O Ibovespa subia nesta sexta-feira, depois de seis sessões consecutivas de queda, apoiado pelo apetite por risco nos mercados internacionais e pela alta das bolsas de Nova York e da Europa. Às 11h38, o principal índice da B3 avançava 1,03%, aos 167.234,84 pontos, enquanto investidores aguardavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic, prevista para as 18h30, e a divulgação do Novo Caged de setembro.
Exterior favorece recuperação
O índice chegou a subir 1,33% durante a manhã, até os 167.729,56 pontos. Na abertura, estava em 165.547,88 pontos, perto da mínima do dia, de 165.541,38 pontos. Apesar da recuperação, as incertezas político-econômicas no Brasil eram apontadas como um limite para uma alta mais consistente.
Nos Estados Unidos, a pesquisa ADP mostrou a criação de 86 mil vagas no setor privado em outubro. Também repercutiu a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas, que tirou dos republicanos o controle da Câmara e do Senado. O resultado deve dificultar a agenda do presidente Donald Trump no restante do mandato.
Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, afirmou em nota que o resultado confirmou as pesquisas que indicavam baixa aprovação do governo Trump. Segundo ele, a avaliação ocorre em meio a instabilidades desde o início do segundo mandato, incluindo medidas tarifárias e os impactos da guerra contra o Irã nos preços dos combustíveis.
As bolsas de Nova York e da Europa avançavam pela manhã, enquanto recuavam os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida do governo dos Estados Unidos. O petróleo caía perto de 3%, pressionando ações ligadas à commodity. Na direção oposta, o minério de ferro subiu 1,56% em Dalian, na China, favorecendo empresas do setor.
Petrobras cai; Vale e Itaú sobem
Às 11h32, as ações da Vale avançavam 1,94%, acompanhando a valorização do minério de ferro. Os papéis da Petrobras recuavam perto de 3%, em linha com a queda do petróleo. As ações do Itaú Unibanco subiam 2,29% após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre.
O banco informou lucro líquido gerencial de R$ 12,617 bilhões. O retorno sobre o patrimônio, indicador conhecido pela sigla RoE, foi de 23,6% na operação consolidada e de 24,5% no Brasil. O balanço também apontou deterioração das receitas com serviços e seguros. A BB Seguridade, por sua vez, registrou queda de 5,1% no lucro.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester, associou o cenário externo à redução do petróleo e dos juros e disse que a notícia poderia dar algum alívio aos investidores. Ele ponderou, porém, que se tratava de uma pausa em um quadro desafiador no Brasil, diante das incertezas fiscais após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Copom divide projeções
A decisão do Copom era outro foco do mercado. Entre 75 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 39 esperavam um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 13,50% ao ano. As outras 36 projetavam a manutenção da taxa no nível atual, de 13,75% ao ano.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, afirmou em nota que a deterioração das condições financeiras, a depreciação cambial e a piora das expectativas de inflação aumentaram as apostas de manutenção dos juros. Para ele, esse cenário poderia interromper temporariamente o ciclo de cortes da Selic.
Mendes avaliou que a alta do Ibovespa parecia mais uma compra técnica em um cenário de baixa. Ele também afirmou que a notícia dos Estados Unidos não mudava a dinâmica da dívida pública brasileira e relacionou sua avaliação sobre a Bolsa às políticas defendidas pelo PT nas eleições. Na sessão anterior, o Ibovespa havia recuado 1,42%, encerrando aos 165.528,92 pontos.