A PwC informou nesta sexta-feira (23) que investiga um incidente de segurança envolvendo um fornecedor terceirizado que hospeda registros de treinamento de funcionários. O comunicado foi divulgado um dia depois de um grupo de hackers afirmar que roubou 590 gigabytes de dados da empresa e ameaçar publicar os arquivos caso não haja um acordo.
O que a PwC confirmou
Um porta-voz global da consultoria disse que o local afetado não armazena dados de clientes, informações pessoais confidenciais nem dados financeiros. Segundo ele, a empresa tomou medidas para proteger o ambiente assim que soube do incidente e iniciou uma análise detalhada.
“O incidente não afeta nossa rede nem nenhuma de nossas operações”, afirmou o porta-voz. A PwC, porém, não informou quantos dados podem ter sido acessados nem confirmou a quantidade indicada pelos hackers. O representante também se recusou a comentar se as alegações do grupo são verdadeiras.
O fornecedor terceirizado é utilizado para hospedar registros de treinamento dos funcionários da PwC. A empresa não forneceu detalhes sobre quais registros podem estar envolvidos, nem sobre o período a que eles se referem. Também não esclareceu se a análise já identificou arquivos efetivamente retirados do ambiente.
Alegação de roubo e ameaça de divulgação
O grupo de extorsão digital Everest assumiu a responsabilidade pela violação em uma mensagem publicada em seu site em 22 de outubro, segundo a eCrime.ch, plataforma de pesquisa sobre crimes digitais. Na publicação, o grupo incluiu um cronômetro que indicava cinco dias restantes e advertiu que divulgaria os dados se a empresa não chegasse a um acordo.
O Everest alegou ter roubado 590 gigabytes de informações. Entre os arquivos, estariam “componentes de software e cursos de e-learning da PwC”, de acordo com a mensagem atribuída ao grupo. E-learning é o nome dado a cursos realizados em formato eletrônico.
O grupo também afirmou que os dados incluem informações sobre indivíduos e seus históricos organizacionais e profissionais. A lista citada na publicação menciona nomes, endereços de e-mail, números de telefone, endereços e outros detalhes. Essas informações são alegações dos hackers; a PwC não confirmou o conteúdo nem a extensão do material supostamente obtido.
O que ainda não se sabe
Há uma diferença entre o que o grupo afirma ter encontrado e o que a PwC diz sobre o ambiente afetado. O Everest menciona dados de indivíduos e detalhes de contato, enquanto a consultoria afirma que o local não guarda informações pessoais confidenciais. Até o momento, a empresa não explicou se essa diferença decorre do tipo de registro envolvido ou se as alegações do grupo são imprecisas.
Também não está claro se os 590 gigabytes correspondem ao volume de dados efetivamente retirado, a arquivos aos quais o grupo diz ter tido acesso ou a uma estimativa divulgada pelos próprios hackers. A PwC não validou o número. O comunicado da empresa se limitou a informar que tomou medidas de proteção e conduz uma análise do incidente.
Para funcionários, a possível exposição de registros de treinamento e de dados de contato é o ponto mais diretamente relacionado ao caso, mas a empresa não confirmou que essas informações tenham sido comprometidas. Para clientes e para as operações da consultoria, a PwC declarou que não há impacto: segundo o porta-voz, o ambiente atingido não contém dados de clientes e o incidente não afeta a rede nem as atividades da companhia.
A ameaça de divulgação permanece condicionada a uma eventual negociação entre o grupo e a empresa, conforme a mensagem do Everest. A PwC não comentou se recebeu uma exigência ou se pretende negociar. Sem confirmação independente sobre o volume e o conteúdo dos arquivos, a extensão do incidente ainda não está estabelecida.

