Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou suas Perspectivas da Economia Mundial, trazendo boas notícias para o Brasil, que deve se destacar como a oitava maior economia do mundo até 2027. As projeções indicam que o país se manterá nesta posição pelo menos até 2031, último ano considerado nas estimativas do FMI. Em 2027, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve alcançar US$ 2,80 trilhões (ou R$ 14,65 trilhões), superando os atuais US$ 2,655 trilhões, que colocam o Brasil na décima posição.
O PIB representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do país, conforme medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Importante destacar que a produção agropecuária, de acordo com o IBGE, considera apenas o que é gerado no interior das propriedades: lavouras, pecuária, produção florestal e pesca, com um PIB de R$ 775,3 bilhões em 2025, equivalente a apenas 6,1% do total. Por outro lado, o PIB do agronegócio, que leva em conta toda a cadeia produtiva — desde insumos até agroindústrias e agrosserviços —, alcançou R$ 3,20 trilhões, representando 25,13% da economia brasileira no mesmo ano.
Os países que ocupam as primeiras posições no ranking são Estados Unidos (US$ 34,44 trilhões), China (US$ 22,94 trilhões), Alemanha (US$ 5,66 trilhões), Índia (US$ 4,52 trilhões), Reino Unido (US$ 4,49 trilhões), Japão (US$ 4,47 trilhões) e França (US$ 3,65 trilhões). Logo atrás do Brasil, encontramos Itália (US$ 2,77 trilhões) e Rússia (US$ 2,68 trilhões) no grupo das dez maiores economias do mundo.
Mas qual é a real contribuição do setor agropecuário para esse crescimento do Brasil? Vejamos a seguir cinco razões que explicam a importância desse segmento na evolução econômica do país.
1. O Campo Impulsiona o Crescimento do País
Em 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 2,3%, totalizando R$ 12,7 trilhões, conforme os dados do IBGE. O setor agropecuário foi o grande responsável por esse avanço, com uma impressionante alta de 11,7%, muito superior ao crescimento dos Serviços (1,8%) e da Indústria (1,4%). Embora represente apenas cerca de 6% do PIB, o agronegócio contribuiu com 32,8% do crescimento total do país naquele ano, impulsionado por safras recordes de milho (+23,6%) e soja (+14,6%). O desempenho positivo parece ter continuidade, pois no segundo trimestre de 2025, o crescimento da agropecuária foi de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
2. Um Quarto da Economia Passa pela Cadeia do Agro
Ao considerarmos toda a cadeia produtiva, desde a fabricação de fertilizantes até o transporte dos produtos, a relevância do setor agropecuário na economia torna-se ainda mais evidente. O PIB do agronegócio cresceu 12,20% em 2025, segundo o Cepea/CNA, aumentando sua participação na economia de 22,9% para 25,13% em apenas um ano. Contudo, em 2026, a perspectiva é de ajuste, com a queda nos preços agrícolas gerando uma retração de 2,01% no PIB do agronegócio no primeiro trimestre, e uma projeção de R$ 3,13 trilhões, representando 22,8% da economia.
3. Os Dólares Que Pesam no Ranking
O FMI realiza suas comparações econômicas em dólares, e o setor agropecuário se destaca como a principal fonte de receita em moeda forte para o Brasil. Em 2025, as exportações do agronegócio registraram um recorde de US$ 169,2 bilhões, o que equivale a quase metade (48,5%) do total exportado pelo país. O superávit do setor alcançou US$ 149,07 bilhões, e essa entrada de divisas é crucial para sustentar o valor do real e, consequentemente, influenciar positivamente o tamanho do PIB em dólares. Além disso, a diversificação das exportações foi notável, com o salto nas vendas de carne bovina in natura para US$ 16,6 bilhões (+42,5%) e café verde atingindo US$ 14,86 bilhões (+31,1%), ambos recordes. A China continua sendo o principal parceiro comercial, importando US$ 55,3 bilhões e somando 525 mercados abertos desde 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
4. A Safra Que Chega em 2027
O setor agropecuário já se prepara para a colheita que promete alimentar a economia no ano em que o FMI projeta o Brasil na oitava posição. Em 15 de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a safra 2026/27 em recordes de 367,14 milhões de toneladas. A área plantada deverá crescer 2,3%, totalizando 85,41 milhões de hectares. A produção de soja pode alcançar 181,61 milhões de toneladas, enquanto o milho deve atingir 148 milhões de toneladas. Para as vendas externas, a Conab projeta embarques de 117,97 milhões de toneladas de soja e até 46 milhões de milho.
5. Um em Cada Quatro Trabalhadores
O agronegócio também é uma fonte vital de renda para os brasileiros. Em 2025, cerca de 28,4 milhões de pessoas estavam empregadas no agronegócio, o que representa 26,3% dos 108,1 milhões de trabalhadores no país, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Isso significa que um a cada quatro trabalhadores brasileiros está envolvido em alguma fase da cadeia, desde a indústria de insumos até a logística das safras.
O Brasil está, portanto, em um caminho promissor, com o agro desempenhando um papel crucial nesse crescimento. A relação entre a economia e o agronegócio se aprofunda a cada ano, fazendo com que esses números inspirem otimismo. A pergunta que devemos fazer agora é: o que podemos fazer para fortalecer ainda mais esse setor tão vital para o futuro econômico do país?

