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Impacto da Suspensão da União Europeia: O Que Esperam os Exportadores de Carne Bovina do Brasil?

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Na última quarta-feira (2), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) anunciou que o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) já forneceu às autoridades da União Europeia (UE) as garantias necessárias para o controle do uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. Essa divulgação acontece um dia antes da pausa nas exportações de carne bovina do Brasil para a UE, programada para esta quinta-feira (3). A interrupção ocorre após a Comissão Europeia ter declarado que ainda não recebeu as garantias adequadas em relação ao cumprimento das normas de segurança alimentares. No ano de 2025, as exportações de carne bovina do Brasil para a UE somaram US$ 1,05 bilhão, representando cerca de 5,86% das receitas brasileiras nesse setor. O Brasil é considerado o segundo maior fornecedor desse tipo de carne para o bloco europeu.

A ABIEC ressaltou que o foco neste momento é reintegrar o Brasil entre os países autorizados a exportar para a UE, já que as garantias oficiais foram apresentadas. A associação está colaborando com o MAPA, oferecendo suporte técnico, enquanto o governo brasileiro lidera as conversas com as autoridades europeias.

No setor privado, a ABIEC, em parceria com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), desenvolveu um protocolo para gerenciar o uso de antimicrobianos na cadeia de bovinos. A ABIEC informa que esse mecanismo já faz parte das garantias oficialmente apresentadas e já está sendo aplicado por todas as empresas associadas habilitadas a exportar para o mercado europeu.

A UE impõe normas rigorosas sobre a utilização de certos antimicrobianos, muitos dos quais são também utilizados no tratamento de humanos. Essas substâncias têm a função de combater microrganismos como bactérias, fungos e vírus, sendo que, na produção animal, incluem medicamentos para prevenir ou tratar infecções. O uso de antibióticos é o aspecto que gera mais preocupação.

Para a carne bovina, a Comissão Europeia determinou que as garantias devem abranger todo o ciclo de vida dos animais. Em maio, o bloco já havia retirado o Brasil da lista de países que cumprem as exigências para a exportação de determinados produtos de origem animal, com a suspensão das importações tendo início no dia 3 de setembro.

De acordo com a ABIEC, essa medida é uma exigência regulatória do mercado europeu e não altera os padrões de qualidade, segurança ou sanidade da carne brasileira. Apesar de o Brasil exportar seus produtos para mais de 170 mercados ao redor do mundo, a redistribuição dos produtos não ocorre de forma automática quando um comprador temporariamente para de receber os embarques.

Desafios do Mercado Europeu

O mercado europeu não pode ser substituído de forma automática, pois diferentes destinos têm demandas específicas por cortes e produtos diferenciados”, destacou a ABIEC. A UE é um parceiro comercial valioso para o Brasil por conta dos cortes que compra, como alcatra, filé mignon e contra-filé, que possuem um alto valor agregado. Por outro lado, a China costuma adquirir a carcaça inteira e processar os cortes internamente.

A ABIEC mantém a sua posição de que a carne brasileira continuará sendo comercializada nos mercados onde o país possui autorização para operar, enquanto as negociações para reestabelecer o acesso à UE seguem em andamento. A prioridade é restaurar os embarques sem comprometer a diversidade de destinos atuais do mercado exportador.

Em uma declaração na última terça-feira (1º), um representante da Comissão Europeia informou que ainda não haviam sido recebidas garantias adequadas em relação ao uso de antimicrobianos. Para os bovinos, as exigências incluem registros que cubram todas as fases da vida dos animais. A Comissão não estabeleceu um prazo específico para a retomada das importações brasileiras.

Vale destacar que a suspensão decretada pela UE também abrangerá outros produtos de origem animal do Brasil. No caso da carne de frango, o mercado europeu importou US$ 763 milhões do Brasil em 2025, representando cerca de 8% do total exportado pelo setor. Uma auditoria sobre a produção brasileira de aves e mel estava programada para ser finalizada no final desta semana, mas a Comissão Europeia informou que os resultados não estariam disponíveis num período imediato. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) está acompanhando a auditoria junto ao governo brasileiro e afirmou que as inspeções estão prosseguindo de maneira satisfatória até o momento.

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