Starbucks Reinveste em Tecnologia: Uma Revolução Guiada pela IA
A Starbucks, um gigante no mundo do café, tem se destacado não apenas por suas bebidas, mas também pelo seus investimentos em tecnologia. De acordo com o Yahoo Finance, a empresa destina cerca de US$ 400 milhões por ano (aproximadamente R$ 2,2 bilhões) para software. Recentemente, a Bloomberg revelou que a Starbucks está em desenvolvimento de soluções próprias assistidas por inteligência artificial, visando substituir sistemas da Microsoft e da IBM para gerenciamento de estoques e manutenção. Essas novas ferramentas podem ser lançadas até o próximo ano, dependendo do sucesso dos testes realizados.
O Impacto no Mercado
A notícia não passou despercebida. A reação do mercado foi imediata: ações da IBM despencaram cerca de 3% nas negociações pré-mercado, enquanto ServiceNow e Salesforce também tiveram perdas significativas. No entanto, é importante esclarecer que, apesar da queda, nenhuma dessas empresas perdeu contratos nesta manhã. O que está em jogo é a narrativa que sustentou as avaliações das empresas de software corporativo nas últimas duas décadas.
Por muitos anos, acreditava-se que grandes corporações sempre optariam por adquirir software, pois desenvolver soluções internas era considerado uma tarefa difícil. Contudo, a Microsoft, um dos fornecedoras mencionadas, permaneceu estável. Isso se dá pelo fato de que, enquanto a Starbucks busca substituir a aplicação de gerenciamento de estoques fornecida pela Microsoft, também irá utilizar a infraestrutura de nuvem Azure para desenvolver sua nova solução, mostrando que a arquitetura subjacente das empresas de tecnologia se torna um aspecto crucial.
O Que Está em Jogo: A Nova Narrativa
Em um movimento estratégico, a Starbucks está demonstrando que uma empresa do setor de cafés pode, sim, reconstruir seu software internamente. As empresas haviam se tornado dependentes dos fornecedores, em grande parte devido à complexidade e ao custo de desenvolver software do zero. Elas acabavam, muitas vezes, comprando plataformas que atendiam somente 70% das suas necessidades, contrabalançando a carência com consultorias para adaptar o restante.
Agora, com o auxílio da inteligência artificial, essa equação muda. Anand Varadarajan, diretor de tecnologia da Starbucks, informou que a empresa está avaliando todos os contratos e serviços em busca de oportunidades para reduzir gastos, como parte de um programa de economia de US$ 2 bilhões (R$ 11 bilhões) liderado pelo CEO Brian Niccol.
Por Que Mudar?
A lógica é simples: se os engenheiros precisam customizar um produto de um fornecedor para torná-lo útil, e a IA permite que eles desenvolvam soluções personalizadas rapidamente, por que continuar a pagar royalties elevados?
Essa movimentação da Starbucks não é apenas uma questão interna; é uma reflexão do que muitas empresas da Fortune 500 estão considerando atualmente em seus orçamentos de tecnologia: desenvolver internamente ou adquirir soluções prontas.
As palavras de Mati Greenspan, fundador e CEO da Quantum Economics, resumem bem essa transformação: “As empresas estão percebendo que a IA não é apenas um recurso; ela está se tornando o coração de suas operações.”
Desafios e Lições Aprendidas
Um detalhe importante, que as reportagens frequentemente omitem, é que a Starbucks não está abandonando completamente a Microsoft ou a IBM. A empresa ainda utiliza software de terceiros, inclusive a infraestrutura de nuvem da Microsoft. Além disso, no início deste ano, a Starbucks teve que descontinuar um sistema de contagem de estoques baseado em IA devido a falhas nas contagens, retornando à contagem manual.
Esse revés é significativo e reforça a credibilidade da nova estratégia. A Starbucks aprendeu que simplesmente implementar IA sobre um processo problemático não é uma solução. Pelo contrário, isso pode agravar os problemas existentes enquanto as operações subjacentes continuam a se deteriorar.
Uma Abordagem Renovada
A nova estratégia da Starbucks prioriza o fluxo de trabalho. A empresa primeiro corrige o funcionamento de estoques e manutenção, desenvolvendo o sistema ao redor desses processos ajustados e, por fim, aplica a inteligência artificial para agilizar o desenvolvimento.
Aaron Levie, CEO da Box, ressalta esse ponto: “Os melhores casos de uso da IA são aqueles que transformam fundamentalmente o trabalho realizado, em vez de apenas substituir um processo existente.” As empresas estão descobrindo suas próprias versões dessa transformação, adaptadas às suas realidades, mas essas continuam a ser as aplicações mais impactantes e promissoras da IA.
O que viremos em seguida?
Os líderes empresariais devem se atentar a quatro consequências que emergirão dessa transição:
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Reação dos Fornecedores: As empresas de tecnologia buscarão melhorar áreas difíceis de replicar, como integração, governança e segurança.
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Adoção por Outras Empresas: Organizações começarão a seguir o exemplo da Starbucks, focando em sistemas caros e desatualizados. É provável que processos internos sejam inicialmente priorizados onde as soluções existentes falhavam.
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Novo Mercado de Serviços: Assim que mais empresas começarem essa transição, surgirá uma demanda por profissionais que possam mapear processos, consolidar dados e projetar sistemas. Redesenhar um negócio é desafiador e demanda um toque humano, o que muda a dinâmica da tecnologia.
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Mudança no Cenário da IA: O conceito de escrever comandos poderá se tornar obsoleto. Futuramente, agentes de IA, totalmente integrados aos sistemas consolidados e munidos de dados históricos, poderão executar tarefas autonomamente e antecipar necessidades. A questão será quem terá controle sobre os dados que esses agentes utilizam.
Uma Nova Era para o Controle Empresarial
A lição que a Starbucks nos traz é que a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta para baratear a criação de software. O verdadeiro ensinamento é que a IA oferece às empresas uma chance de retomar o controle de suas operações, desde que estejam dispostas a realizar o trabalho necessário de reestruturação de seus processos.
Esse exemplo da Starbucks ilustra bem como é possível transformar um recurso anual de US$ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões) em uma plataforma que realmente atende às necessidades reais da organização, através de uma abordagem interna e estratégica.
Sinta-se à vontade para compartilhar suas reflexões sobre esse assunto. Quais passos você acredita que as empresas devem tomar para não ficarem para trás nessa nova era da tecnologia?
