Rabobank vê perspectiva favorável para frango brasileiro apesar de novo foco de Newcastle


As exportações brasileiras de carne de frango devem manter perspectivas favoráveis apesar do terceiro registro de Doença de Newcastle em Santa Catarina, avaliou nesta quarta-feira (28) Wagner Yanaguizawa, especialista do Rabobank. Segundo ele, os três focos estão concentrados em uma área de aproximadamente 20 quilômetros, e o impacto sobre os embarques dependerá de a doença não se espalhar para outras regiões.

O Ministério da Agricultura informou na véspera o terceiro caso da doença viral, altamente contagiosa entre aves, no estado. Santa Catarina é o segundo maior produtor de carne de frango do Brasil, que ocupa a posição de maior exportador global do produto. Os registros ocorreram em granjas de perus nos municípios de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim.

Focos próximos e restrições regionais

Para o Rabobank, a concentração dos casos pode limitar os efeitos sobre as vendas externas porque importantes importadores restringem as compras apenas da região atingida. Essa prática, chamada de regionalização, permite que países mantenham o comércio com áreas não incluídas nos embargos sanitários, em vez de suspender as importações de todo o Brasil.

“Na minha avaliação, as perspectivas permanecem otimistas, uma vez que os acordos de regionalização devem evitar interrupções significativas nos embarques”, disse Yanaguizawa em uma avaliação do banco compartilhada com a Reuters.

Até o momento, México e Malásia impuseram proibições nacionais ao frango brasileiro. China, Chile e Rússia restringiram as compras apenas de Santa Catarina, de acordo com dados do governo citados pelo Rabobank. A diferença entre os dois tipos de medida é relevante para o alcance das restrições: as proibições nacionais abrangem o produto de todo o país, enquanto as estaduais limitam o embargo à produção de uma unidade da Federação.

Entre os mercados que aceitaram a regionalização em nível municipal estão Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Reino Unido, Argentina, África do Sul, Egito, Canadá, Turquia e Vietnã. Com esse modelo, os embargos podem se concentrar nas localidades afetadas, sem necessariamente impedir os embarques originados em outras áreas.

Dados de outubro e vigilância

Os números preliminares de exportação de outubro, referentes às quatro primeiras semanas do mês, mostram crescimento de 15% na média diária dos embarques em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi registrado mesmo com o setor lidando com a situação desde 18 de outubro, quando o primeiro foco foi detectado, e com anúncios de restrições ao produto brasileiro feitos desde então.

Yanaguizawa afirmou que os embarques podem sofrer alguma pressão no início, mas avaliou que ela provavelmente não será duradoura se não houver novos casos em locais mais distantes do foco inicial. A ressalva indica que a distribuição geográfica dos registros é um fator central para a avaliação do efeito sobre o comércio: uma expansão para outras áreas poderia alterar a resposta dos importadores.

O especialista também considerou que a vigilância preventiva brasileira tem funcionado. Segundo ele, o vírus foi detectado por meio de monitoramento ativo antes do aparecimento de sintomas nas aves. Depois da confirmação do primeiro caso, em 18 de outubro, os focos seguintes foram encontrados durante uma intensificação da vigilância, e não após a identificação de sinais clínicos evidentes.

Redirecionamento dos embarques

O setor costuma redirecionar cargas a partir de áreas que não estão incluídas nos embargos sanitários. Essa estratégia ajuda a reduzir perdas quando as restrições se limitam a uma região e há mercados que aceitam comprar de outras localidades brasileiras. O resultado prático depende, portanto, tanto da extensão geográfica das medidas adotadas pelos importadores quanto da manutenção dos casos dentro da área já identificada.

O Rabobank mantém a avaliação positiva para as exportações, mas condiciona esse cenário à ausência de novos focos em regiões mais distantes. A ocorrência de três registros próximos não levou, até agora, à adoção de proibições nacionais pela maioria dos mercados citados pelo banco. As medidas em vigor variam de acordo com o país: algumas abrangem todo o Brasil, outras Santa Catarina, e parte dos compradores aceita limitar as restrições aos municípios afetados.

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