

Desvendando o Cenário da Renda Fixa: O Que Esperar?
Na semana passada, os títulos públicos brasileiros continuaram a oferecer juros reais atrativos, com taxas que chegaram a impressionantes IPCA + 7,68% ao ano. Contudo, a renda fixa enfrentou algumas pressões devido a uma inflação maior do que a prevista e um salto significativo nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.
Mantenha-se Atualizado: O Que Diz o Relatório Semanal?
De acordo com o relatório semanal da XP Pesquisa, referente ao período de 21 a 25 de setembro, os dados indicam que, apesar da tensão no cenário internacional, os juros futuros no Brasil permaneceram relativamente estáveis nos prazos mais curtos e tiveram leve queda nas faixas mais longas.
Esse comportamento dos juros está alinhado com as expectativas de novos cortes na Selic, que foram reforçadas pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e pelo Relatório de Política Monetária do Banco Central. Contudo, o IPCA-15 de setembro e os preços do petróleo permanecem como riscos inflacionários que precisam ser monitorados de perto.
Taxas de Renda Fixa: O Que Vem Por Aí?
No mercado secundário de títulos públicos, as NTN-Bs, atualmente chamadas de Tesouro IPCA+, mostraram taxas reais superiores a 7% ao ano em várias datas de vencimento.
- Para vencimento em 2029, as taxas chegavam a IPCA + 7,51%
- O título com vencimento em 2031 oferecia IPCA + 7,68%
- Para 2033, a taxa era IPCA + 7,65%, enquanto em 2035, oferecia IPCA + 7,61%
- Por fim, o papel para 2040 estava em IPCA + 7,31%
Essas taxas são calculadas para garantir um retorno real acima da inflação, contanto que o investidor mantenha o título até o vencimento. Por exemplo, um título que paga IPCA + 7,68% garante que o investimento seja protegido da inflação, além de proporcionar um retorno adicional de 7,68% ao ano. No entanto, é importante lembrar que, caso o papel seja vendido antes do vencimento, seu preço pode variar devido a flutuações de mercado.
No que diz respeito aos títulos prefixados, as taxas também se mantiveram altas. As LTNs estavam oferecendo retornos entre 13,5% e 13,9% ao ano, dependendo do prazo de vencimento. As NTN-Fs com vencimentos entre 2031 e 2037 ficaram próximas a 14,1%.
Expectativas do Mercado: Juros Altos Por Mais Tempo
A curva de juros brasileira demonstrou pouca mudança nas datas de vencimento mais próximas. O contrato de DI para janeiro de 2027 encerrou a semana em 13,55%, praticamente estável.
No caso do DI para janeiro de 2029, a taxa ficou em 13,83%, sem alterações significativas, enquanto o contrato para janeiro de 2031 recuou ligeiramente, caindo nove pontos-base para 13,83%.
Os contratos de DI são um reflexo das expectativas do mercado em relação aos juros futuros. Quando as taxas sobem, os investidores tendem a buscar uma remuneração maior. Por outro lado, quando estas caem, pode ser um sinal de que os investidores esperam uma redução nos juros ou diminuição nos prêmios de risco.
Para o final de 2026, a curva já indica uma expectativa de Selic em torno de 13,48%. A projeção da XP, por sua vez, é um pouco menor, em 13,25%. A discrepância se amplia nos prazos seguintes, com uma projeção de 13,87% para 2027 e 11,50% pela XP. Para 2028 e 2029, a curva sugere juros superiores a 14%, enquanto a XP projeta 9,50%.
IPCA-15 e Seus Efeitos na Inflação
Um ponto crucial desta semana foi o IPCA-15 de setembro, que apresentou uma alta de 0,70%, superando as expectativas. Isso fez com que a inflação acumulada em 12 meses atingisse 4,47%.
Segundo a equipe de economia da XP, a surpresa se concentrou nos preços livres, afetados principalmente pelos aumentos nos grupos de alimentação e serviços. Esse resultado também interrompeu a recente melhora observada nos núcleos de inflação, utilizados para identificar tendências de preços mais persistentes. A XP, no entanto, manteve sua projeção de inflação em 5% para 2026, embora o balanço de riscos tenha passado a apresentar viés de alta, indicando uma maior possibilidade de um resultado acima da estimativa.
As expectativas do mercado seguiram altas, com a inflação implícita em 5,44% para 2026 e 6,03% para 2027, contrastando com as projeções da XP que eram de 5% e 4,2%, respectivamente.
Retorno do CDI e Seus Impactos
Entre os indicadores acompanhados, o CDI acumulou um retorno de 14,50% nos 12 meses encerrados em 24 de setembro. Este índice, que acompanha de perto a Selic, serve como referência para investimentos pós-fixados.
- O IDA-DI, que é atrelado a debêntures, teve um desempenho de 14,46% no mesmo período.
- O IMA-B 5, que é composto por títulos públicos atrelados à inflação com prazos menores, avançou 14,20%.
- O IRF-M, que se refere a títulos públicos prefixados, registrou um acumulado de 12,67%.
- O IMA-B, que abrange uma carteira ampla de títulos indexados ao IPCA, rendeu 12,58%.
- Já o IMA-B 5+, mais exposto a títulos de longo prazo, apresentou retorno de 11,13% nos últimos 12 meses.
- No segmento de crédito privado indexado ao IPCA, o IDA-IPCA avançou 5,94%.
Esses índices abrangem diferentes ativos, com variados prazos, riscos e sensibilidades. Portanto, suas rentabilidades não garantem resultados futuros e não devem ser comparadas somente pelo percentual acumulado.
O Mercado de Crédito em Movimento
Na última semana, as debêntures não incentivadas movimentaram R$ 11,2 bilhões, com uma média diária de R$ 2,2 bilhões. Esse volume superou levemente os R$ 11 bilhões da semana anterior.
As debêntures incentivadas, que geralmente são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, movimentaram R$ 7,5 bilhões, com média diária de R$ 1,5 bilhão. Na semana anterior, o volume foi de R$ 8,9 bilhões.
No mercado de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), as negociações somaram R$ 4,4 bilhões, mais que o dobro dos R$ 2,1 bilhões registrados anteriormente. Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) movimentaram R$ 1,5 bilhão.
Os spreads das debêntures atreladas ao CDI começaram a semana em 1,43%, cerca de 1,20 ponto percentual abaixo do pico de 2,62% registrado em abril. O spread representa a remuneração adicional paga pelo título em relação ao indicador utilizado como referência.
Entre as debêntures incentivadas, o spread teve um leve aumento, encerrando a semana em 0,6864 ponto percentual, superando os 0,6590 ponto da semana anterior e alcançando o maior nível de 2026, conforme o relatório.
Tendências dos Treasuries nos EUA
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos públicos dispararam, impulsionados por dados positivos da atividade econômica, volatilidade nos preços do petróleo e um aumento nas expectativas de uma nova elevação na taxa de juros pelo Federal Reserve.
A Treasury de dez anos atingiu 5,22%, o nível mais alto desde 2007, enquanto o título de 30 anos superou 5,5%, alcançando seu maior patamar desde 2004. No fechamento da semana, o título de dois anos pagava 4,85%, uma alta de nove pontos-base. O papel de dez anos terminou em 5,16%, e o de 30 anos fechou em 5,49%, ambos com aumento de 16 pontos-base.
De acordo com o relatório, o mercado precificou quase 70% de chance para uma nova alta dos juros americanos na próxima reunião do Fed, uma mudança radical em relação a um mês atrás, quando a probabilidade era de aproximadamente 11%.
Mirando nas Próximas Semanas
Na próxima semana, o calendário econômico internacional contará com a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll, além do índice PCE de agosto, um importante indicador de inflação monitorado pelo Federal Reserve.
No Brasil, serão publicados dados relevantes, como produção industrial, IGP-M, Caged, PNAD Contínua e informações sobre o mercado de crédito. Também são aguardados os resultados primários do Governo Central e do Setor Público Consolidado, além do Balanço de Pagamentos.
A XP projeta uma leve queda de 0,2% na produção industrial em agosto e uma criação de 86.550 novas vagas formais no Caged. Para o IGP-M de setembro, a expectativa é de alta de 1,46%.
Em suma, enquanto o cenário da renda fixa brasileira enfrenta desafios vindos de fora, há oportunidades interessantes de retorno no horizonte. A equipe do relatório ressaltou que, apesar dos altos juros americanos, a curva de juros doméstica demonstrou uma resiliência impressionante.

