quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Desafios da Nova Temporada de Exportação de Milho no Brasil: O Que Esperar?


Grãos de milho são carregados em um caminhão após serem colhidos em uma fazenda no Brasil

REUTERS/Adriano Machado

O Brasil é um dos maiores exportadores do grão

A Temporada de Exportação de Milho no Brasil

No segundo semestre, as exportações de milho do Brasil costumam aumentar consideravelmente. No entanto, o início da temporada de embarques deste ano nos apresenta alguns desafios, como a diminuição das compras chinesas e a intensa concorrência com os Estados Unidos, segundo analistas consultados pela Reuters.

Além disso, existem dificuldades logísticas decorrentes dos atrasos na colheita para a safra 2024/25. Durante as primeiras etapas deste novo ciclo de exportação, o Brasil ainda precisa liberar espaço nos portos para a embarcação de uma quantidade significativa de soja, o que torna a situação ainda mais complexa.

Expectativas em Relação às Exportações

Apesar das adversidades, há previsões otimistas para o volume de embarques do milho brasileiro, que se posiciona como o segundo maior exportador mundial, atrás apenas dos EUA, em virtude da segunda maior colheita da história do país. Os dados mais recentes do governo indicam uma produção de 128,3 milhões de toneladas, apresentando um crescimento de 11% em relação ao ciclo anterior.

Raphael Bulascoschi, analista de mercado da consultoria StoneX, observa que a oferta brasileira é robusta, mas a demanda é uma incógnita: “Enquanto temos uma colheita excelente, precisamos encontrar compradores para nosso estoque”, afirma.

Desafios da Demanda

As exportações brasileiras de milho estão projetadas em 42 milhões de toneladas para a atual temporada, um volume superior ao de 38,5 milhões da safra passada, mas inferior ao recorde de 54,6 milhões de toneladas registrado há dois anos.

A China teve um papel significativo como importador nas últimas safras, mas agora se mostra menos presente no mercado, uma mudança que preocupa muitos especialistas. A estratégia chinesa de busca por autossuficiência impacta diretamente as vendas brasileiras.

A Visão dos Especialistas

Francisco Queiroz, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, reforça a ideia de que a ausência da China no mercado de importação afeta as exportações do Brasil, que terá que se voltar para países como Irã, Egito e Vietnã, que não têm a mesma capacidade de absorção do gigante asiático.

Entre fevereiro e junho, as vendas brasileiras de milho ficaram quase 17% abaixo do mesmo período do ano anterior. Queiroz menciona que, embora a projeção ainda seja de 42 milhões de toneladas, é possível que esse número sofra ajustes para baixo dependendo do desempenho dos embarques nas próximas semanas.

Impacto da Safra dos EUA

Embora o milho brasileiro tenha se mostrado competitivo em relação ao americano, a confirmação de uma boa safra nos Estados Unidos poderá limitar as janelas de exportação para o Brasil, especialmente ao final do ano, quando o novo produto norte-americano entra no mercado.

A expectativa é de que os Estados Unidos exportem mais de 100 milhões de toneladas de soja neste ano, o que poderá interferir nas operações do Brasil e nas vendas de milho. Caso as disputas comerciais entre EUA e China não sejam resolvidas, a demanda por soja brasileira poderá continuar elevada, o que dificultaria um crescimento mais robusto nos embarques de milho.

Um Olhar sobre o Mercado Global

Daniele Siqueira, analista da AgRural, aponta que fatores como o atraso na colheita e a grande produção de milho, junto com as flutuações cambiais, podem acarretar desafios na concretização das exportações planejadas ainda para este ano.

Um aspecto que poderá influenciar as vendas para 2026 é o tamanho da safrinha, uma colheita que deve ser surpreendente neste ciclo. O câmbio, que favorece o milho brasileiro em comparação ao dos EUA e da Argentina, pode dificultar a competitividade do produto nacional nos próximos meses.

Perspectivas para o Futuro

Apesar de todos os percalços, há motivos para otimismo. Gabriel Santos, analista da Céleres, acredita que as exportações brasileiras podem se recuperar, citando a excelente produtividade do milho. “Esperamos um milho brasileiro muito competitivo, com uma surpreendente produtividade. A meta é alcançar cerca de 51 milhões de toneladas em exportações”, destaca.

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