O Dia Internacional dos Fundos Marinhos será celebrado em 1º de novembro com uma campanha voltada à ciência e à identificação da biodiversidade que vive nas profundezas dos oceanos. A iniciativa, promovida pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em inglês), busca mobilizar pesquisadores, jovens e interessados no oceano para nomear mil espécies da fauna dos fundos oceânicos até 2030.
A data foi proclamada pela ISA, agência sediada em Kingston, na Jamaica, e chega à sua segunda celebração. O tema envolve regiões que cobrem 54% dos oceanos globais e se encontram entre 200 e 10 mil metros de profundidade. Esses ambientes abrigam ecossistemas importantes e, segundo a agência, têm relação com o equilíbrio do clima global.
Patrimônio comum da humanidade
A secretária-geral da ISA, Letícia Carvalho, afirmou que a celebração também remete à ideia de que áreas fora das jurisdições nacionais devem ser protegidas de interesses privados voltados a ganhos imediatos. O princípio, disse ela à ONU News, foi defendido há 30 anos pelo embaixador maltês Havid Pardo, em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas.
“As áreas fora de jurisdição deveriam pertencer a toda a humanidade e ser protegidas de interesses privados que possam simplesmente ser orientados pelo curto prazo e pelo retorno financeiro de curto prazo”, afirmou Carvalho, ao recordar a fala de Pardo.
Na avaliação da secretária-geral, reconhecer os fundos marinhos como patrimônio comum cria um compromisso com as gerações atuais e futuras. A regra deve valer tanto para recursos que venham a ser explorados quanto para aqueles que sejam conservados: os benefícios precisam alcançar a humanidade como um todo, com equidade.
A ISA tem, nesse contexto, a função de impedir que os abismos oceânicos sejam explorados apenas em busca de retorno financeiro imediato. Carvalho afirmou que as áreas internacionais precisam ser protegidas de interesses privados de curto prazo. A gestão dos recursos e a preservação dos ecossistemas são parte do debate sobre o futuro dessas regiões.
Ciência e conhecimento dos oceanos
Depois de uma primeira celebração centrada no conceito de patrimônio comum, a edição de 2026 coloca a ciência em evidência. A proteção ambiental, segundo a iniciativa, depende de conhecimento produzido por pesquisas científicas e da contribuição dos saberes tradicionais de comunidades costeiras, que estão entre as primeiras a sentir os impactos de atividades econômicas nos oceanos.
O desafio de identificar e classificar espécies marinhas nas profundezas é o eixo da campanha deste ano. A meta anunciada é dar nome a mil espécies da fauna dos fundos oceânicos até 2030. Carvalho descreveu a iniciativa como uma plataforma para envolver o público nesse trabalho.
“A ideia é criar uma grande campanha onde se celebre a possibilidade de até 2030 nomearmos mil espécies da fauna dos fundos oceânicos. Esse é o grande objetivo do dia, da celebração desse ano e uma plataforma para que todos possam se engajar nesse esforço”, disse a secretária-geral.
Expedições científicas revelam novos organismos, mas encontrar uma espécie é apenas uma etapa. Identificá-la e descrevê-la ajuda a compreender o papel que ela desempenha no ecossistema e a orientar sua preservação. A campanha pretende aproximar a sociedade dessa biodiversidade por meio de uma participação pública: pessoas poderão sugerir nomes para espécies recém-descobertas.
Participação na identificação de espécies
A iniciativa abre ao público a possibilidade de contribuir com a nomeação de criaturas que habitam o assoalho oceânico ou nadam nas águas ao redor. O esforço pretende reunir jovens, cientistas e entusiastas do oceano em diferentes partes do mundo, combinando divulgação científica e engajamento com a proteção dos fundos marinhos.
Para a ISA, transformar a data em uma plataforma de participação também pode ampliar a atenção dedicada à vida marinha de profundidade. A identificação de espécies ajuda a construir conhecimento sobre ecossistemas que ocupam uma parcela extensa dos oceanos, mas permanecem pouco conhecidos em comparação com áreas mais próximas da superfície.
A campanha de nomeação integra, assim, a celebração de 1º de novembro a uma meta de longo prazo. A proposta é que a ciência e a colaboração pública contribuam para registrar mil espécies até 2030, enquanto a discussão sobre a exploração dos recursos e a conservação das áreas internacionais permanece vinculada ao princípio de benefício comum.