O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira, 07, que ninguém está acima da Constituição e defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) se una para apurar eventuais irregularidades, em vez de se mobilizar para defender a própria Corte. Ele falou durante um ato organizado pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), na Avenida Paulista, em São Paulo.
Governador cobra resposta institucional
Em discurso no evento, Tarcísio disse que as revelações recentes sobre a conduta de integrantes do Supremo precisam ser esclarecidas. Para ele, dúvidas sobre a compatibilidade entre o comportamento de um magistrado e o exercício do cargo exigem uma resposta institucional.
“As últimas revelações sobre a conduta de integrantes do Supremo precisam ser esclarecidas. Precisamos de respostas, porque, quando há dúvida acerca da compatibilidade entre a conduta e o exercício da magistratura, é necessária uma resposta institucional – e ela precisa ser dada. Está na hora de o tribunal não se dividir para se defender, mas de se unir para apurar e oferecer a resposta de que a sociedade precisa”, disse o governador.
A fala foi dirigida à atuação da Corte diante de questionamentos sobre seus integrantes. Tarcísio defendeu que o tribunal se concentre na apuração e na apresentação de respostas à sociedade. Ele não especificou, no discurso citado, quais medidas deveriam ser tomadas nem detalhou procedimentos para essa investigação.
Referência indireta a Moraes e Vorcaro
O governador voltou a afirmar que nenhum cargo está acima dos princípios constitucionais. A declaração fez referência indireta à relação entre Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, e Alexandre de Moraes, ministro do STF. Tarcísio não mencionou diretamente o nome do magistrado.
“Ninguém está acima da Constituição. Nenhum banqueiro está acima da Constituição. Nenhum senador está acima da Constituição. Nenhum magistrado está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei. Todos precisam se submeter ao império da lei, doa a quem doer, custe o que custar”, afirmou.
Ao enumerar banqueiros, senadores e magistrados, Tarcísio apresentou a submissão à lei como um princípio aplicável a diferentes ocupantes de cargos e posições. A declaração não atribuiu, por si só, uma irregularidade específica a Vorcaro ou a Moraes. O governador cobrou esclarecimentos sobre as revelações relacionadas a integrantes do Supremo, sem detalhar no ato quais fatos deveriam ser apurados.
Discurso ocorreu em ato de Flávio Bolsonaro
Tarcísio participou da manifestação ao lado de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. O governador discursou sobre a Avenida Paulista e também elogiou a presença de manifestantes vestidos de verde e amarelo. A referência às cores nacionais foi acompanhada de uma lembrança de atos anteriores realizados no local.
“Quem não se lembra das manifestações que ocorreram aqui? Contra o petrolão, contra a corrupção do PT? E hoje estamos aqui novamente”, disse Tarcísio. Ele associou a mobilização daquele dia a manifestações anteriores contra o chamado petrolão e contra a corrupção do PT, sem apresentar outros detalhes sobre os atos mencionados.
As declarações combinaram a cobrança por esclarecimentos sobre a conduta de integrantes do STF com referências a manifestações políticas na Avenida Paulista. O governador não citou nominalmente Moraes ao tratar da relação com Vorcaro, mas reiterou que magistrados, assim como banqueiros e senadores, devem se submeter à Constituição e à lei.