A Crise Energética Global: Desafios e Consequências para os Países em Desenvolvimento
Com o preço do petróleo Brent batendo a marca de US$ 100 por barril, a dependência de combustíveis fósseis voltou a ser tema de debate. Famílias e trabalhadores estão reaguindo ao aumento dos custos, voltando-se para o petróleo e o carvão, o que levanta preocupações sérias sobre o impacto ambiental. Além disso, países ao redor do mundo começaram a implementar racionamentos de combustível, adaptando suas rotinas para reuniões online e outras soluções temporárias.
Estamos há pouco mais de um mês do início da ofensiva militar israelense e americana no Irã. Esse evento não só intensificou o conflito local, mas também causou uma interrupção significativa na navegação de petroleiros pelo crucial Golfo Pérsico. Como resultado, os embarques de petróleo, seguidos pelos de gás natural, carvão, transporte, alimentos e fertilizantes, diminuíram drasticamente em todo o mundo.
O Cenário em África: Moçambique e Angola
Segundo Junior Davis, especialista da Divisão de Análise de Políticas e Investigação para África da UNCTAD, apenas um pequeno número de Países Menos Desenvolvidos (PMD) se destaca como exportadores líquidos de energia. Nessa lista estão Sudão do Sul, Angola, Chade, Moçambique, Laos, Mianmar e Iémen. Por outro lado, a maioria desses países são importadores líquidos, incluindo Níger, Zâmbia, Ruanda, Etiópia, Tanzânia, Madagáscar, Togo, Sudão, Uganda, Nepal, Eritreia, Benim, Bangladesh, Camboja e Senegal.
Especificamente em relação a Angola, Davis observa que, mesmo sendo um exportador de petróleo, o país enfrenta “ganhos limitados” com essa comercialização. A razão para isso é a falta de capacidade de refino interno, levando Angola a reimportar produtos petrolíferos refinados a preços muito mais altos. Essa dependência torna a economia do país vulnerável a choques externos.
Dependência angolana pelo setor de petróleo deixa a economia vulnerável a choques externos.
Os Desafios da Dependência Alimentar: Zâmbia em Foco
A Zâmbia, por sua vez, enfrenta um cenário ainda mais complicado. O país depende de combustíveis refinados importados, especialmente do Oriente Médio e, em particular, dos Emirados Árabes Unidos. Isso torna a nação relativamente vulnerável, já que muitos países menos desenvolvidos continuam a depender de fertilizantes estrangeiros, cuja produção exige grandes quantidades de gás natural e metano.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 17 das nações mais pobres do mundo precisam importar mais de 30% de suas necessidades de cereais. A situação é alarmante: uma quantidade igual de países gasta mais da metade de seus ganhos com exportações apenas para garantir a compra de alimentos. Como resultado direto da alta no preço da energia, o custo dos alimentos deve subir, aumentando o risco de fome e insegurança alimentar para muitas famílias.
As Consequências em Massa: Espaço de Manobra Limitado
Encontrar soluções para a crises energéticas globais não é simples, especialmente para nações que enfrentam pesadas dívidas. O Secretário-Geral da ONU já chamou a atenção para este problema, pedindo reformas no setor financeiro em busca de justiça, competitividade e crescimento. Tal pressão se torna ainda mais relevante considerando que muitos países em desenvolvimento têm dificuldades com os credores internacionais, o que faz com que a situação econômica se torne ainda mais desafiadora.
Junior Davis enfatiza que, devido à grande quantidade de dívida acumulada, a população terá que arcar com o aumento dos preços da energia, alimentos e fertilizantes. Isso se traduz em menos consumo e mais desafios diários para as famílias. A Unctad também ressalta que 15 PMD ainda não se recuperaram das dificuldades econômicas causadas pela pandemia, encontrando-se em uma situação pior do que em 2019, e agora lidando com mais uma crise.
É importante refletir sobre o impacto dessas realidades. As regiões mais vulneráveis do mundo, que já enfrentam grandes dificuldades econômicas e sociais, têm sido as mais afetadas por essa confluência de crises. E com isso, a pergunta que fica é: o que pode ser feito para mudar essa trajetória? Que ações são necessárias para apoiar verdadeiramente esses países, para que elas possam se sustentar e prosperar em um mundo em constante transformação? As respostas ficam abertas, assim como as inúmeras discussões que podemos ter sobre este tema importante.
