Dólar sobe com alta do petróleo e dos rendimentos dos títulos dos EUA


O dólar avançou nesta sexta-feira (23) diante de uma cesta de moedas fortes, apoiado pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela valorização do petróleo. O movimento ocorreu em meio a tensões geopolíticas e a incertezas sobre os custos de energia e os investimentos em inteligência artificial (IA).

O índice DXY, que acompanha o dólar em relação a seis moedas, subiu cerca de 0,2%, para a faixa de 101,8 pontos, segundo dados reportados pelo Wall Street Journal. No mercado internacional, a moeda americana chegou a 156,90 ienes. O euro recuou para US$ 1,1196, e a libra esterlina era negociada a US$ 1,3373.

Petróleo e juros dão suporte ao dólar

As tensões no Oriente Médio aumentaram a preocupação dos investidores com possíveis efeitos sobre a oferta de petróleo. Uma alta da commodity pode elevar os custos de energia e pressionar a inflação em diferentes economias, além de influenciar as expectativas sobre as decisões de política monetária.

Os rendimentos dos Treasuries — títulos emitidos pelo Tesouro americano — também contribuíram para sustentar o dólar. Quando esses retornos sobem, ativos denominados na moeda dos Estados Unidos podem se tornar mais atrativos para investidores, conforme as condições de risco e as expectativas para os juros.

O mercado acompanha os próximos sinais do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. As perspectivas para a trajetória dos juros influenciam tanto os rendimentos dos títulos públicos quanto a demanda internacional pelo dólar.

Riscos ligados à inteligência artificial

As dúvidas sobre como serão financiados os investimentos em IA e sobre a avaliação das empresas de tecnologia acrescentam incerteza aos mercados financeiros. Segundo a avaliação do banco ING, preocupações com o setor deixam a moeda americana vulnerável e, em determinados momentos de tensão, dificultam que ela mantenha seu papel tradicional de ativo de proteção.

Já uma análise atribuída à Convera aponta que vendas de ativos ligadas à IA poderiam provocar correções temporárias no dólar. Para que o efeito fosse mais duradouro, seria necessário um agravamento mais amplo das condições financeiras, como a extensão do estresse aos mercados de crédito ou uma redução significativa dos investimentos das empresas.

As avaliações indicam que a direção da moeda depende de fatores que atuam ao mesmo tempo, entre eles a geopolítica, os juros e os riscos associados à tecnologia.

Atividade econômica pesa sobre o euro

Na zona do euro, indicadores preliminares de atividade empresarial também influenciaram o mercado cambial. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto caiu de 53,1 em setembro para 51,9 em outubro, o menor nível em quatro meses. Leituras acima de 50 ainda indicam expansão, embora o recuo aponte desaceleração.

Na França, o PMI composto caiu para 48,4, resultado que sinaliza contração. Os dados se somaram às preocupações com a atividade econômica e com os custos de energia, em um contexto desfavorável ao euro.

Nos Estados Unidos, os indicadores preliminares de outubro mostraram desaceleração em alguns segmentos, especialmente nos serviços. A atividade, porém, permaneceu em expansão. Esse quadro mantém em aberto as avaliações sobre o ritmo da economia americana e sobre os próximos passos do Fed.

O dólar canadense, por sua vez, se valorizou diante da moeda americana após notícias de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderia retirar tarifas de 50% aplicadas a produtos do Canadá. Durante o pregão, o dólar recuou para 1,4006 dólar canadense.

Reflexos para empresas e investidores no Brasil

A valorização internacional do dólar não determina, por si só, a cotação da moeda no Brasil. O câmbio brasileiro também é influenciado por fatores domésticos, como as expectativas para os juros, as contas públicas, o fluxo de capital e a percepção de risco.

Movimentos globais, ainda assim, podem afetar empresas que dependem de insumos importados, equipamentos ou contratos denominados em moeda estrangeira. Uma alta do dólar pode encarecer essas despesas. Exportadores com receitas em moeda americana podem se beneficiar, dependendo dos custos e da dinâmica dos preços internacionais.

Uma alta persistente do petróleo também pode elevar despesas de transporte e produção e aumentar pressões inflacionárias. A evolução do dólar, das commodities e dos juros americanos ajuda empresas e investidores a avaliar riscos, mas o desempenho de um único pregão não permite antecipar sozinho os efeitos sobre a economia brasileira.

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