Keeta Adia Lançamento no Rio de Janeiro: Um Revés Impactante no Mercado de Delivery
A Keeta, nova promessa no mercado de delivery brasileiro, chegou ao país com a intenção de desafiar o monopólio dominado por iFood e 99Food. No entanto, a entrada da empresa no Rio de Janeiro, que estava prevista para março, enfrentou um revés significativo. Recentemente, a Keeta anunciou o adiamento de sua operação na cidade e, em um movimento inesperado, demitiu uma grande parte da equipe que estava sendo mobilizada para a nova expedição.
Mudanças Drásticas na Equipe
De acordo com informações fornecidas pela própria Keeta, cerca de 200 funcionários foram desligados. Fontes internas, que optaram por preservar suas identidades, revelaram que apenas 36 colaboradores permaneceram na empresa, muitos dos quais agora enfrentam incertezas sobre suas funções enquanto a companhia reavalia sua estratégia para a região. As áreas de comercial e logística foram, aparentemente, as mais afetadas por essas demissões em massa.
Processo de Desligamento
Os colaboradores foram comunicados sobre as demissões em reuniões realizadas em dois hotéis da cidade. Cada encontro reuniu em torno de 60 pessoas, divididas em diversas salas. Uma ex-funcionária relatou: “Eu já imaginava que após o lançamento no Rio haveria um enxugamento nas equipes, mas nunca pensei que seria feito de maneira tão abrupta e sem suporte. A forma como as demissões ocorreram foi desumana, inclusive com casos envolvendo uma grávida de nove meses.”
Além da polêmica em torno das demissões, relatos de assédio moral por parte de lideranças destacam um ambiente de trabalho tenso, marcado por altas cobranças e jornadas de trabalho extenuantes. “Havia práticas abusivas, como xingamentos, e não sabíamos a quem recorrer. Se havia um departamento de Compliance, nunca fomos informados”, comentou um dos ex-colaboradores.
Desafios na Logística e Estreitamento da Concorrência
As razões para o adiamento das operações no Rio não se limitam a questões internas. De acordo com alguns ex-funcionários, desafios na logística, especialmente na entrega em comunidades, desempenharam um papel fundamental. Um problema específico foi a cláusula que impedia os restaurantes de realizarem entregas próprias, o que dificultou a atuação em determinadas áreas.
A Keeta também se baseia em um modelo exclusivo de Operadores Logísticos (OLs), onde os entregadores são contratados por empresas terceirizadas. No entanto, essa abordagem encontrou resistência entre os entregadores da região, que preferem contratos mais flexíveis.
Visão Interna sobre o Adiamento
Uma ex-funcionária comentou: “Parece que a Keeta teve dificuldades em recrutar entregadores com o perfil que buscavam. A empresa percebeu que não conseguiria oferecer a entrega rápida, um dos seus diferenciais, no tempo que previam.”
A empresa afirma que a decisão de adiar o lançamento está relacionada ao desejo de aprimorar os serviços oferecidos a consumidores, restaurantes e entregadores parceiros. A Keeta também mencionou a necessidade de endereçar questões estruturais que inibem uma concorrência saudável no segmento de delivery no Brasil.
Investimentos e Look para o Futuro
Apesar das dificuldades, a Keeta reafirma seu compromisso com o Brasil e mantém seus 1.200 postos de trabalho ativos, concentrando esforços no desenvolvimento de operações em São Paulo. A empresa anunciou um investimento de R$ 5,6 bilhões nos próximos cinco anos, reafirmando a intenção de expandir suas operações no país.
Resposta Oficial da Keeta
A Keeta se manifestou oficialmente, ressaltando: “O adiamento do lançamento no Rio de Janeiro está focado na melhoria dos padrões de serviço e na resolução de questões que inibem a concorrência saudável no mercado brasileiro. Estamos comprometidos em construir um ecossistema de delivery aberto e sustentável.”
O Desafio do Mercado de Delivery no Brasil
A Keeta, braço internacional da chinesa Meituan, desembarcou no Brasil no final de 2025, inicialmente nas cidades litorâneas de São Paulo. Apesar de números promissores em adesão de usuários e restaurantes, a expansão para o Rio de Janeiro revelou-se mais desafiadora do que esperado.
Obstáculos na Região
Um dos principais obstáculos mencionados pela empresa foram as cláusulas de exclusividade impostas pelos concorrentes, que tornam o mercado concentrado e dificultam a atuação da Keeta na capital fluminense. Durante uma declaração anterior, Tony Qiu, presidente de Operações Internacionais da Keeta, chegou a caracterizar o mercado de delivery no Brasil como “disfuncional”.
Com um investimento inicial previsto em R$ 400 milhões para sua operação no Rio, a empresa indicou que já tinha 17 mil restaurantes prontos para integrar a plataforma. No entanto, das 800 redes de restaurantes de alta classificação, mais da metade já possuía acordos de exclusividade com outros aplicativos.
Reflexão sobre o Futuro do Delivery
Diante do que ocorreu, é relevante refletir sobre o futuro do delivery no Brasil. A Keeta parece determinada a superar os obstáculos, procurando não apenas oferecer um novo serviço, mas também contribuir para um mercado mais aberto e competitivo.
E você, o que pensa sobre a situação atual do mercado de delivery e a trajetória da Keeta? Sinta-se à vontade para compartilhar suas opiniões e reflexões nos comentários. Afinal, o diálogo é sempre bem-vindo, especialmente em tempos de transformação.
Considerações Finais
Com a promessa de inovação e competitividade, a Keeta poderá vir a ser um jogador relevante no mercado brasileiro, mas os desafios que encontra no caminho são significativos. À medida que a empresa estabelece suas bases e revisita suas estratégias, será interessante acompanhar sua evolução e ver como ela conseguirá se destacar em um mercado tão dinâmico.
