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Mães do Agro: Celebrando a Força e o Amor que Brotam do Solo Brasileiro

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A Importância Vital dos Solos: Entre a Fertilidade e a Sustentabilidade

Quando falamos sobre solos, é comum pensar no contraste entre um solo fértil, como o nosso Brasil, e o deserto árido. No entanto, é fundamental ir além dessa comparação simplista e entender a complexidade e a importância de cada tipo de solo em seus respectivos ambientes. A gestão adequada dos fatores que afetam os solos — como água, cobertura, profundidade, erosão e salinidade — é uma responsabilidade que não podemos ignorar. Precisamos tratar sobre a correção e a manutenção desses elementos essenciais.

Um País, Múltiplos Solos

O Brasil se destaca por seu território vasto e diversificado, não havendo um único tipo de solo que represente a totalidade do país. De acordo com a Embrapa, existem 13 classes de solos no Sistema Brasileiro, sendo que latossolos, argissolos e neossolos juntos ocupam mais de 70% do território nacional. Embora muitos desses solos apresentem características de baixa fertilidade natural, também encontramos regiões com solos de média a alta fertilidade. Isso nos leva a refletir sobre a potencialidade de cada área e sobre a necessidade de gestão e correção quando necessário.

O Cerrado e a Transformação da Produção

No Cerrado, por exemplo, uma parte significativa da produtividade agrícola não resulta de uma fertilidade natural acentuada, mas sim do trabalho árduo, pesquisa, correção, escolha cuidadosa de cultivares e práticas de manejo de água. Assim, a Embrapa destaca que é possível produzir em solos com menor fertilidade, desde que sejam superadas as limitações naturais e que haja reposição do que é retirado pelo cultivo. É um exemplo inspirador de como a agricultura brasileira conseguiu superar desafios e transformar restrições em oportunidades.

Ademais, o Brasil possui uma vantagem competitiva inegável, reunindo um território diversificado, riqueza em produção de biomassa e uma agricultura tropical bem estruturada. A preservação desses recursos é vital, em um momento em que desertos e áreas de baixa produtividade revelam a importância da gestão adequada dos insumos disponíveis. Definitivamente, a produtividade futura não se baseará apenas na fertilidade intrínseca do solo, mas sim na habilidade de gerenciar efetivamente água, cobertura, raízes, matéria orgânica e riscos diversos.

A Diversidade das Terras Secas

É crucial entender que deserto não equivale a solo estéril. Os diversos desertos ao redor do mundo são únicos, apresentando variedades em solo, vegetação e capacidade produtiva. A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação define terras secas como um conjunto de ambientes que abrangem áreas hiperáridas, áridas, semiáridas e subúmidas secas. Juntas, essas áreas representam cerca de 40% da superfície terrestre, com presença em todos os continentes.

  • Característica das Terras Secas: Elas incluem pastagens, savanas, zonas de vegetação adaptada e margens de rios, onde a produção depende de uma combinação eficaz de disponibilidade hídrica, escolha de espécies adequadas e infraestrutura robusta.
  • O Deserto em Perspectiva: A escassez de água, a vegetação esparsa e a lenta geração de matéria orgânica formam um sistema delicado em que a recuperação e a proteção do solo se tornam primordiais.

A Água: Recurso Estratégico

No Brasil, a chuva desempenha um papel fundamental na agricultura. Mesmo com sua distribuição irregular, temos um patamar de precipitação que favorece a formação de cobertura vegetal e manutenção da umidade no solo. Contudo, é preciso estar atento: a remoção da vegetação expõe o solo à erosão e reduz a eficiência da água nas raízes, comprometendo a capacidade produtiva a longo prazo.

As terras secas revelam um cenário distinto, onde a precipitação é escassa e irregular e a evaporação é elevada. Aqui, a agricultura deve ser um jogo de precisão, pois irrigar sem cuidado não resolve os problemas. A água deve ser aplicada em quantidades exatas, no momento certo e com drenagem apropriada. Segundo a Agência de Meio Ambiente de Abu Dhabi, mais de 80% das áreas irrigadas nos Emirados Árabes Unidos enfrentam problemas de salinidade, uma consequência da baixa chuva e estratégias inadequadas de irrigação.

A Cobertura Vegetal: Ativo Valioso

Aprendemos no agronegócio brasileiro que a cobertura do solo é nossa primeira defesa. Elementos como palhada, raízes saudáveis, rotação de culturas e práticas integradas de manejo nos ajudam a proteger o solo. Especialmente na pecuária, a pastagem deve ser vista como uma lavoura permanente, que precisa de planejamento para se manter saudável e vigorosa. Um solo descoberto é um solo exposto ao risco, tanto no Brasil quanto em regiões desérticas.

Custos e a Realidade em Petrolina

A dinâmica dos custos em solos áridos é bastante peculiar. Segundo a FAO, aproximadamente 10,7% das terras do planeta enfrentam problemas de salinidade. Esse desafio não é exclusivo de desertos; ele pode surgir em qualquer região, potencializado por irrigação inadequada, alterações climáticas e escassez de água.

Um ambiente desértico pode suportar o cultivo de forragem e hortaliças, mas isso exige um manejo intensivo que envolve a captação de água, dessalinização e monitoramento constante. A produção não depende apenas do solo, mas também da capacidade de governar um sistema que integra água, solo e energia.

Um exemplo positivo é Petrolina (PE), que desde 1968 vem implementando técnicas de irrigação e dessalinização, ajudando a aumentar a produção de frutas como uvas e mangas. Esse projeto em um ambiente semiárido, que enfrenta a salinização devido às suas condições climáticas, ilustra como a irrigação pode ser vital para o desenvolvimento regional. No entanto, isso só é sustentável com uma gestão integrada de água, solo e drenagem.

A Governança dos Solos e Sustentabilidade

O papel do solo em qualquer ecossistema é essencial: ele armazena água, sustenta raízes, filtra fluxos e abriga vida. Ele contribui também para o armazenamento de carbono, influenciando o clima. A diferença entre ambientes como o Brasil e um deserto está nas funções naturais que cada um oferece e nos recursos necessários para compensar suas limitações.

No Brasil, é crucial manter a consciência sobre a importância da conservação da água e do solo. Pastagens devem ser tratadas como lavouras, com diagnósticos, escolha de espécies e práticas que assegurem sua saúde e produtividade. O solo que não retém água, a palhada que não se mantém e a falta de raízes adequadas levam a perdas significativas, tanto em valor quanto em viabilidade econômica. Para aqueles que veem o solo como um recurso infinito, a conta será alta mais cedo ou mais tarde.

Nina Plöger é presidente do Forbes Mulher Agro (FMA) e empresária no setor de reflorestamento, cultivando café sustentável. Com formação em administração e pós-graduação em economia e governança, ela integra o Comitê de Sustentabilidade da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e é membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp e do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL).

Os artigos assinados refletem a opinião dos respectivos autores e não necessariamente representam a visão da Forbes Brasil e seus editores.

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