futuro brilhante e sustentado. Afinal, se você ama o que construiu, permitir que seu legado siga em frente com responsabilidade é o melhor presente que você pode oferecer a si mesmo e à sua família.

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