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Transformando Cana em Sustentabilidade: São Martinho Investe R$ 250 Milhões em Biometano e Aumenta Produção!

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A partir de maio, a viagem do açúcar produzido na Unidade Santa Cruz da São Martinho, em Américo Brasiliense (SP), será marcada por uma inovação significativa. Em vez de ser apenas mais uma carga a ser exportada, parte da energia utilizada para o transporte será gerada a partir dos resíduos da própria cana-de-açúcar cultivada pela companhia.

Rota Verde, como é chamado o projeto, é uma parceria da São Martinho com a Necta, Transvale e Rumo. Esse sistema integrará caminhões movidos a gás natural, com planos de transição para biometano, e transporte ferroviário para levar cerca de 350 mil toneladas de açúcar anualmente até o Porto de Santos. De acordo com uma avaliação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, a iniciativa poderá resultar em uma redução de até 87% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação com operações que utilizam diesel.

Mais que Logística

Os números, por si só, são impressionantes, mas os executivos envolvidos no projeto veem a Rota Verde como algo muito além da logística. Durante uma conversa exclusiva com a Forbes Brasil, Fabio Venturelli, CEO da São Martinho; José Eduardo Moreira, CEO da Necta; e Ivo Ilário Riedi Filho, CEO da Transvale, juntamente com Helder Luiz Gosling, diretor comercial e de logística da São Martinho, enfatizaram que o biometano pode ser a próxima grande fronteira energética do agronegócio brasileiro.

SM_DivulgFábio Venturelli, CEO da São Martinho

O diferencial desta vez é que o combustível não será apenas comercializado; ele será produzido, distribuído e consumido dentro da própria cadeia agroindustrial. Venturelli afirma que “o açúcar será entregue ao mundo com uma pegada de carbono muito inferior comparada a outros ofertantes globais”. O biometano é uma nova molécula, uma nova vertente na qual eles acreditam fortemente.

Do Resíduo à Sustentabilidade

A estratégia de transformar resíduos em biometano começou com a implementação de uma planta de biometano em agosto de 2025, que recebeu investimentos da ordem de R$ 250 milhões. Essa planta utiliza subprodutos do processo de produção de açúcar e etanol para criar um combustível renovável.

O processo é simples em explicação, mas complexo na execução. Os resíduos gerados durante a produção passam por processos biológicos que resultam na criação de biogás, que, após purificação, é convertido em biometano. Este combustível possui características semelhantes às do gás natural, mas é 100% renovável.

“Nosso objetivo é extrair toda a energia possível da cana-de-açúcar. Quanto mais energia conseguimos retirar, mais renovável será nossa operação”, enfatiza Venturelli.

Essa ideia de um “circuito fechado” foi um conceito central ao longo da conversa. A cana gera açúcar, etanol e resíduos; os resíduos produzem biometano; este abastece os caminhões que, por sua vez, transportam o açúcar até o mercado. Assim, o combustível que movimenta a operação se origina da própria cadeia, criando um modelo sustentável que o mundo anseia.

Pode Ser Viável? A Perspectiva do Mercado

Com cerca de 400 mil hectares de cana, a São Martinho é intensamente dependente do diesel nas suas operações. O custo do combustível representa uma das suas maiores despesas, apenas atrás da folha de pagamento. O potencial de produção de biometano, portanto, pode trazer não só sustentabilidade, mas também significativas economias.

José Eduardo Moreira, da Necta, acredita que o mercado para o biometano já existe. “Atualmente, quase 1,5 milhão de caminhões e ônibus rodando a gás natural e biometano estão operando no mundo. O Brasil ainda importa cerca de 20% do diesel consumido pela sua frota pesada. Isso nos mostra a grande oportunidade que temos”, explica.

Necta_DivulgJosé Eduardo Moreira, CEO da Necta

Com São Paulo concentrando metade da frota de caminhões e ônibus do Brasil, Moreira vê uma imensa oportunidade. O potencial de produção de biometano na região é superior a seis milhões de metros cúbicos. Isso é, sem dúvida, um ativo valioso para o futuro sustentável do transporte no Brasil.

Investimento na Sustentabilidade

Um aspecto crítico é quem arcará com os custos das iniciativas de descarbonização. Os executivos do projeto ressaltam que a Rota Verde só se concretiza porque possui viabilidade econômica. A Transvale, por exemplo, investirá aproximadamente R$ 15 milhões na aquisição de dez conjuntos rodotrem caçamba para esta operação.

SM_DivulgIvo Ilário Riedi Filho, CEO da Transvale

Ivo Ilário Riedi Filho enfatiza que a eficiência energética dos veículos movidos a biometano pode resultar em uma economia significativa. “A economia pode ser em torno de R$ 1 por quilômetro rodado em comparação com caminhões a diesel. Isso mostra que essa discussão sobre combustíveis alternativos está avançando e se tornando cada vez mais relevante”, afirma.

“Estamos lidando com uma nova fonte de energia sustentável que traz competitividade não apenas para quem produz ou transporta, mas também para a economia do país como um todo.”

A tecnologia já avançou a um ponto onde não há mais dúvida quanto à viabilidade do uso de biometano. “Caminhões movidos a gás e biometano são uma realidade no mercado. Caminhões elétricos, por outro lado, são uma possibilidade ainda distante para a Transvale”, acrescenta Riedi Filho.

Um Novo Horizonte para o Biometano

A visão de Venturelli para a Rota Verde vai muito além do que já foi concretizado. Ele afirma que “não estamos perdendo dinheiro para descarbonizar nossas operações”. Para ele, essa iniciativa formará corredores verdes e criará diferenciais competitivos para não apenas o açúcar e combustíveis, mas também outras commodities no futuro.

Moreira completa que o biometano produzido na usina pode servir para abastecer caminhões, atender clientes industriais e até participar do transporte ferroviário. “A logística se tornará cada vez mais integrada. Essa interconexão é o que torna o projeto tão relevante”, finaliza.

A Nova Era do Investimento Sustentável

O interesse do mercado financeiro por operações de baixo carbono vem crescendo, embora ainda existam desafios. Projetos de descarbonização muitas vezes foram vistos como onerosos e dependentes de incentivos públicos. Contudo, os executivos estão otimistas. Ao perceberem que novas tecnologias podem gerar tanto ganhos econômicos quanto ambientais, essa percepção começa a mudar.

Riedi Filho ressalta que o setor financeiro ainda não entende totalmente essas operações, mas já há sinais positivos. Linhas de financiamento específicas para inovação e redução de emissões estão surgindo com condições mais favoráveis do que as do mercado convencional. O BNDES, por exemplo, oferece mecanismos que tornam projetos sustentáveis mais acessíveis financeiramente.

Venturelli acredita que, à medida que os resultados econômicos surgirem, o mercado financeiro começará a olhar para essas iniciativas com mais atenção. “Reduzir emissões pode também reduzir custos, além de criar novas fontes de receita. Com o tempo, isso se tornará uma realidade inegável”, afirma.

Recentemente, a empresa anunciou um lucro líquido de R$ 172,85 milhões, um aumento significativo de 64,6% em relação ao ano anterior. Os resultados refletem as iniciativas de eficiência operacional e redução de custos. Para Gosling, o reconhecimento do valor econômico do atributo ambiental é fundamental. “O biometano pode e deve ganhar escala nos próximos anos. É uma oportunidade que não podemos ignorar.”


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