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O Desafio da SanCor
A SanCor, uma cooperativa argentina de laticínios, tem enfrentado tempos difíceis. Desde o início do ano, ela está sob recuperação judicial e à beira da falência. Recentemente, apresentou um plano ao tribunal que visa reverter essa situação crítica, com ações para quitar uma dívida de milhões que afetou sua produção e gerou descontentamento entre os trabalhadores.
Uma Receita em Queda
Segundo o comunicado enviado ao Juizado Cível e Comercial da 4ª Vara de Rafaela, a receita da SanCor caiu quase 60% quando o processo de recuperação teve início. Essa queda abrupta foi uma das principais razões para o colapso da produção, refletindo as dificuldades que a cooperativa enfrenta.
Pontos-Chave do Plano de Recuperação
A proposta da SanCor inclui várias iniciativas para estabilizar suas finanças:
– **Equilíbrio financeiro**: Ajustar receitas e despesas após o processo judicial.
– **Valorização dos ativos**: Manter e expandir o valor da empresa.
– **Negociação com credores**: Buscar um superávit operacional através de acordos.
A cooperativa enfrenta a dura realidade da falta de crédito, destacando que as opções de financiamento são limitadas, dada a impossibilidade de apresentar garantias reais. Este fator tem dificultado a formalização de acordos com terceiros.
Estratégias de Colaboração
Para contornar as dificuldades financeiras, a SanCor está buscando capitalizar sua capacidade industrial e fortalecer a marca “SanCor”. Suas estratégias incluem:
– **Compras de leite e insumos**: Implementar modelos com participação nos lucros.
– **Produção para terceiros**: Aumentar a diversidade de produtos oferecidos.
– **Colaborações industriais**: Estabelecer parcerias que ajudem a impulsionar a produção.
A cooperativa acredita que, se as ações forem executadas conforme o planejado, poderá alcançar, em uma primeira fase, o equilíbrio operacional necessário para cumprir suas obrigações financeiras mensais.
Reestruturação e Desafios do Passado
A SanCor já foi um gigante do setor lácteo, processando mais de 3 milhões de litros de leite por dia em seu auge. No entanto, a crise a levou a reduzir drasticamente suas operações. Das 14 fábricas que possuía, apenas seis permanecem em operação, com uma delas sendo fechada definitivamente em 2024.
No último ano, a cooperativa conseguiu processar apenas cerca de 500 mil litros diariamente, enfrentando paralisações constantes e interrupções na produção.
A Queda de um Gigante
Fundada em 1938 na cidade de Sunchales, província de Santa Fé, a SanCor cresceu para se tornar a maior cooperativa de laticínios da Argentina e uma das mais significativas da América do Sul. Chegou a reunir mais de 5 mil produtores associados e a exportar seus produtos para mais de 60 países, incluindo o Brasil.
Atualmente, suas fábricas mais relevantes são a de Gálvez, dedicada à maturação e processamento de queijos, e a de La Carlota, especializada em queijos duros e ralados. Ambas operam em condição de máxima eficiência, mas ainda assim limitadas. Fábricas em Devoto e Balnearia, onde se produzem queijos, manteigas e cremes, estiveram quase totalmente paralisadas o ano inteiro.
A situação é especialmente tensa na planta de Sunchales, onde a produção de leite é acompanhada por conflitos trabalhistas. Em 2024, a planta ficou quase dez meses sem atividade, refletindo a gravidade da crise.
Um Cenário Preocupante
A dívida total da SanCor ultrapassa a marca de **US$ 400 milhões** (equivalente a aproximadamente R$ 2,13 bilhões). Esse montante é acompanhado por um fluxo de caixa praticamente inexistente, resultado direto da diminuição da produção, além de atrasos nos pagamentos de serviços essenciais, como eletricidade e gás, que só aumentam os desafios enfrentados pela cooperativa.
Apesar disso, a SanCor ainda é vista como uma espécie de ícone no setor lácteo argentino, embora sua liderança e influência tenham diminuído. Atualmente, a rival Mastellone Hermanos (La Serenísima) ocupa o primeiro lugar no mercado em volume de leite processado e faturamento, destacando que a SanCor permanece como uma cooperativa tradicional, mesmo que distante do status de maior produtora.
Reflexões Finais
A trajetória da SanCor reflete um panorama desafiador para o setor lácteo da Argentina e, ao mesmo tempo, oferece lições sobre resiliência e adaptação frente às crises. À medida que a cooperativa se esforça para se reerguer, o cenário revela não apenas os riscos financeiros, mas também a importância da colaboração e inovação para garantir a sobrevivência.
Em um setor tão competitivo quanto o de laticínios, a busca pelo equilíbrio operacional e a reestruturação se tornam não apenas medidas necessárias, mas uma questão de sobrevivência. A pergunta que fica é: quais lições podemos aprender com a história da SanCor para nos preparar melhor para os desafios futuros?
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