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Irã e Suas Amizades Instáveis: O Que Está Por Trás das Parcerias Duvidosas?

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A Guerra Regional e as Milícias Iraquianas: O Papel das Forças Pró-Iranianas

À medida que os Estados Unidos e Israel intensificam seus ataques ao Irã, o chamado “eixo de resistência” está se envolvendo em um conflito de proporções regionais. Desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro, as milícias apoiadas pelo Irã em território iraquiano foram as primeiras a agir, atacando alvos norte-americanos e curdos no Iraque e em países vizinhos. Em um movimento correspondente, o grupo libanês Hezbollah disparou uma série de foguetes e drones contra Israel, em resposta ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

O Contexto das Milícias Pró-Iranianas

Antes deste novo ciclo de conflitos, a rede regional de grupos proxy do Irã enfrentava um cenário adverso. Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, as forças israelenses não apenas devastaram Hamas e outros grupos militantes na Faixa de Gaza, como também desmantelaram significativamente as capacidades militares do Hezbollah no Líbano. As milícias houthis no Iémen também sofreram ataques similares. As únicas forças do eixo de resistência que conseguiram permanecer relativamente intactas são as milícias pró-Iranianas no Iraque. A maioria delas, percebendo a gravidade da situação, optou por não se envolver diretamente no conflito, mas começaram a lançar pequenos ataques aéreos e ataques de drones contra os Estados Unidos e seus aliados.

O Surgimento das Milícias

As milícias que hoje operam no Iraque foram formadas em meio à ocupação americana, a partir de 2006, com apoio do Quds Force, uma divisão do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que se dedica a operações externas. Naquele período, o Quds Force começou a financiar e treinar facções dentro do Exército Mahdi, um dos principais grupos xiitas que lutavam contra as forças dos EUA.

Porém, os tempos mudaram. Milicianos que antes eram movidos por ideais de resistência agora se veem mais interessados em questões materiais. Por exemplo:

  • Motivações de Combate: Originalmente, milicianos se uniam por uma combinação de fatores subjetivos, incluindo busca por dinheiro, ideais religiosos e o desejo de combater a ocupação estrangeira. Hoje, muitos são impulsionados pela necessidade de garantir suas economias pessoais.

  • Evidências Pessoais: Tive a oportunidade de me aprofundar nesse universo, passando 903 dias sob a custódia da Kataib Hezbollah, a maior milícia pró-Irã do Iraque, e conversei com diversas fontes, que incluiram políticos e ex-integrantes de milícias, sobre a transformação das motivações dessas tropas.

Uma Nova Dinâmica nas Misasira

Recentemente, após a explosão de ataques aéreos em janeiro de 2024, que resultaram na morte de soldados americanos, a resposta imediata foi a paralisação das ofensivas contra alvos dos EUA. Isso demonstra uma estratégia cuidadosa, em que a prioridade das milícias é manter sua própria sobrevivência e evitar retaliações devastadoras.

A Economia das Milícias: Entre Lucros e Poder

As milícias não apenas desempenham um papel militar; elas também se tornaram um importante ator econômico. A exploração das fronteiras entre o lucro e o poder político gera uma dinâmica complexa. Alguns pontos importantes incluem:

A Profitação das Riquezas

  • Crescimento Exponencial: A expansão das milícias ulteriores à guerra civil na Síria e à luta contra o ISIS abriu portas para novos lucros. A participação em atividades como contrabando de drogas e corrupção transformou essas entidades em verdadeiros conglomerados financeiros.

  • Vínculo com o Estado: Embora as milícias formalmente estejam sob o comando do governo iraquiano, na prática, os soldados trabalham em estreita colaboração com o Quds Force do Irã. Muitas vezes, os líderes dessas milícias priorizam o lucro pessoal em detrimento de missões revolucionárias.

Satisfazendo Interesses Mútuos

Embora publicamente as milícias protestem contra a ocupação dos EUA e aleguem proteger o Islamismo xiita, suas operações têm se concentrado em enriquecer suas próprias lideranças e manter influência política. Os líderes compreendem que ações militares contra os Estados Unidos ou Israel podem provocar consequências desastrosas.

A Busca pela Estabilidade e Autopreservação

No atual contexto de guerra, os interesses das milícias iraquianas e do regime iraniano parecem estar se distanciando. Muitos líderes sentem que um envolvimento direto em um conflito militar representaria um risco à sua posição.

Um Novo Tipo de Guerrilha

As células mais comprometidas dentro das milícias, que atuam sob direto controle do Quds Force, continuam a perpetrar ataques limitados, mas com pouca eficácia militar e sem riscos consideráveis. Essas ações têm o objetivo de demonstrar apoio ao Irã, mas sem incitar represálias significativas.

O Que Esperar no Futuro?

Com a dinâmica atual, se o regime iraniano conseguir se manter após a guerra, as milícias continuarão a servir de suporte econômico. As dificuldades na economia iraniana, exacerbadas por sanções e corrupção, mostram como essas forças se tornam vitais para Teerã.

Reflexões Finais

A estratégia das milícias pró-Irã no Iraque revela uma complexidade que vai além do simples combate. As suas ações são guiadas por interesses pessoais e pela necessidade de manter poder em meio a uma tornando-se hostil.

O cenário pode mudar rapidamente. À medida que os interesses do regime se divergem dos das milícias, é possível que surjam novas oportunidades e desafios. O que resta para ser visto é se essas forças conseguirão trabalhar em conjunto ou se, com as mudanças no panorama regional, encontrarão novos caminhos para sua sobrevivência.

O que você pensa sobre o papel das milícias iraquianas no atual conflito entre Irã, EUA e Israel? Deixe sua opinião nos comentários!

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