Início Américas “Por que África Ignora o Poder da Sua Água? Especialista Aponta Caminhos...

“Por que África Ignora o Poder da Sua Água? Especialista Aponta Caminhos Para Uma Nova Era”

0


Redefinindo os Recursos Hídricos na África: Uma Nova Perspectiva

Recentemente, a conselheira especial Cristina Duarte, ao finalizar a Série de Diálogos sobre a África na sede das Nações Unidas, lançou um olhar provocador sobre a gestão da água no continente. Sua proposta: transformar os recursos hídricos de “ajuda humanitária” em “ativos estratégicos soberanos”. Este é um chamado à ação que vai além de uma simples análise; é um convite à mudança.

O Papel da Água na Soberania Africana

Durante a série de diálogos, a gestão da água foi, pela primeira vez, um foco central das discussões. Duarte enfatizou que a perspectiva sobre água e saneamento no continente deveria ser vista não como uma questão de caridade internacional, mas como um elemento crucial para a soberania e o desenvolvimento autônomo dos Estados africanos.

Quebrando Paradigmas

Duarte argumentou que o modelo tradicional de desenvolvimento precisa ser desafiado. É essencial que haja uma transformação na arquitetura política e financeira global para atender às necessidades do continente.

“Classificar o acesso à água apenas como um serviço social enfraquece a capacidade de governança dos Estados africanos”, destacou Duarte.

Essa nova abordagem sugere que a água e o saneamento não devem ser tratados como meros projetos humanitários, mas sim como ativos essenciais que devem ser geridos com responsabilidade e visão estratégica.

O Potencial da Água na África

No contexto global, a África possui uma riqueza inigualável: 99% da água doce renovável do mundo e cerca de 65% das terras aráveis não cultivadas. Além disso, o continente abriga mais de 600 gigawatts de potencial hidrelétrico, dos quais 89% permanecem inexplorados.

Com a previsão de um aumento populacional significativo – 2,4 bilhões de pessoas até 2050 – e a necessidade de aumentar a produção global de alimentos em 70%, a África se apresenta como um epicentro de oportunidade. Duarte enfatizou que a combinação de terra, água e mão de obra no continente é rara e poderosa.

Cuidado com a Extração Predatória

Entretanto, o que se observa é uma “aritmética predatória”. A aquisição acelerada de terras agrícolas por investidores estrangeiros está transformando a riqueza do continente em um ativo para exploração externa, em vez de um investimento em sua própria prosperidade.

“Cada produto agrícola que sai de um campo africano representa água africana sendo extraída do continente”, alertou Duarte.

Este ciclo prejudicial não só consome os recursos, mas também deixa os países africanos em vulnerabilidade econômica e política.

Propostas para uma Gestão Eficiente

Duarte sugeriu uma nova abordagem chamada Gestão Estratégica de Ativos, que abrange todo o ciclo de vida da infraestrutura hídrica, desde o planejamento até a operação e a proteção dos ecossistemas. Este modelo visa romper com a repetição de “construção, degradação e reconstrução” que tem consumido recursos públicos sem retornos significativos.

O caminho para a Autossuficiência

Para alcançar uma verdadeira soberania hídra, a África deve:

  1. Fortalecer Instituições: Criar instituições robustas que protejam os interesses do continente.
  2. Mobilizar Recursos Internos: Reduzir a fuga de capitais e priorizar a mobilização de recursos domésticos, pois “governos que pagam pelos seus próprios sistemas de água tendem a governar melhor”.
  3. Apoio a Projetos de Grande Escala: Redirecionar o financiamento internacional, concentrando esforços em projetos significativos, como sistemas de irrigação em larga escala e restauração ecológica.

O Chamado à Ação

Ao concluir a Série de Diálogos, Cristina Duarte fez um apelo aos líderes africanos. Ela argumentou que a região não enfrenta um problema de água, mas, sim, uma escolha de não governá-la adequadamente.

Perguntando-se se o mundo realmente vai desenvolver os recursos hídricos da África, Duarte provoca uma reflexão: “A questão não é apenas se a água será desenvolvida, mas como isso será feito – à maneira africana ou sob a influência de modelos externos?”

Rumo à Soberania

Duarte lembrou que a União Africana já possui posicionamentos estratégicos claros. Agora, mais do que nunca, é necessário que o continente construa as instituições, marcos legais e a vontade política necessários para transformar sua abordagem sobre os recursos hídricos em um compromisso inabalável com a soberania.

Este é um momento crucial, não apenas para a África, mas para a comunidade global. A forma como o continente gerenciará sua água nos próximos anos poderá não apenas determinar seu futuro, mas também inspirar uma nova visão para o desenvolvimento sustentável em todo o mundo.


Dessa forma, a gestão dos recursos hídricos no continente africano se torna mais do que um desafio; é uma oportunidade de redefinir a maneira como governamos nossos recursos, promovendo uma mudança que possa beneficiar todos. Com firmeza e visão, a África pode liderar um caminho inovador para a gestão da água, transformando potenciais em realidades e desafios em conquistas.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile