O Que Esperar da Aprovação de Medidas Antidumping para o Aço no Brasil?
Nos últimos tempos, as expectativas em relação à possível implementação de medidas antidumping para as importações de aço plano no Brasil têm ganhado força. Segundo análises do UBS BB, o resultado dessa questão é fundamentalmente binário, dependendo da vontade política dos decisores. Apesar disso, muitos já percebem uma decisão favorável como uma realidade concreta. Na avaliação do banco, esse cenário ainda não está refletido no valor das ações da Usiminas (USIM5), o que pode indicar uma oportunidade promissora para os investidores.
O Cenário Atual: Análise de Mercado
O UBS BB apresenta algumas estimativas que chamam a atenção. No contexto atual, a Usiminas possui um valor de mercado implícito em torno de R$ 8,5 bilhões, com um múltiplo ideal estimado entre 3,5 e 4,0 vezes EV/EBITDA (valor da empresa dividido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Esses números indicam que a action da Usiminas está precificando apenas uma margem de EBITDA (que é a relação entre EBITDA e receita) de aproximadamente 8% para 2026. Isso sugere que a empresa não está considerando um aumento nos preços devido às tarifas.
Mas e se as medidas antidumping forem aprovadas? Nesse caso, a Usiminas poderia implementar aumentos significativos em seus preços, elevando suas margens de EBITDA para uma faixa entre 11% e 13%. O UBS BB projeta que essa evolução poderá resultar em uma valorização de até 50% para a ação — um atrativo inegável para os investidores.
O que Pode Impedir essa Valorização?
Embora as expectativas sejam otimistas, é importante ressaltar que o cálculo do UBS BB não leva em consideração possíveis mudanças em volumes ou custos operacionais. Além disso, o banco não ignora os riscos potenciais relacionados a atrasos contratuais da Usiminas. Mesmo assim, o consenso é claro: a decisão sobre medidas antidumping parece não figurarem plenamente nos preços atuais das ações.
Medidas Finais de Antidumping Previstas
A expectativa é que as decisões finais sobre as tarifas antidumping ocorram nos próximos meses, e é importante ficar atento a três setores em específico:
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Aço Laminado a Frio (CRC): Representa 40% das importações de CRC em 2025 e 25% dos embarques da Usiminas, com uma decisão prevista para novembro.
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Aço Galvanizado: Este tipo de aço, revestido com zinco para evitar corrosão, corresponde a 60% das importações desse produto em 2025 e a 27% dos embarques da Usiminas, com decisão agendada para janeiro.
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Aço Laminado a Quente (HRC): Esse tipo é responsável por 90% das importações de HRC em 2025 e por 34% dos embarques da Usiminas, com uma decisão prevista para mais adiante.
Essas decisões serão cruciais não apenas para a Usiminas, mas para toda a indústria de aço do Brasil, que enfrenta crescente pressão devido ao aumento das importações.
O Desafio das Tarifas: Um Cenário de Crescimento
O UBS BB menciona que, apesar da implementação de tarifas, essas medidas não têm conseguido conter o crescente fluxo de importações de aço. Em 2024, as importações aumentaram 18% em relação ao ano anterior, enquanto, em 2025, estão projetadas para subir mais 10%. Isso nos leva a refletir: será que as tarifas são realmente eficazes para proteger a indústria local?
Durante o primeiro semestre, o governo teve a oportunidade de impor tarifas preliminares em algumas categorias de aço plano, mas decidiu não avançar. Recentemente, no entanto, o órgão comercial brasileiro tomou a iniciativa de aplicar medidas antidumping a chapas para latas e aço inox provenientes da China. Essa ação é vista como um passo positivo para futuras decisões no campo do aço.
Uma Recomendação com Cautela
Com todas essas movimentações, o UBS BB mantém a recomendação neutra em relação às ações da Usiminas, estabelecendo um preço-alvo de R$ 5. Mesmo com os sinais positivos, o banco não se sente confortável em mudar sua indicação para “compra” em um ambiente que se mostra tão incerto e polarizado.
Os analistas do UBS BB alertam que, em um cenário sem aprovação de medidas antidumping, a indústria brasileira de aço continuará a sofrer forte pressão da concorrência externa. Uma recuperação das margens para níveis aceitáveis pode levar anos, se considerarmos a realidade atual do mercado.
Reflexões Finais
As medidas antidumping, que prometem ser um divisor de águas para a Usiminas e toda a indústria de aço no Brasil, ainda estão longe de serem uma certeza. Embora o otimismo em torno da aprovação cresça, a incerteza política e os desafios internos da economia continuam a ser fatores determinantes.
Assim, se você é um investidor ou apenas alguém interessado no setor, vale a pena acompanhar as movimentações e decisões dos próximos meses. Pode ser o seu momento de entender melhor o mercado e, quem sabe, encontrar oportunidades únicas.
O que você acha sobre a situação da Usiminas e as possíveis medidas antidumping? Está otimista ou mantém uma visão mais cautelosa? Compartilhe suas opiniões e pensamentos nos comentários!
